Mulheres Revolucionárias: Cristina da Suécia parte I

A quarta e única sobrevivente filha dos reis Gustavo Adolfo II e Maria Eleonora era Cristina. Assim que a garota nasceu, em 1626, foi considerada menino e só mais tarde perceberiam que era uma garota. até hoje

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Mesmo que não seja possível descobrir o motivo da confusão, Cristina teria de carregar piadas com seu nome por toda a vida.

Mesmo assim, ela dizia que quando era criança, tinha aversão por todas as coisas de “menina”, como roupas apertadas e espalhafatosas. Ao contrário do que normalmente acontecia, pois apenas homens eram ordenados a terem uma educação rigorosa, o rei Gustavo havia instruído sua filha a ser muito estudiosa e ela chegava a estudar 12 horas por dia. Ela se interessava por todos os assuntos que na época eram masculinos, como política, literatura e história.

Tal intelecto foi muito bem recebido quando o rei morreu em combate na Guerra dos Trinta Anos e com isso, Cristina se tornaria a rainha da Suécia.

Com a morte de seu marido, em 1632, Maria Eleonora ficou entrou em um luto eterno, obsessiva com rituais, rezas e escuridão, já que ordenou que todas as peças do castelo agora fossem pretas, para que não entrasse luz solar. Além disso, colocou um caixão ao lado de sua cama com o coração de Gustavo dentro dele e obrigava que sua filha, agora rainha, dormisse ao seu lado todos os dias durante 3 longos anos.

Essa experiência marcou profundamente Cristina, que começou a se questionar sobre os ensinos religiosos que havia recebido e mostrou que pensava por si própria.

Alguns anos mais tarde, em 1651, planejava se converter para o catolicismo mesmo sabendo que essa atitude não seria aceita pela Suécia luterana e que não poderia continuar sendo a rainha do país.

Já em 1654, com certeza de sua fé, fez um plano com um companheiro, o Conde Christophe Von Donha, e resolveu trocar de lugar com ele. Vestida como Conde, viajou escondida para Roma, onde foi recebida com muita pompa, o que normalmente não acontecia com mulheres daquela época, mas o papa desejava celebrar mais uma rainha convertida pois precisava restaurar a imagem da Igreja, que havia sido desgastada pela revolta protestante.

Já a cerimonia de abdicação da rainha, que aconteceu no mesmo ano, foi diferente pois quando Cristina ordenou que tirassem sua coroa, ninguém se adiantou para cumpri-la mas no final do dia, estava sem os trajes reais e o herdeiro que ela havia apontado, rei Carlos X, foi coroado. Sem despedidas oficiais, foi em direção à fronteira dinamarquesa com uma pequena escolta de 4 pessoas.

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Após passar por países como Alemanha e Países Baixos, foi recebida pela Igreja Católica em Bruxelas. Após sua comunhão, adotou o segundo nome de Alexandra, o que poderia ser uma homenagem ao papa Alexandre VII.

Quando voltou para Roma, primeiramente foi uma convidada muito querida mas após alguns anos, começou a ser inconveniente pois era esperado de uma mulher católica ser modesta e pura mas Cristina era o oposto. Logo as intrigas e comentários começaram a surgir pois ela frequentava teatros com conteúdos de baixo calão e tinha vários amantes.

Vendo que não tinha mais futuro ali, tentou voltar ao poder real em 1668, mas dessa vez na Polônia. Com uma monarquia eletiva, pensou que teria chances de conseguir a coroa mas o povo dali queria um homem para os liderar, não uma mulher com a reputação manchada com inúmeros escândalos.

Depois de perder mais uma vez a coroa, decidiu viver no Palazzo Riario e voltou a focar em seus estudos. Patrocinando expedições arqueológicas, promoveu o teatro e muito mais. Em pouco tempo o Palazzo Riario ficou conhecido por suas atividades culturais e intelectuais.

Quando morreu, em 1689, seu corpo foi velado com uma grande cerimonia.

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