Violação de dados no Brasil custou mais de R$ 5 milhões na média por cada, diz IBM

Ao mesmo tempo em que o cotidiano e as relações se tornam cada vez mais digitais, os cibercrimes consomem energia, tempo e dinheiro de empresários e de pessoas físicas também. No quesito impacto nas finanças, aliás, o custo médio global de violações registradas entre agosto de 2019 e abril do ano passado, ou seja, nove meses, foi de quase 3,86 milhões de dólares, conforme a 15ª edição do relatório anual do Ponemon Institute, publicada pela IBM Security, que ouviu 524 organizações de 17 países e regiões distintas. No Brasil, o custo médio da violação de dados é de R$ 5,88 milhões (cerca de US$ 1,12 milhão) e vem crescendo: registrou um aumento de 10,5% em relação ao ano anterior, que era de R$ 5,32 milhões.

Violação de dados no Brasil custou mais de R$ 5 milhões na média por cada, diz IBM

Gráfico: Custo total médio de uma violação de dados por país ou região, incluindo o Brasil. (Imagem em alta no link ao final do texto).

Para acessar o relatório completo, acesse o link: https://www.ibm.com/downloads/cas/RZAX14GX

De tão sério, o assunto ganhou data comemorativa. No dia 28 de janeiro é celebrado, no mundo, o Dia Internacional da Proteção de Dados. “Medo, nunca, mas, atenção, sempre”, alertou Andréa Thomé, diretora de Soluções de Cybersecurity da Everis. “Sejamos críticos e atentos o tempo todo. Nossos dados são uns de nossos bem maiores”, completou a gerente de Segurança da Informação do Banco Safra, Paula Rodrigues. O conselho das profissionais foi dado durante uma live promovida pelo Banco Safra, transmitida pelos canais da instituição. Em pauta, a proteção dos dados bancários, um dos grandes alvos de cibercriminosos. 

Violação de dados no Brasil custou mais de R$ 5 milhões na média por cada, diz IBM

Conforme Sandro Süffert, fundador e diretor da Apura Cybersecurity Intelligence – uma das maiores empresas de inteligência cibernética do Brasil –, nos últimos 12 meses, dados de órgãos, sites de e-commerce, de mídia social e de telecomunicações vazaram no país. Sandro também participou da live e, segundo ele, existe um processo de enriquecimento do crime organizado a partir dos dados roubados. “Com o processo de digitalização crescente e maximizado ainda mais pela pandemia (da Covid-19), há uma necessidade de troca de informação e não necessariamente se tem os cuidados para garantir a integridade dos dados. É um problema global e realidade no país”, alertou.

Lilian Rodas, do Banco Safra, lembrou, também, que os dados sozinhos não podem ser usados para uma fraude bancária, por exemplo, mas “se consegue usar essa informação para fazer uma engenharia social e capturar as informações sensíveis, como a senha, o número de cartão”. “Você acha que está falando com um banco e aí você passa todas as informações”, alertou. Navegando bem abaixo da superfície, os ambientes da deep e dark web mantêm um ecossistema mundial, em que os dados são trocados ou vendidos. É o famoso mercado alternativo, que se beneficia da compra e das fraudes usando esses dados.

A apropriação de dados acontece na fragilidade. As plataformas guardam informações, mas podem ocorrer brechas. O ataque exige conhecimento do atacante (o popular hacker) e, além disso, conhecimento de que essas vulnerabilidades existem. Às vezes, se levam meses e até anos para o levantamento de todas as informações. Funcionários com acesso aos dados, usando de má-fé, são responsáveis, também, por uma parcela de roubos, mas, em menor escala. “O vazamento pode ser motivado por ‘n’ autores. Vivemos a era digital e, ao mesmo tempo, vivemos a guerra cibernética envolvendo uma série de fraquezas do ambiente tecnológico que pode ser explorada”, destaca Andréa.

Independente do atacante, normalmente os agentes estudam o comportamento do usuário, a exemplo do famoso hacker Kevin Mitnick, que começou sua “carreira” encontrando primeiro no lixo e depois nos computadores de grandes empresas as informações que precisava para invadir o ambiente. Sites oferecendo prêmios, dinheiro de leilões, e-mail sobre alguma herança, na maioria absoluta das vezes, são armadilhas, conforme apresentaram os debatedores da live. “É importante que a população entenda que quanto mais fácil pareça aquele ganho, maior risco. É importante saber se as informações são íntegras, antes de embarcar nessa situação”, disse Paula.

LGPD veio para ajudar

Aprovada em 2018 e valendo no Brasil desde então, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) colocou o país ao lado de mais de 100 nações, estabelecendo limites e condições sobre a coleta, a preservação e o tratamento das informações pessoais. O documento facilitou a defesa das empresas e de usuários comuns que, como a Lei estabelece, podem registrar o furto de informações nas delegacias da Polícia Civil. A partir disso, uma investigação para apurar o crime tem início. Mas, lembraram os debatedores, evitar chegar a esse ponto ainda é o melhor caminho.

“Na área da segurança a gente sempre fala que é importante você também ser uma barreira para evitar que esses dados sejam fornecidos assim, caindo no colo de alguém que não tem boa intenção”, ressalta Sandro. “Sempre tem um jogo de gato e rato, uma situação de brechas. Com a LGPD, você tem um impacto grande no faturamento de dados, o que, dependendo do valor, pode ser vida ou morte, no caso de dados das empresas”. Além de respaldo, a Lei empodera. “Ela [a Lei] nos dá o poder de questionamento. Hoje, se nos perguntam o número do CPF para um desconto num medicamento, por exemplo, a gente pergunta: por que você precisa do CPF?”, completa Paula.

E se os meus dados vazaram?

Mas, e se mesmo fazendo a lição de casa, seus dados vazaram? “Não entre em pânico. Se vazou o número de telefone, vão te ligar. Se vazou um número de telefone residencial, vão te ligar também. Vai ser preciso ir gerenciando a situação”, explica Andréa. Há ainda outros procedimentos a serem feitos, entre eles, a troca das senhas principais de acesso aos sites mais utilizados e dos bancos que se tem contas e, claro, o registro do crime na Polícia.

O prejuízo para as empresas pode ser um pouco maior, por isso, se elas forem vítimas de violação de dados, é importante que tornem o assunto público, comuniquem seus reguladores e, especialmente, seus clientes, para que nenhuma euforia por conta disso seja criada.

Além disso, ter uma ação preventiva faz a diferença. Mas, como? No caso de pessoa física, vale, por exemplo, evitar exposição demais na rede social. Tudo o que é compartilhado pode ser usado a favor dos atacantes. Suprimir a informação de nomes e grau de parentesco, bem como a identidade das instituições onde estuda ou estudou e empresas onde trabalha ou trabalhou, é prudente. Usar com moderação, é o mais indicado.

Para as empresas, os passos precisam ser mais robustos. “A tecnologia está à nossa disposição. São mais de 1.200 players de segurança. De fato, o Brasil tem opções e está preparado neste sentido, mas não exatamente em realizações”, aponta Andréa. Se custar muito ao plano financeiro da empresa, vale apostar em outras frentes, como ficar atento às experiências de invasões internacionais e monitorar o avanço delas entre os países. “Não pense que vai acontecer só na China ou nos Estados Unidos. É ideal fortalecer as defesas dos ambientes internos de segurança, o que melhora a resiliência frente aos ataques.”

Conheça 10 maneiras de proteger seus dados:

1 – Não digite senha, e-mail ou telefone em qualquer site. Desconfie primeiro.

2 – Perceba falhas em sites que se mostram oficiais. Procure erros na logomarca, nas cores e até na escrita.

3 – Se perguntarem seu CPF ou outro dado pessoal em algum estabelecimento, questione o motivo e só revele a informação caso se sinta confortável.

4 – Não abra um e-mail enviado por um endereço desconhecido.

5 – Não baixe arquivos de sites estranhos.

6 – Use uma senha forte + uma confirmação de que é você mesmo (se possível, aposte na biometria).

7 – Desconfie do que chega até você de maneira muito sedutora (promoções, produtos muito baratos, herança, saque de dinheiro).

8 – O golpe pode envolver a família: atacantes usam informações de parentes, como nome e grau de proximidade, para, se passando por eles, pedir número de documentos e senhas.

9 – Trate do tema no ambiente familiar, orientando, especialmente as crianças, jovens e idosos.

10 – Use a tecnologia a seu favor, se informando sempre sobre o tema da segurança de dados.

SERVIÇO

Para aprender enquanto se diverte:

Filme: Caçada virtual

Livros: A arte de enganar e a Arte de invadir

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Violação de dados no Brasil custou mais de R$ 5 milhões na média por cada, diz IBM

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Foro de São Paulo: Crimes de 30 anos

O Jornal do Commercio de 15 de junho de 1991 trouxe uma tímida notícia sobre uma organização quase desconhecida, chamada Foro de São Paulo. O jornal noticiou que Lula estava no México, na segunda reunião do Foro, em 1991, e publicava a opinião do ex-presidente sobre as eleições. Prometia, inclusive, repetir a experiência popular brasileira nos outros países da América Latina.

Após isso, com a compra de consciências jornalísticas promovida pela mentalidade da esquerda, os próprios não ousaram publicizar a existência das reuniões ou conteúdo das mesmas, de modo que o Foro de São Paulo tornou-se uma organização política “discreta”, quase secreta, que coordenava as políticas de diversos partidos e organizações de esquerda, incluídas aí as FARC – Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e o MIR – Movimiento de Izquierda Revolucionária, no Chile. Como alertava Olavo de Carvalho em suas colunas jornalísticas, “As Farc são o principal fornecedor de drogas ao traficante Fernandinho Beira-Mar; enquanto o MIR é o acionista maior da indústria latino-americana de sequestros, que já teve entre suas várias vítimas os brasileiros Washington Olivetto e Abílio Diniz.”

Mas preciso chegar a um ano antes disso. Em 1989 Lula foi visitar Fidel em Cuba, como informado no livro A Vida Secreta de Fidel, de Juan Reinaldo Sanchez. Lá Fidel chamava Lula de “futuro presidente do Brasil”. Realmente, trabalharam arduamente para tomar o poder a todo custo e instaurar na América Latina o que foi perdido no Leste Europeu (palavras do Foro, não minhas).

Vê-se que a classe jornalística como um todo silenciou-se sobre o Foro de São Paulo por anos, e tentou silenciar os poucos falantes também, como José Carlos Graça Wagner, que tinha acesso aos documentos do Foro, e Olavo de Carvalho, amigo de Wagner, que utilizou o material para começar a publicar sobre a existência desta organização “discreta”. O Foro sempre foi uma cabeça, coordenando diversos tentáculos.

         Mas é proibido no Brasil a existência de partidos políticos subordinados a organizações internacionais, como determina a Lei 9.096/1995, que diz em alguns de seus dispositivos: “Art. 5º A ação do partido tem caráter nacional e é exercida de acordo com seu estatuto e programa, sem subordinação a entidades ou governos estrangeiros. […] Art. 28. O Tribunal Superior Eleitoral, após trânsito em julgado de decisão, determina o cancelamento do registro civil e do estatuto do partido contra o qual fique provado: I – ter recebido ou estar recebendo recursos financeiros de procedência estrangeira; II – estar subordinado a entidade ou governo estrangeiros; […] Art. 31. É vedado ao partido receber, direta ou indiretamente, sob qualquer forma ou pretexto, contribuição ou auxílio pecuniário ou estimável em dinheiro, inclusive através de publicidade de qualquer espécie, procedente de: I – entidade ou governo estrangeiros;”.

Em 2006 e 2014 o advogado Luís Carlos Crema, tentando salvar o país através do Judiciário, propôs ações judiciais no Tribunal Superior Eleitoral, ações estas julgadas improcedentes de uma forma ou de outra, alertando para a existência do Foro de São Paulo e sua subordinação estrangeira. Em decisão assinada por Gilmar Mendes, o mesmo disse que o Foro era um grupo de debates ideológicos, e não uma organização hierárquica que comandava, de algum modo, o Partido dos Trabalhadores. Sabemos que isso não era e não é verdade. No entanto, essa foi a decisão à época.

O que temos no país é uma compra de consciências, às vezes com dinheiro, às vezes com ideologia assassina genocida, conhecida como comunismo, que solapa qualquer mínima possibilidade de virtude moral ou vergonha na cara, justificando atitudes absurdas que somente ajudam a destruir os brasileiros.

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Foro de São Paulo
Foto de Gerhard Lipold no Pexels

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Os crimes no BBB da pandemia

Francisco Gomes Júnior é autor de “Os crimes no BBB da pandemia”.

A cada edição do BBB (Big Brother Brasil) os recordes de audiência são quebrados, o sucesso sempre aumenta, junto com o desafio da direção do programa em gestar a próxima edição com mais êxito ainda.

A edição atual tornou-se líder de audiência por alguns fatores inesperados e outros não programados, segundo se pode apurar das declarações de seu diretor geral, Boninho e do apresentador Tiago Leifert. 

O primeiro fator que explica a ampliação de público desta edição está na triste pandemia que vivemos e que dá às classes mais abastadas a condição de permanecerem em casa, em home office. Isso faz com que essa elite assista o programa como nunca e repercuta os acontecimentos em todas as mídias tradicionais e sociais. O BBB é o assunto mais comentado do Twitter em dias de prova de liderança, votação e eliminação no paredão. 

Repercute em todas as redes sociais, com milhões de seguidores na torcida pelos participantes e inclusive com medição de popularidade através do ganho ou da perda de fãs nas plataformas como Instagram.

A esse fator inicial soma-se a escolha e performance do “elenco” atual de participantes. De início, evidenciou-se a abertura de um maior espaço para militâncias de várias frentes e uma diversidade de pessoas representadas pelos arquétipos escolhidos. E o que deu certo são as reviravoltas do que se esperava.

Os participantes “militantes” de quem se esperava um discurso de empatia mostraram uma face desconhecida, surtada e que transformou a primeira leva de vilões. Do ponto de vista jurídico, tivemos injúrias raciais, falta de tolerância religiosa, falas discriminatórias de pessoas nascidas em determinada região, dentre outros fatos que não podem ser tomados como bons exemplos. Mas há a máxima de que se trata de um jogo e uma vez acabado ou com o participante eliminado, esquece-se tudo e segue a vida.

Nos últimos anos as autoridades policiais não pensaram assim. Várias investigações e inquéritos policiais foram abertos (alguns ainda em andamento) para apurar condutas cometidas dentro da casa. Não há na lei brasileira a permissão para que uma conduta deixe de ser crime quando cometida em determinado ambiente. Crime é crime em qualquer lugar e mesmo nesta edição investigação para apurar intolerância religiosa foi iniciada.

Mas nesse primeiro momento, mocinhos se transformaram em vilões e prováveis vilões e aqueles que com fala rústica e uma cultura machista de formação poderiam ser vilões foram mais ponderados. Como dizem que o jogo reflete, de certa forma, as tensões sociais, o jogo mostrou-se polarizado, com uma agressividade extrema e com muita falta de empatia em sua primeira parte.

Estamos na parte final e polêmicas ainda continuam existindo, como um comentário sobre determinado penteado, sobre termos politicamente incorretos etc. e o programa parece atento e buscando sempre evitar qualquer violação legal e ética. Mas em época de cancelamentos, qualquer conduta repercute fortemente aqui fora e produz danos à imagem.

E concluindo com outra observação jurídica, devem as torcidas e pessoas em geral ter cuidado com postagens nas redes sociais e outros meios. Pode-se torcer à vontade, destacar as virtudes de seu preferido ou as mancadas do adversário, mas não se pode ofender, fazer falsas acusações, enfim, não se pode denegrir a honra dos participantes ou seus familiares. Isso também é crime.

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Os crimes no BBB da pandemia
Francisco Gomes Jr.. Foto: Divulgação

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85 cidades elegem prefeitos multados por infrações ambientais

Um quarto dos prefeitos e vices com multas que foram eleitos estão na Amazônia Legal

Texto: Bianca Muniz, Bruno Fonseca | Infográficos: Larissa Fernandes
Da Agência Pública

Nestas eleições, 85 municípios brasileiros elegeram prefeitos ou vices multados pelo Ibama por cometerem infrações ambientais na última década. Eles foram autuados por desmatamento, queimadas, exploração de floresta nativa localizada em reservas ou por prestar informações falsas para os órgãos ambientais a fim de acobertar atividades ilegais. 

Segundo levantamento da Agência Pública, a maior parte desses políticos são do MDB, seguidos pelo PP e DEM. 

Cerca de um terço dos candidatos a prefeito e vice com multas que disputaram as eleições saíram vitoriosos nas urnas.  A Pública já havia revelado que 223 candidatos nestas condições concorreram em 2020.

Um quarto dos políticos eleitos com multas ambientais dirigem prefeituras na Amazônia 

Pará e Mato Grosso, ambos com dez políticos eleitos em cada, são os dois estados da Amazônia Legal que mais tiveram prefeitos e vices eleitos com multas ambientais. Juntos, estes dois estados representam cerca de um quarto de todos os 87 prefeitos e vices com multas ambientais que foram eleitos em 2020.

No Pará, é o município de Trairão que encabeça a lista: tanto o prefeito quanto o vice, que foram reeleitos em 2020, têm multas ambientais. Valdinei José Ferreira e seu vice, Maurício de Lima Santos, ambos do Partido Liberal (PL), têm juntos mais de R$ 6,6 milhões em multas. Trairão ficou marcado como um dos municípios onde ocorreu o “Dia do Fogo” em agosto de 2019: uma série de incêndios provocados intencionalmente por fazendeiros, empresários, advogados e pessoas ligadas ao setor agropecuário.

Valdinei, conhecido como Django, é madeireiro e foi condenado em abril deste ano, em primeira instância, por destruir 1,3 mil hectares da floresta amazônica. Segundo o Ibama, o desmatamento ocorreu em 2012 sem autorização, em uma fazenda de Django. Na Justiça Federal, Django negou a autoria, afirmou que o desmatamento era antigo e que comprou a fazenda antes da criação da Unidade de Conservação.

Django também foi condenado pela Justiça Estadual a pagar mais de R$ 43 mil de indenização após autuações do Ibama em 2011 e 2012 por possuir uma serraria clandestina. Ele também foi acusado pelo MPF por extração ilegal de madeira em uma Unidade de Conservação em Itaituba, em dezembro de 2007 — o processo ainda não teve sentença.

Já o vice Maurício foi denunciado pela Procuradoria do Pará por desmatamento em Novo Progresso. Em outra ação do MPF, em 2014, ele foi denunciado por entrar sem autorização na Floresta Nacional do Trairão com máquinas para explorar a floresta. Ele foi condenado em primeira instância, mas recorreu da decisão e aguarda julgamento. Procurados pela reportagem, os políticos não responderam até a publicação.

Além de Trairão, políticos com multas foram eleitos prefeito ou vice nos municípios paraenses de Água Azul Do Norte, Parauapebas, Rurópolis, São Félix Do Xingu, Tomé-Açu, Tucumã, Itaituba (onde o candidato reeleito promoveu aglomeração durante a comemoração  do resultado) e Novo Progresso — as duas últimas também foram palcos do “Dia do Fogo” de 2019.

Já no Mato Grosso, foi reeleito o candidato com maior número absoluto de multas ambientais nestas eleições: Freud Fraga dos Santos, do DEM, que seguirá para o segundo mandato como vice-prefeito de Alto Araguaia. 

Ele foi denunciado em 2014 pelo MPF no Pará na Operação Castanheira. À época, Polícia Federal, Ibama, Receita Federal e Procuradoria da República consideraram a quadrilha como uma das que causaram mais danos à Amazônia — de acordo com as autoridades, o grupo invadia terras públicas, desmatava, incendiava as áreas para formação de pastos e depois vendia as terras como fazendas. 

Marlon Arthur Paniago, advogado do vice-prefeito no processo, diz que ele e seu cliente não reconhecem “envolvimento dele em nada” e que “o processo judicial ainda está em tramitação na Justiça, sendo certo que jamais teve qualquer condenação em processo crime de quaisquer espécie, em qualquer grau ou jurisdição”.

Além de Alto Araguaia, candidatos com multas se elegeram prefeitos ou vices nos municípios matogrossenses de Alto Boa Vista, Colíder, Colniza, Feliz Natal, Marcelândia, Nova Canaã Do Norte, Porto Dos Gaúchos, Querência e Tapurah.

Já o prefeito reeleito de Curitiba, Rafael Greca, do DEM, é o único político a chefiar uma capital de estado que possui multa ambiental nesta década. No entanto, as multas que somam R$ 16.700 foram quitadas com o órgão ambiental. As multas se referem a infrações contra a fauna entre 2015 e 2016 como deixar de apresentar informações ambientais exigidas pela fiscalização e manter em cativeiro uma espécie da fauna silvestre sem autorização. Procurado, Greca não respondeu até a publicação.

Tocantins TO 02 09 2019 No intuito de intensificar as ações do Governo do Tocantins no combate as queimadas, a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) lança mais um meio de comunicação para fazer denúncias de crimes com fogo, o Whatsapp Ambiental. O canal já está disponível por meio do no número 99988-0030 e tem como objetivo dar celeridade nas ações de combate.Para melhor uso do canal, o cidadão deve estar atento a todas as informações prestadas. Para validação da denúncia é necessário enviar fotos ou vídeos, horário em que viu o incêndio ou flagrante, descrição da cena e o local exato. Todas essas informações serão compiladas e enviadas ao Corpo de Bombeiros para atuação imediata. O Whatsapp Ambiental ficará disponível durante todo o período de estiagem. foto Fernando Alves/Governo de Tocantins

Levantamento da Pública mostra que 85 municípios brasileiros elegeram representantes com infrações ambientais nas eleições deste ano
Nordeste é região com mais prefeitos e vices multados que venceram as eleições

Um terço dos políticos e vice eleitos que têm multas ambientais estão em prefeituras do Nordeste. A região encabeça o ranking nacional com 30 políticos eleitos multados. Em seguida, está o Norte, com 27; Centro Oeste, com 16; Sudeste, que tem 10; e o Sul com 5.

O Nordeste também possui duas cidades cujo prefeito e vice eleitos têm multas ambientais: Itarema e Cruz, ambas no Ceará. No município de Itarema, o prefeito reeleito Elizeu de Charles Monteiro (PDT) recebeu duas multas na última década, por exercer pesca sem a licença do Ibama. Já seu vice, Antonio Aristoteles da Silva (ou Toteles, do PTB), foi autuado por transporte de madeira com documento invalidado, sendo multado no valor de 30 mil reais.

Em Cruz, os multados pelo Ibama são os empresários João Muniz Sobrinho (Jonas Muniz) e Glaydston Luiz Farias Muniz (Gleidin), ambos do PSDB. Eles acumulam juntos seis multas ambientais na última década por desmatamento e transporte ilegal de madeira. As multas somam mais de 1,7 milhões de reais.

Gleidin, o vice-prefeito eleito, foi autuado em 2017 por destruir 24,2 hectares de vegetação nativa da Mata Atlântica. A multa, no valor de 175 mil reais, encontra-se em análise. Já as cinco multas de Jonas ocorreram por infrações nos municípios de Cruz e Camocim, no Ceará, e no município de Bom Jardim, no Maranhão, de acordo com levantamento realizado pela Pública com dados exportados no dia 18 de outubro. Após esta data, foi incluída uma nova multa de Jonas no banco de multas do Ibama, de uma infração contra a flora ocorrida em setembro de 2020, no valor de 1,050 milhões de reais. A reportagem procurou os políticos citados e não obteve resposta até a publicação.

Metodologia da análise de dados

1) Foram utilizados os dados levantados no último levantamento de candidatos multados pelo Ibama, realizado pela Agência Pública;

2) Atualizamos as multas com os dados do Ibama exportados no dia 17 de novembro, e as candidaturas aptas e deferidas no dia 14 de novembro, disponíveis no Repositório de Dados Eleitorais do TSE;

3) O levantamento de prefeitos e vice-prefeitos eleitos foi realizado com os dados da API do TSE, a partir dos scripts disponibilizados por Renata Hirota e Marco Faganello.

Abaixo, a lista de prefeitos e vice-prefeitos eleitos no primeiro turno com registros de multas no Ibama na última década:

MunicípioUFCargoCandidatoPartidoQuantidade de multasValor total das multasValor quitado
Medeiros NetoBAPrefeitoAdalberto Alves PintoPROS4133.200,001.000,00
Joaquim GomesALPrefeitoAdriano Ferreira BarrosPTB11.000,001.000,00
AcopiaraCEPrefeitoAntônio Almeida NetoMDB112.000,0012.000,00
ItaremaCEVice-prefeitoAntonio Aristoteles Da SilvaPTB130.000,000,00
AraguatinsTOPrefeitoAquiles Pereira De SousaPP15.000,005.000,00
PinheirosESPrefeitoArnobio Pinheiro SilvaCIDADANIA13.386,800,00
UmburatibaMGPrefeitoBelarmino Teixeira Da CostaAVANTE184.000,000,00
ArezRNPrefeitoBergson Iduino De OliveiraREPUBLICANOS16.000,006.000,00
SapucaiaRJPrefeitoBreno José De Souza JunqueiraPTB121.000,000,00
Pedro CanárioESPrefeitoBruno Teófilo AraújoREPUBLICANOS13.369,600,00
TapurahMTPrefeitoCarlos Alberto CapelettiPSD1185.000,000,00
Tomé-açuPAPrefeitoCarlos Vinicios De Melo VieiraPL1420.000,000,00
TucumãPAPrefeitoCelso Lopes CardosoPSDB1300.000,000,00
MarcelândiaMTPrefeitoCelso Luiz PadovaniDEM31.494.150,000,00
Machadinho D’oesteROVice-prefeitoClaudemir Rodrigues De AraújoDEM1170.000,000,00
SidrolândiaMSPrefeitoDaltro FiuzaMDB14.000,000,00
ParauapebasPAPrefeitoDarci Jose LermenMDB110.000,000,00
Nacip RaydanMGPrefeitoEduardo Antonio De OliveiraPP1270.000,000,00
ItaremaCEPrefeitoElizeu Charles MonteiroPDT223.600,000,00
Alto ParaísoROVice-prefeitoEveraldo GabaldoPSB1572.645,000,00
ApiacáESPrefeitoFabrício Gomes ThebaldiPP27.600,005.000,00
JaborandiSPVice-prefeitoFernando Amauri ChaboliPODE266.000,000,00
CidelândiaMAPrefeitoFernando Augusto Coelho TeixeiraPP2124.654,400,00
QuerênciaMTPrefeitoFernando GorgenDEM31.010.000,000,00
Alagoa NovaPBPrefeitoFrancinildo Pimentel Da SilvaCIDADANIA22.500,00500,00
CasearaTOVice-prefeitoFrancisco Neto Pereira BragaPTB11.300,000,00
São José Do BelmontePEPrefeitoFrancisco Romonilson Mariano De MouraPSB2134.900,00134.900,00
PeixeTOVice-prefeitoFransergio Narciso De MoraisMDB15.000,000,00
Alto AraguaiaMTVice-prefeitoFreud Fraga Dos SantosDEM1312.491.360,000,00
AraguapazGOPrefeitoGabriel Fornieles MoreiraDEM1230.000,000,00
LábreaAMPrefeitoGean Campos De BarrosMDB182.000,000,00
Novo ProgressoPAPrefeitoGelson Luiz DillMDB22.545.000,000,00
IpabaMGPrefeitoGilberto Pereira Soares JuniorPSC11.500,000,00
CruzCEVice-prefeitoGlaydston Luiz Farias MunizPSDB1175.000,000,00
ColíderMTPrefeitoHemerson Lourenço MaximoPATRIOTA1530.000,000,00
Água Azul Do NortePAPrefeitoIsvandires Martins RibeiroPSDB170.000,000,00
Itinga Do MaranhãoMAVice-prefeitoJamel Georges DaherPSD3212.000,000,00
PalmeirópolisTOVice-prefeitoJamilton Guedes MilhomemPSD167.000,000,00
São Sebastião Do UatumãAMPrefeitoJander Paes De AlmeidaREPUBLICANOS110.000,000,00
TartarugalzinhoAPVice-prefeitoJavã CastanhoREPUBLICANOS1270.000,000,00
Santa Rita Do Novo DestinoGOVice-prefeitoJoão Cardoso Dos SantosMDB140.000,000,00
São Félix Do XinguPAPrefeitoJoão Cleber De Souza TorresMDB36.723.574,500,00
MazagãoAPPrefeitoJoao Da Silva CostaPSL110.000,000,00
CruzCEPrefeitoJoão Muniz SobrinhoPSDB72.861.500,000,00
Ponte Alta Do Bom JesusTOVice-prefeitoJoão Rocha PiresSOLIDARIEDADE226.000,000,00
ViçosaALPrefeitoJoão Victor Calheiros Amorim SantosREPUBLICANOS121.000,000,00
Itaguaçu Da BahiaBAVice-prefeitoJoelmir De Souza BarretoPP133.000,000,00
Pão De AçúcarALPrefeitoJorge Silva DantasPSDB359.550,000,00
Feliz NatalMTPrefeitoJose Antonio DubiellaMDB53.113.600,200,00
ItambéBAPrefeitoJosé Candido Rocha AraújoPSD110.000,000,00
VieirópolisPBPrefeitoJose Celio AristotelesCIDADANIA428.000,000,00
CentenárioTOVice-prefeitoJosé Lira Vieira BarbosaPROS136.000,000,00
SilvesAMVice-prefeitoJosé Maria De Almeida FilhoREPUBLICANOS270.000,000,00
São SebastiãoALPrefeitoJose Pacheco FilhoPP150.500,000,00
CubatiPBPrefeitoJosé Ribeiro De OliveiraCIDADANIA15.000,000,00
RurópolisPAPrefeitoJoselino PadilhaMDB2335.000,000,00
Governador Nunes FreireMAPrefeitoJosimar Alves De OliveiraPSB2619.693,200,00
Coronel Domingos SoaresPRVice-prefeitoLiomar Antonio BringhenttiPSB129.150,000,00
Coronel PilarRSPrefeitoLuciano ContiniMDB114.500,000,00
SilvianópolisMGVice-prefeitoLúcio Tadeu Andrade PeixotoREPUBLICANOS111.000,000,00
SuméPBVice-prefeitoManuel Lourenço Queiroz DuarteCIDADANIA4254.000,0041.000,00
ColnizaMTVice-prefeitoMarco Antônio FaitaPSC2300.000,000,00
BritâniaGOPrefeitoMarconni Pimenta Da SilvaDEM118.000,000,00
ApuíAMPrefeitoMarcos Antonio LisePSC151.670,6051.670,60
Brejo SantoCEPrefeitoMaria Gislaine Santana Sampaio LandimPDT126.000,000,00
TrairãoPAVice-prefeitoMaurício De Lima SantosPL1115.000,000,00
FortimCEPrefeitoNaselmo De Sousa FerreiraMDB21.300,001.300,00
AnastácioMSPrefeitoNildo Alves De AlbresPSDB1176.970,000,00
GuanambiBAPrefeitoNilo Augusto Moraes CoelhoDEM21.161.000,000,00
MuriciALPrefeitoOlavo Calheiros Novais NetoMDB12.600,000,00
GoianápolisGOVice-prefeitoPaulo Cezar Rodrigues Dos ReisMDB11.700,001.700,00
CalifórniaPRPrefeitoPaulo Wilson MendesPSL21.840.700,000,00
CuritibaPRPrefeitoRafael Valdomiro Greca De MacedoDEM316.700,0016.700,00
Piquet CarneiroCEVice-prefeitoRaimundo Valyres De SousaPDT181.000,000,00
Campos LindosTOPrefeitoRomil Iakov KaluginSOLIDARIEDADE161.000,000,00
AuroraSCVice-prefeitoRonald GuntherMDB17.959,607.959,60
BuritisROPrefeitoRonaldi Rodrigues De OliveiraPDT1325.000,000,00
Lavras Da MangabeiraCEPrefeitoRonaldo Pedrosa LimaPSD16.000,000,00
Nova Canaã Do NorteMTPrefeitoRubens Roberto RosaPDT1245.000,000,00
UrucuiaMGPrefeitoRutilio Eugenio Cavalcanti FilhoPMN21.194.281,000,00
Bonito De Santa FéPBVice-prefeitoSabino Dias De Almeida JuniorPODE114.000,000,00
BorbaAMPrefeitoSimao Peixoto LimaPP1397.500,000,00
CraíbasALPrefeitoTeofilo Jose Barroso PereiraPP2336.000,000,00
Riacho De SantanaBAPrefeitoTito Eugenio Cardoso De CastroPP138.000,000,00
TrairãoPAPrefeitoValdinei Jose FerreiraPL16.545.000,000,00
ItaitubaPAPrefeitoValmir Climaco De AguiarMDB22.170.000,000,00
Porto Dos GaúchosMTPrefeitoVanderlei Antonio De AbreuMDB185.000,000,00
51.352.614,90285.730,20

Atualização – Após a publicação da reportagem, o prefeito reeleito de Curitiba, Rafael Greca, encaminhou a seguinte nota de esclarecimento: “O prefeito Rafael Greca não tem nenhuma pendência com o Ibama, como pode ser aferido no próprio órgão. A citada multa decorreu de um processo em que Greca procurou regularizar a presença de duas araras em sua propriedade. Ele mesmo deu início a esse processo, do qual resultou uma série de exigências por parte do órgão ambiental. A multa decorreu do entendimento de que havia um criadouro de aves na propriedade – o que não ocorria – e considerou os espaços a ela destinados incompatíveis. Frente a essa situação, Greca optou por pagar a multa e encerrar o caso, a fim de encaminhar prontamente as aves a um local que o Ibama considerasse mais adequado, o que foi feito. Há um certificado de “nada consta” emitido pelo órgão.”