Mercado em expectativa, após decisão do STF

Com a decisão do Plenário do STF, mantendo a posição de excluir o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, fica esclarecido que a parcela a ser excluída corresponde ao imposto destacado e modula os efeitos da decisão a partir de 15/03/2017. No julgamento, retomado após anos de espera, o Plenário do STF fixou a tese de que “o ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS.” . Com exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS pelo STF, mercado tem expectativa pelos próximos capítulos.

Segundo o especialista André Alves de Melo, sócio na área de Tributário do Cescon Barrieu, o julgamento trouxe um cenário de segurança jurídica em relação à tese, e não uma reviravolta, e de certa maneira, com ressalva à posição adotada, não surpreendeu em relação à modulação dos efeitos, quando assegurado o direito daqueles que possuíam ações em curso à época do julgamento. Com isso, a expectativa geral em torno da decisão do STF se concretizou.

“Ainda que a conclusão do julgamento contribua para reduzir a insegurança que girava em torno do tema, os reflexos da decisão devem ser apurados caso a caso. Aspectos como a recuperação dos valores pagos no passado, efeitos nos PER/DCOMP já transmitidos e autos de infração em curso ou em fase de rediscussão no judiciário, impactos nos processos judiciais existentes, cumprimento de obrigações acessórias, divulgação de informações societárias e apuração dos tributos incidentes sobre o indébito devem ser objeto de análise. É provável que a RFB se manifeste oficialmente sobre o tema, sendo preciso acompanhar os próximos capítulos”, explica o advogado.

“Outros pontos interessantes do desfecho dado é que teremos a corrida pelo julgamento da tese de exclusão do ISS da base de cálculo do PIS e da COFINS, uma tese já em fase avançada no STF (tema 118), com o reconhecimento pela própria Fazenda Nacional quanto à similitude dos argumentos jurídicos da tese, sendo que uma vez reafirmados ontem pelo STF, a expectativa será pelo julgamento também favorável aos contribuintes. Somados esses julgamentos a reforma tributária, ainda que particularizada para PIS e COFINS, ganha um reforço”, acrescenta.

Ainda segundo o especialista, uma situação, ainda que em menor escala, que irá perdura é a do contribuinte que ajuizou a ação judicial após março/17 (marco temporal do STF) e obteve o trânsito em julgado antes do desfecho de ontem. “Aqui teremos um debate sobre coisa julgada x modulação”.

Da decisão

Na sessão, a Ministra Carmen Lúcia acolheu parcialmente os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional apenas para modular os efeitos da decisão, cuja produção de efeitos deverá ocorrer a partir de 15/03/2017, quando fixada a tese acima, resguardando-se o direito dos contribuintes com ações judiciais ajuizadas e procedimentos administrativos formalizados até aquela data, sendo seguida pela maioria dos Ministros. Assertiva quanto à inexistência de contradição, omissão ou obscuridade, a Relatora afirmou ainda que todo o ICMS dever ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS, citou passagens do voto no sentido de que essa parcela corresponde ao imposto destacado e reforçou o conceito adotado pelo STF de que apenas o ingresso efetivamente incorporado ao patrimônio do contribuinte constitui receita apta a servir de base de cálculo das aludidas contribuições. 

Sobre a modulação dos efeitos da decisão, a Ministra promoveu uma recapitulação da jurisprudência, destacando que no passado o STF não reconheceu o caráter constitucional da discussão e que a jurisprudência, ainda que inter partes, prevalecia no sentido de admitir a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, de modo que a mudança de cenário justificava a atribuição de efeitos prospectivos, ressalvados os casos de ações e processos administrativos inaugurados até 15/03/2017, data da sessão do julgamento do RE nº 574.706/PR. Nenhum dos Ministros atribuiu efeitos infringentes aos Embargos de Declaração, restando mantida a tese que “o ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS.

Por André Alves de Melo, sócio na área de Tributário do Cescon Barrieu.

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Mercado em expectativa, após decisão do STF
Mercado em expectativa, após decisão do STF. Foto de energepic.com no Pexels

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Dinheiro Fácil: Day trade só é rentável para os intermediários

Notícias virais sobre dinheiro fácil, como a de um jovem que transformou R$ 30 mil em R$ 700 mil durante a pandemia atrai para a prática da compra e venda diária de ações. Investidores incautos acumulam prejuízos e geram lucros a quem surfa nessa onda vendendo cursos, livros e ilusões.

No ínicio deste ano, tornou-se um viral nas redes sociais a trajetória de um jovem carioca de 24 anos e origem humilde que, atuando como day trader durante a pandemia, conseguiu transformar R$ 30 mil em R$ 700 mil. Contudo, histórias como essa atraem outros investidores para a ilusão do dinheiro fácil e rápido. A maioria acabam acumulando prejuízos e, alguns, como vimos no Fantástico desse domingo, acabam até caindo em golpes.

Histórias de superação como essa costumam ser inspiradoras. Contudo, a forma como ela é compartilhada na internet acaba confundindo as pessoas e reforçando uma compreensão equivocada de que um investimento de altíssimo risco pode ser uma fonte de renda.

Pesquisas mostram que quase a totalidade dos seguem por esse caminho têm prejuízo. Os pesquisadores Fernando Chague e Bruno Giovannetti, da Fundação Getúlo Vargas, chegaram a conclusões espantosas em seu trabalho.

Foram acompanhados todos os indivíduos que começaram a fazer day trade em ações no mercado brasileiro entre 2013 e 2016 (98.378 indivíduos), chegando-se nas seguintes revelações:

  1. 99,43% dos indivíduos não persistiram na atividade (apresentaram menos

de 300 pregões com day-trades);

  1. considerando-se os day-traders que persistiram (operaram por mais de

300 pregões), a performance média foi negativa;

  1. apenas 127 indivíduos foram capazes de apresentar lucro bruto diário

médio acima de 100 reais em mais de 300 pregões.

Nas palavras dos próprios pesquisadores: “Entre os 1.551 que persistiram, apenas 8 conseguiram apresentar lucro bruto diário médio maior do que a remuneração de entrada de um caixa de banco (160 reais por dia).”

No entanto, ao se observar que o número de novos investidores, inclusive muito jovens, nota-se que os resultados parecem não ter desanimado quem acredita na possibilidade do dinheiro fácil.

“A essência de se comprar uma ação é você se tornar sócio de uma grande empresa. Então, qual o sentido de você ficar comprando e vendendo a sua sociedade diariamente?”. Quem traz essa reflexão é o Educador Financeiro do canal “Dinheiro Com Você”, William Ribeiro, que também faz o alerta para os riscos dessa prática.

“A grande maioria das pessoas que estão se interessando pelo investimento em ações ainda acredita que tudo se resume a ficar acompanhando gráficos e apostando nas subidas e descidas dos preços. Day trading é uma atividade extremamente extenuante, que já levou vários investidores e famílias à ruína. Às vezes, o pior que pode acontecer é você começar ganhando dinheiro e acreditar que descobriu as regras do jogo. Os raríssimos day traders que ganham dinheiro, realizam a atividade como seu ofício, não é um hobby para se realizar no litoral ou no semáforo (aliás, quem, em sã consciência, deixaria de tomar caipirinha na praia para operar?).”

O Sonho do Dinheiro Fácil

Os Investidores que têm mais chances em conseguir lucro no day trade são aqueles que menos precisam disso para sobreviver. Pessoas que já construíram patrimônio e levam esse capital para o mercado financeiro para investir, para rentabilizá-lo.

“Quem tira dinheiro do seu próprio orçamento familiar para investir já começa perdendo, porque vai ser impossível não deixar o lado psicológico interferir nas operações”, explica o Educador Financeiro.

“Algumas pessoas afirmam que, assim como em qualquer outra atividade, poucos são os que se dedicam e têm sucesso. No caso do day trading isso é uma falácia, porque as pesquisas mostram que os operadores não ficaram melhores com o passar do tempo. Além disso, para efeito de comparação, as chances de ser aceito em Harward são de 4,7%, muito superiores aos 0,13% dos daytraders que têm como resultado mais de R$100 brutos por dia.”, destaca.

Quem realmente ganha com o day trade?

O grande foco das pesquisas sobre day trade é sobre consistência. Foi demonstrado que quanto maior é o número de pregões operados, menos provável é a sua chance de sucesso.

Desta forma, sempre teremos alguns vencedores pontuais, como certamente é o caso do jovem estagiário que se tornou “milionário” repentinamente. Ainda assim, por mero efeito da aleatoriedade, é bem possível que alguns poucos traders tenham sucesso repetidas vezes. “Se fizéssemos um campeonato de cara ou coroa, o campeão brasileiro certamente teria acertado um número bizarro de vezes, talvez dezenas delas. Nem por isso teria algum mérito por suas escolhas, mas certamente seria capa de revista e poderia lançar um curso ensinando como ser um vencedor nesta modalidade.”, afirma Ribeiro.

Definitivamente, day trade é um negócio lucrativo. Mas, de acordo com os estudos, quem faz dinheiro com ele são somente as corretoras (que ganham taxas), a Bolsa de Valores e os vendedores de curso.

William faz um último alerta a quem, mesmo assim, ainda pensa em arriscar.

“Tome cuidado com os gurus, com as dicas das outras pessoas. Será que se alguém tivesse o mapa da mina de ouro iria compartilhar com você e precisaria do seu dinheiro? Acrescento que, se tais dicas fossem divulgadas, brevemente seriam inócuas, uma vez que ficassem em domínio público e todos copiassem a estratégia.

Se o próprio dono da corretora soubesse desta fórmula, certamente criaria um exército de robôs, operando 24 horas por dia, o que certamente daria muito menos dor de cabeça do que administrar milhares de clientes dentro de uma corretora.

Se você deseja ser um day trader, já sabe que as chances estão contra você e que isso será um “trabalho” dos mais desgastantes e perigosos, diga-se. Caso contrário, não nunca priorize day trading com relação ao seu próprio ofício, porque é nele que você sabe ganhar dinheiro e pode aperfeiçoar-se de verdade”, conclui.

Entender a Jornada do Investidor evita erros e prejuízos

Em uma definição simples, o Educador Financeiro e apresentador do canal “Dinheiro Com Você”, William Ribeiro, explica o conceito da Jornada do Investidor como sendo “o processo que reflete a evolução das pessoas no domínio dos conceitos do mundo dos investimentos”.

Ter a consciência de como funciona essa jornada e seus possíveis caminhos, além de torná-los mais fáceis, é condição essencial para ter uma relação saudável e rentável com os investimentos.

“Muita gente me pergunta como começar e onde investir. E é logo no começo que as pessoas cometem dois erros principais: superestimar ou subestimar os riscos. Para o primeiro caso, é mais fácil: basta buscar conhecimento e ter disciplina para superar o medo de investir.

Já o segundo erro é de solução mais complexa. É preciso ter ciência de que investimento nenhum deixa ninguém rico no curto prazo. Mas também implica domar-se em seus instintos para não pular de cabeça em investimentos cujo risco é incompatível com seu perfil e jornada do investidor”, explica Ribeiro.

Em qual ponto inicia a sua jornada?

A jornada do investidor é uma estrada repleta de ramificações e com diferentes pontos de partida. Um único caminho errado pode atrapalhar e retroceder anos de caminhada, como alerta o Educador Financeiro.

 “O seu extrato bancário é um resultado que pode estar positivo ou negativo, refletindo um balanço das boas decisões financeiras da sua vida, frente à aquelas apostas (ou gastos desnecessários) que retiraram dinheiro da sua conta.

Um bom investidor sempre se questiona a respeito do quanto pode perder, ao passo que os iniciantes irremediavelmente procuram por investimentos cujo risco não podem suportar, como na renda variável”, pondera Ribeiro.

Para saber de onde um novo investidor deveria partir, basta uma análise simples para um primeiro diagnóstico das três possíveis situações que Ribeiro explica abaixo:

  1. A pessoa deseja começar a investir, pode até ter separado algum dinheiro, mas tem dívidas acumuladas.

Antes de pensar em aplicar qualquer quantia, a melhor coisa a fazer é livrar-se das pendências. É impossível encontrar qualquer investimento que tenha um retorno superior aos juros cobrados pelas instituições financeiras, especialmente se estivermos falando do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial.

Além dos juros altos, as dívidas tiram o sossego e a liberdade. Então, nesse caso, o primeiro passo é olhar para trás, encontrando um meio de quitar todas as suas pendências e focar na geração de renda para aumentar seus recursos.

Não é raro encontrar pessoas que tentam justificar sua ansiedade em colocar dinheiro em algum investimento, mesmo estando endividadas. “Se eu não fizer dessa forma eu não começo” ou “Dívidas eu sempre vou ter, se não for assim, não consigo comprar nada”, estão entre os absurdos que cegam as pessoas para o problema.

Como falamos no início, a disciplina é indispensável para começar essa jornada. E se este argumento ainda não for suficiente, partimos para um argumento infalível: a ponta do lápis.

Vamos imaginar um aspirante a investidor hipotético que está começando errado a sua jornada e deu início a um plano de previdência privada com contribuições mensais de mil reais, ao mesmo tempo em que está utilizando o limite de seu cheque especial. Veja só:

 Conta com Limite (Cheque Especial)Plano de Previdência
Saldo inicial (R$)0,000,00
Após primeiro aporte (R$)-1.000,001.000,00
Juros ao mês (exemplos)8 %0,5 %
Perdas x Ganhos (R$)– 80,005,00

O que vemos na tabela acima é uma pessoa que, para ganhar R$ 5,00 de rendimento, pagou R$ 80,00 em juros da dívida. Se essa atitude se estende ao passar do tempo, a bola de neve dos juros fatalmente acabará com qualquer possibilidade de progresso financeiro na Jornada do Investidor.

Então, não há outro caminho que não seja acabar com todas as dívidas, buscando aumentar a renda e economizar mais, para conseguir sobrar mais dinheiro para investir.

  1. A pessoa quer começar a investir, mas ainda não tem uma reserva financeira.

Aqui, estão consideradas as pessoas que já não têm dívidas e decidiram começar a investir pela primeira vez, começando do zero. Ou seja, não têm nenhuma reserva de emergência ou, como costumamos chamar, um “colchão financeiro”. Esta é uma etapa indispensável antes de seguir para investimentos de maior risco.

Seja para preparar o colchão financeiro, ou aportar em investimentos mais arrojados, é fundamental garantir que, na balança, o ganho seja maior do que o gasto. Afinal, toda riqueza construída no mundo foi edificada sob a quantia que se foi poupada, evidentemente.

O Colchão Financeiro é o passo mais importante da jornada do investidor por um motivo: garante que a segurança financeira da família não será comprometida, caso um investimento se mostre inviável, ou para momentos de escassez na geração de renda (seja por motivo de demissão, falta de clientes, etc);

O ideal é conseguir separar, no mínimo, 10% dos ganhos e destiná-los para uma reserva. Lembrando que os 90% restantes precisam ser suficientes para cobrir todas as despesas do mês. Você poderá afirmar que realmente já conta com um colchão financeiro formado quando essa reserva for o equivalente à soma de pelo menos seis meses de todos os seus gastos mensais. Há quem se sinta seguro com um montante que cubra um ano das despesas.

Para a reserva de emergência, não é adequado optar por ativos de maior rentabilidade, justamente por apresentarem maiores riscos. Para este objetivo financeiro, o ideal é aproveitar os benefícios que oferece a Renda Fixa, que são o baixíssimo risco e a liquidez, como é o caso do Tesouro Selic ou CDBs de liquidez diária.

É importante ter a consciência de que ninguém ficará rico investindo o dinheiro do colchão financeiro. A função da reserva é prover recursos que estejam prontamente disponíveis para qualquer adversidade que a vida nos apresentar, como problemas de saúde, perda de emprego ou acidentes.

  1. Quer começar a investir e já tem uma reserva financeira segura.

Se uma pessoa não tem dívidas e já conta com uma reserva financeira de emergência, ela pode começar aqui a jornada em direção ao acúmulo de patrimônio.

“A partir daqui os caminhos são muitos, por onde seguir vai depender muito do perfil de cada um, de quanto se tem para investir, prazo, quais os planos desse investidor para o dinheiro, entre diversos outros fatores que podem influenciar nas decisões e seus resultados. Exatamente por isso, acredito que o mais interessante seja adotar o conceito que chamamos de “diversificação financeira”, avalia o Educador Financeiro.

Dentro da própria Renda Fixa também há opções que oferecem um pouco mais de rentabilidade, como pode ser o caso do Tesouro IPCA+ ou Pré-Fixado. Porém, são produtos que possuem um prazo de vencimento, cujo resgate antecipado (embora seja possível)  pode trazer perdas pela chamada “marcação a mercado”.

Contudo, mesmo optando pelos investimentos mais sofisticados desta categoria, a Renda Fixa não oferece retornos muito grandes. Via de regra, são instrumentos que utilizamos mais como proteção do poder de compra de um dinheiro guardado, ou seja, visando protegê-lo da inflação.

Para ganhos maiores (e incertos, diga-se), é indispensável dar continuidade nessa jornada. Veja que primeiro pensamos em proteger, para só então subirmos o próximo degrau da jornada.

Um produto que costuma ser bastante indicado para quem deseja dar os primeiros passos na renda variável, são os Fundos de Investimento Imobiliários. Com quotas tão acessíveis como na casa dos cem reais, os FII possibilitam que pequenos investidores participem de empreendimentos imobiliários de alto padrão, como shoppings, lajes corporativas e galpões logísticos.

Por possuírem receita razoavelmente previsível dos aluguéis e do lastro imobiliário destes ativos, a oscilação das quotas (negociadas na bolsa de valores) não costumam sofrer grandes volatilidades, sendo características ideais para quem está começando a conviver com um pouco mais de risco.

A partir daí, o investidor pode se dar ao luxo de experimentar, sempre aos poucos e aplicando a diversificação, investimentos mais arrojados, como ações de empresas na bolsa de valores, criptomoedas, e até no mundo do empreendedorismo.

Independente do ponto de partida, o importante é começar

Acumular patrimônio é uma questão de disciplina e de dar tempo ao tempo, tanto para que os ativos financeiros possam gerar frutos (os proventos), quanto para que o investidor não pule etapas da jornada financeira.

“Definitivamente, investir não é só para gente rica. Mas, para ficar rico, investir é primordial. Tudo a seu tempo, um passo de cada vez. A jornada do investidor é fundamental para que, um dia, haja a independência financeira, em que o dinheiro trabalha para o investidor, não o contrário. Mas só é possível para aqueles que entendem e respeitam a jornada do investidor”, finaliza Ribeiro.

Sobre William Ribeiro

William Ribeiro é CEO do Dinheiro Com Você, empresa de consultoria, treinamento e Educação Financeira, focada em finanças pessoais e investimentos, além de uma produtora de conteúdo multiplataforma da qual faz parte um dos maiores e mais importantes canais de educação financeira do pais: www.youtube.com/dinheirocomvoce.

Possui título de MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e é graduado em Engenharia da Computação pelo Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel). Sua experiência de mais de 20 anos no empreendedorismo lhe trouxe a independência financeira e o consequente maior propósito da sua vida: levar seu conhecimento adiante, ajudando milhares de pessoas a terem uma vida financeira mais próspera.

Além de especialista no mercado financeiro, William também é autor e prepara o lançamento de seu primeiro livro (pela Alta Books) sobre o tema, uma publicação alinhada com o propósito de todo o seu trabalho que é desmistificar os investimentos no Brasil. 

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Dinheiro Fácil: Day trade só é rentável para os intermediários
William Ribeiro, educador financeiro e CEO do Dinheiro Com Você
Foto: Divulgação

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Alibaba, Baidu: saiba como investir em fundos e ações de empresas da China

Primeiro epicentro da pandemia do novo coronavírus, a China foi também o país que mais rapidamente superou a crise financeira provocada pelo fechamento das economias. No segundo trimestre de 2020, o PIB do país já avançou 11,5% em relação aos primeiros três meses do ano, com o governo estimulando o consumo das famílias e dando liquidez ao mercado.

Paralelamente a isso, a potência asiática vive problemas diplomáticos com os Estados Unidos. É verdade que os países trabalham para consolidar um acordo comercial, mas, ao mesmo tempo, o presidente americano Donald Trump dá sinais de que pode complicar cada vez mais a vida de empresas chinesas em solo yankee.

Talvez o caso mais emblemático disso seja o do app de edição e compartilhamento de vídeos TikTok, febre entre jovens do mundo todo. Trump ameaça desde julho encerrar as atividades da companhia em solo americano, sob o pretexto de que a rede não protege (ou até vaza) os dados dos seus usuários.

Com esse ambiente economicamente atraente mas politicamente instável, é natural que o investidor queira ter exposição ao mercado asiático, mas tenha dúvidas sobre qual a melhor maneira de fazê-lo. “A China é um mercado extremamente promissor, principalmente no que diz respeito ao setor de tecnologia”, diz William Alves, estrategista-chefe da Avenue. 

“É uma economia que ainda está se digitalizando e é pelo menos dez vezes maior que o Brasil. Só é preciso ficar atento com a regulamentação do país, que ainda impõe dificuldades.” Pensando nisso, o CNN Brasil Business listou algumas maneiras para investir nas bolsas chinesas. Confira abaixo:

Investir diretamente na China

Talvez o caminho mais difícil atualmente, por conta de regulamentação do país. Mas há um esforço visível do país para tentar democratizar os acessos. Um exemplo foi a criação do índice Chinext, de startups. O referencial é visto como uma “semente para tentar ultrapassar o mercado americano”, diz Alves. 

Para o investidor varejo, o caminho mais intuitivo é através de corretoras internacionais. A Interactive Brokers, por exemplo, permite que cliente realize operações de câmbio e financeiras em diversos mercados. No caso do chinês, isso é feito através da Bolsa de Hong Kong, mercado em que boa parte das empresas da China estão listadas. 

Já para os investidores institucionais, Pequim publicou, no início de setembro, um esboço de regras com o objetivo de facilitar essa entrada. 

Os procedimentos de inscrição para investidores em títulos estrangeiros serão simplificados e as regras para vários canais de investimento unificadas, disseram em um comunicado conjunto o Banco Central da China, o regulador cambial e o órgão fiscalizador de valores mobiliários do país.

As mudanças antecipam uma decisão da provedora britânica FTSE Russell, que deve sair no dia 24 de setembro, sobre a inclusão de títulos do governo chinês em seu índice de títulos de referência. 

Estas regras têm como objetivo “tornar mais fácil para os investidores institucionais estrangeiros alocar ativos em títulos denominados em iuanes”, disse o Banco do Povo da China em seu site.

Através da bolsa brasileira

Seis empresas chinesas estão listadas na B3 através de BDRs, aqueles papéis que funcionam como certificados que representam ações de empresas listadas em bolsas de outros países. 

São elas: Alibaba (plataforma de e-commerce), Baidu (motor de busca), JD.com (plataforma de e-commerce), Netease (desenvolvedora de jogos), PetroChina (petrolífera) e Trip.com (agência de viagens online). 

Apesar da disponibilidade mais evidente para os investidores locais, dados da Economática mostram que ainda é pequeno o volume de papéis da classe negociados por aqui, o que pode diminuir a liquidez dos ativos e, consequentemente, depreciar seu valor. 

BABA34, nome do papel ligado à Alibaba, já cresceu mais de 65% no ano. Já PTCH34, da PetroChina, recuou 10% desde o início de 2020.

Através do mercado americano

A versão americana das BDRs, as ADRs, são outra opção de investimento em ativos chineses. Mais de 100 empresas chinesas estão listadas no maior mercado do mundo através da modalidade. 

“São empresas com algumas das melhores performances do ano. Cresceram 100%, 200% e até 300% em 2020”, diz Alves. Entre os exemplos deste movimento aparecem a NIO, montadora de veículos elétricos, e a Pinduoduo, plataforma de e-commerce que permite aos usuários participar de transações de compra em grupo.

É preciso ter atenção, no entanto, ao movimento geopolítico protagonizado por China e Estados Unidos. Agentes do mercado já estimam que menos empresas chinesas devem ingressar em Wall Street se as pressões de Trump continuarem ganhando tração.

“Tenho salientado para os clientes que, apesar de haver muitas empresas chinesas interessantes, com bons retornos e mercado gigantesco, é preciso ficar esperto”, explica Alves. “Estamos em ano eleitoral e bater na China virou hobby, é um consenso entre os dois partidos.”

Para diluir este risco, os ETFs podem surgir como uma boa solução, aponta o gestor. No caso da Avenue, o KWEB, fundo de índice que acompanha empresas de tecnologia da China, é a bola da vez. O papel se valorizou quase 40% em 2020. “Com isso você se expõe a uma cesta de mais de 50 ativos sem correr tantos riscos”, explica.

*Com informações da Reuters

Que ações devem subir com a recuperação da economia? E quais devem cair?

Fonte: João José Oliveira – UOL

A economia brasileira desabou no segundo trimestre deste ano, mas como dizem os economistas, prestar atenção apenas ao PIB é como dirigir olhando para o retrovisor, pois esses indicadores refletem o passado.

Se o negócio é olhar para a frente, a dica de profissionais de mercado é começar já a procurar na Bolsa quais são os setores que devem apresentar um desempenho mais positivo na retomada da economia.

Como escolher as ações

Vale começar a busca por setores que podem apresentar uma recuperação mais rápida já neste ano, na esteira da atividade econômica no país.

Por outro lado, evite ações de empresas que devem andar mais lentamente, seja porque sofreram um grande baque na crise ou porque terão que suportar o impacto da recessão por mais tempo.

Esses setores têm potencial de alta

  • Shopping centers: Depois de sofrer com as portas fechadas, os shoppings foram reabertos, e as vendas voltaram.
  • Varejo de vestuário: Muita gente comprou pela internet, mas ainda há demanda que ficou reprimida.
  • Setor financeiro: Há expectativa de que os indicadores do setor melhorem, como os índices de inadimplência dos bancos.
  • Exportadoras: Dólar alto e retomada da economia em países que compram muito do Brasil favorecem exportações.
  • Construção civil: Juros baixos reduzem os custos dos empréstimos e estimulam novos empreendimentos.

Mas esses ainda devem sofrer

  • Transportes: O volume de viagens e de deslocamentos pode nem voltar mais ao nível pré-pandemia, já que muitos usuários perceberam alternativas.
  • Setor aéreo: Um dos setores mais afetados na pandemia, a aviação civil ainda não tem no radar como será de fato a volta à normalidade.
  • Turismo e entretenimento: Empresas de turismo, viagens e entretenimento devem estar entre as últimas a se recuperar.
  • Educação: O desemprego e a queda da renda das famílias vão continuar aumentando as taxas de evasão e de inadimplência de escolas e instituições de ensino superior.

Preste atenção à empresa também

O setor de uma empresa é um dos elementos que o investidor deve considerar antes de comprar uma ação, mas não o único, destacam analistas de mercado.

É fundamental analisar também a própria empresa, seus números, sua gestão e seu histórico. Até porque uma das características da Bolsa brasileira é que ela negocia ações principalmente de empresas que são líderes de setores.

E não custa repetir: a Bolsa é um investimento de risco e, por isso, de longo prazo.

Pergunta do leitor

O leitor Osmar Nogueira de Paiva pergunta: “Nunca comprei ações e gostaria de informações sobre qual critério devo adotar para comprar”.

Para fazer qualquer investimento em ações é fundamental que você entenda seus objetivos, perfil de investidor e horizonte de investimento. O mercado de ações requer um horizonte de investimento mais longo. Se você está iniciando, o ideal é começar por um fundo de ações. Se você optar por operar diretamente, o primeiro ponto é escolher uma corretora de sua preferência, com taxas de corretagem satisfatórias e um bom gestor. O segundo ponto é entender que, quando você compra uma ação, se torna sócio da empresa. Por isso, é necessário avaliar o ramo no qual a companhia está inserida, seu ciclo de vida e se é uma empresa lucrativa.

A resposta é de Vera de Santana Milagres Ribeiro planejadora financeira certificada pela Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros).