Mulheres Revolucionárias: Zacimba Gaba

Zacimba Gaba, a princesa de Angola. A guerreira no Brasil.

No ano de 1690 seu povo foi dizimado por uma invasão portuguesa. Todos os sobreviventes viraram escravos quando chegaram no Brasil. O que ninguém sabia é que entre eles estava Zacimba.

Mulheres Revolucionárias: Zacimba Gaba
Imagem do Google

Ela foi vendida junto com alguns de seus antigos súditos para um fazendeiro e ele não fazia ideia do status da princesa, mas logo percebeu que os outros escravos a tratavam de forma diferente.

Após a descoberta, a princesa foi proibida de sair da Casa Grande e submetida a agressões físicas, psicológicas e sexuais.

A princesa não se deu por vencida e decidiu que envenenaria o seu senhor. Teve a ideia de usar o pó de amassar sinhô, um veneno extraído de cobra.

Precisava tomar muito cuidado para não envenenar nenhum de seu povo pois toda comida que era servida para o fazendeiro, os escravos precisavam experimentar antes. Por isso não podia ser descoberta e como resultado, o envenenamento levou alguns anos, mas sua vingança finalmente havia chegado.

Após a morte de todos os torturadores da fazenda, buscou todos os outros escravos e fugiu. Logo fundou seu próprio quilombo, para proteger todos os escravos que conseguissem fugir e precisassem de abrigo. Aos poucos o quilombo virou ponto de referência para aqueles que precisavam de ajuda.

Passou o resto de sua vida ajudando a salvar vidas e destruindo navios negreiros e ajudando escravos.

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Relato de boliviana resgatada em situação degradante em SP

Há 11 anos ocorria em São Paulo o primeiro resgate de trabalho escravo urbano no Brasil. Desde então, veio à luz uma prática que até então ficava às sombras: a exploração de mulheres em oficinas de costura. Confira o relato de boliviana resgatada em situação degradante, em São Paulo.

De lá pra cá, o país vem acompanhado diversos casos dessas mulheres que em busca de um futuro melhor acabam sendo obrigadas a enfrentar um cotidiano de violações à dignidade humana.

Só em São Paulo, do total de 430 trabalhadores resgatados, mais de 30% são mulheres. Entre elas, 93% são imigrantes. É o que aponta publicação produzida pelo programa educacional ”Escravo, nem pensar!”, ligado à ONG Repórter Brasil.

A imigrante boliviana Carla Soares, de 38 anos, nome fictício, é uma das vítimas. Ela veio em busca de trabalho no Brasil. Mas, encontrou  jornadas exaustivas, maus tratos e uma rotina de assédio e ameaças.

Carla ganhava 15 centavos por cada peça costurada, sem direito a alimentação ou mesmo podia deixar o local de trabalho. Grávida, ela ainda sofria violência doméstica do marido. No limite do suportável, e quase sem esperança, conseguiu pedir ajuda e fez a denúncia. Se libertou do trabalho escravo e também do companheiro abusivo.

Na capital paulista diversas Ongs e Institutos dão apoio a essas mulheres. É o caso do Centro da Mulher Imigrante e Refugiada, que identifica as lideranças que moram na periferia da cidade e faz um trabalho de fortalecimento e empoderamento dessas imigrantes.

Soledad Requena, Coordenadora de Migração e Gênero, diz que denunciar ainda é difícil e que é preciso coragem e apoio do poder público, que nem sempre chega.

Ela acrescenta uma outra dificuldade: a cultural, onde a mulher imigrante não se percebe como trabalhadora escrava, barreira que tem que ser trabalhada.

O trabalho escravo está diretamente relacionado à vulnerabilidade econômica e a prática do dialogo com tráfico de pessoas. Graziella Rocha é coordenadora de projetos da Asbrad, uma organização que atua há 20 anos na promoção e defesa dos direitos humanos em todo Brasil. Ela explica que essas pessoas são chamadas de ”escravos da necessidade”, mas não as únicas vítimas.

Na avaliação da especialista Graziella Rocha, o acolhimento de mulheres nesta situação é uma lacuna em todo o Brasil. Segundo ela, há um déficit de abrigos e estrutura quando uma vítima é identificada e precisa de acompanhamento.

De histórias de exploração ao recomeço. De acordo com Soledad Requena, mesmo que o empoderamento seja um processo lento, hoje as próprias imigrantes vão se apropriando do assunto e ajudam umas as outras. Soledad, que acompanha de perto a realidade dessas mulheres, observa que vem crescendo na periferia a formação de oficinas de costura familiar.

E em casos como estes, todo recomeço vem ligado ao primeiro passo que é a denuncia. Carla Soares, a nossa personagem do inicio da matéria, hoje encoraja as conterrâneas e faz um apelo para que não se calem.

Denúncia contra trabalho análogo à escravidão pode ser feita pelo Disque 100 ou no site mpt.mp.br ou presencialmente nas procuradorias da Secretaria Nacional do Trabalho do Ministério da Economia ou nas superintendências regionais. 

Em parceria com Agência Brasil.

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Relato de boliviana resgata em situação degradante em SP
Foto da Operação Vetus. Fotos liberadas pela assessoria do Ministério da Justiça e Segurança Pública

Trabalho Escravo: 1,8 mil mulheres foram resgatadas em 15 anos

A história da maranhese Gilza Arruda dos Santos se mistura com a de tantas outras mulheres, vítimas do trabalho escravo ou análogo à escravidão no Brasil. Aos 11 anos se viu trabalhando como babá e empregada doméstica para uma família com 3 crianças. Ela havia sido levado da casa dos seus pais com a promessa que teria uma vida melhor em outra cidade, longe de todos.

A ajuda demorou, mas veio.

Entre 2003 e 2018 foram resgatadas 1.889 mulheres em situação de trabalho escravo moderno.

E assim como aconteceu com Gilza, a exploração em muitos casos começa na infância.

Para Italvar Medina, procurador do Ministério Público do Trabalho, essa realidade está associada a persistência de uma racismo estrutural, em que uma mulher ou criança negra é tratada como se fosse uma pessoa de valor menor.

Relatos de abusos invisíveis e que sequer entram nas estatísticas oficiais. É o que aponta uma publicação produzida pelo programa educacional ”Escravo, nem pensar!”, ligado à ONG Repórter Brasil.

O levantamento revela que em 20 anos, apenas 5% das mais de 55 mil pessoas resgatadas no Brasil são mulheres. Número considerado baixo por especialistas e que podem não retratar a real situação do trabalho escravo no país.

O pesquisador Thiago Casteli explica que um dos fatores da subnotificação é como os agentes do poder público percebem as trabalhadoras.

Chamam atenção ainda casos como as atividades sexuais de mulheres em situação de trabalho escravo, que não são consideradas como trabalho.

Em Cuiabá, por exemplo, 20 jovens foram encontradas sendo exploradas sexualmente, obrigadas a ficar à disposição 24 horas por dia. Ainda assim o relatório dos agentes não aponta um caso sequer, no registro da ocorrência, relacionado à categoria “profissionais do sexo” e consequentemente, nos cadastros do Seguro Desemprego naquele período.

Gilza Arruda que depois de adulta voltou a ser vítima de trabalho escravo, hoje conta com o apoio do Centro de Defesa e dos Direitos Humanos de Açailândia, OnG especializada em resgatar e atender denúncias na região.

Denúncia contra trabalho análogo à escravidão pode ser feita por meio do Disque 100 ou pelo site mpt.mp.br ou presencialmente nas procuradorias da Secretaria Nacional do Trabalho do Ministério da Economia ou nas superintendências regionais.

Com informações de Agência Brasil.

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