Dríade da mente

Lorena Pelais é autora de “Dríade da mente”

Sabe aquela sensação, acho que não sou daqui, pois é, eu tenho desde sempre, passeio em mim, não sei vocês, mas é um hábito involuntário, perambular em meus pensamentos.

Saio do presente, passo por ontem, anteontem, outrora, antrolas, dantes, chego a sentir que não pertenço a esse tempo, por sorte não é tão ruim de adaptar por aqui.
Esquisito é se deparar com tantas emoções e sentimentos, sensações que muitas vezes não queremos senti-las, mas que somos forçadas a vivê-las para compreender a essência de tal momento e praticar empatia com o próximo, sentir as mesmas dores e alegrias na carne e ter os nervos saltar sobre a pele.

Nítido e espantoso ver a própria linha do tempo, a infância “meus antepassados”, a adolescência tudo o que eu não deveria ou talvez devesse ser, rsrs, destemida era bom, sem limites nem tanto, a juventude, um diamante em processo de lapidação…
A fase adulta, uma mente em busca de paz.

Atípico, mas necessário “sair da realidade”. Noutrora estamos ligadas “entranhadamente”, entranhas e mente conectadas ao “mundo real”.
O pensamento vagueia, seja bem vinda de volta a realidade, aos problemas, as dificuldades, ao desânimo, a todos os “quiproquós” cotidianos que podem ser incontáveis, somados e ampliados de acordo com a perspectiva do momento.

Sinto vontade de chorar, rir, correr, socar, gritar, xingar, implodir, explodir. Particularmente, às vezes, sinto vontade de morrer por um dia e ressuscitar no dia seguinte, seria uma experiência incrível e assustadora, regressar quando tudo já estivesse mais calmo, porque passar, desaparecer só em conto de fadas como em um passe de mágica.
Mas sim, milagres existem!!
Nossas percepção de tempo na Terra é bem diferente do que os astros relacionam entre si, enfim, estamos aqui, vivendo a agonia do dia após dia, buscando a melhor realidade em cada aurora.

Difícil saber, crescer e ser confrontada que “conto de fadas” não existem , sinceramente, sempre me recuso a acreditar, juro em meu íntimo que eles existem , só não aconteceu pra mim ainda, rsrsrs

Mas se eu parar, pensar bem, revirar minhas lembranças, noto que já houve muitas partes eloquentes.

Seria a junção dos bons momentos, com toda a emoção envolvida, minimizando os dias mais cinzentos, capaz de criar uma narrativa de um bom conto de fadas real?!?

Quem nunca?!?
Quem nunca se encantou com os contos de fadas?!?
A importância que dávamos aos personagens, quem os lia, fazia toda a diferença, a “bruxa má” sempre se destacava, não só pela maldade, mas sim pela risada, a gargalhada é uma variável, de engraçada a assustadora.

Dríade da mente
Dríade da mente

Aí, me pergunto, seria a entonação atribuída ou meu estado de Espírito naquele momento que fazia da bruxa má engraçada , ora assustadora, o que me influenciava era o narrador ou minha perspectiva?!!

A realidade e conto de fadas não seriam a mesma coisa dependendo do ponto de vista?!?

Costumam dizer que conto de fadas não existem, porque sempre damos mais atenção a frase: “E vivevam felizes para sempre!”

Recentemente, minha caçula, que tem um temperamento mais …. Forte, explosivo, altruísta, sem pavio, chorona, uma bebê que cresce e não sabe lidar bem com as mudanças…. Nem sei bem, conheço alguns traços, mas não todos ainda, me disse:
“- Mamãe, princesas não precisam de príncipes, princesas podem ser rainhas sem reis!”

Woowwwwwwww
Por essa eu não esperava, a primogênita esboçou um sorriso tímido, amante de finais felizes e admiradora de histórias de amor, mas que não recusa presenciar uma boa treta, rsrs arregalou os olhos e calou-se, concordando com a irmã.

Gente, nesse momento percebi que toda a nossa vivência em comum e elas com pensamentos tão “pra frente” me senti ultrapassada, antiguidade que talvez nem mesmo minha finada avó talvez acreditasse , que talvez exista só pra mim ou que possa ser uma realidade para todos?!? Óh, dúvida cruel!!!
A dor nos enraiza somente o “trash” , aniquilando todo o resto.

E os momentos bons, os “anos dourados”, toda a emoção de cada conquista, não daria um bom trecho de um conto?!?

Se tivéssemos nossa história contada por terceiros, ou se criássemos, ao final arrancaria suspiros da mesma forma, independente da estrutura, quantidade de versos, passado, presente ou futuro, os personagens são os mesmos em sua maioria, não mais como antes, algo mais moderno, o que amarra é o desenrolar e o final que temos , como o final até o momento parece incerto, porque não guardar todos os bons e os mais ou menos de todos os momentos , adicionar a doçura de uma rapadura , “doce mas é dura” .
A falta de cifrões é um detalhe, sua ausência aguça todo nosso processo de criação.

Imaginação…
Da realidade a ficção, do mito a utopia, transformando a vida em bela a ser vivida.

🌻Lorena Pelais, ॐ∞

Gostou de “Dríade da mente”?

Assine nossa Newsletter e receba nossas publicações em seu emai. Aproveite, leia mais artigos da autora Lorena Pelais. Veja também nosso parceiro Entre Séries.

Junte-se a 2.157 outros assinantes