Inclusão e diversidade: 57% dos profissionais negros levam em conta para escolher empresa para trabalhar

Segundo o último censo do IBGE, 54% da população no Brasil é negra. No entanto, ainda são poucas as empresas brasileiras que focam em atrair esses talentos. Em parceria com o Instituto Guetto, o Indeed, site número 1 de empregos no mundo, realizou uma pesquisa com 245 profissionais negros para entender suas percepções sobre o mercado de trabalho atual no Brasil, com relação a fatores, como inclusão e diversidade, e outros.

Segundo a pesquisa, 17% dos profissionais declararam já ter mudado de emprego por conta de práticas racistas nas empresas. Ainda, 44.5% dos profissionais consideraria trocar de emprego se sofresse ou presenciasse discriminação racial. De acordo com dados do IBGE, em 2020 o desemprego entre negros no Brasil foi 71% maior do que entre brancos.

Para Vitor Del Rey, presidente do Instituto Guetto, os dados refletem que as empresas precisam  abordar essas questões internamente e se esforçar para aumentar o senso de pertencimento de seus colaboradores, o que vai afetar diretamente a retenção de talentos. “O racismo é um grande desafio no processo de contratação e na vivência corporativa. A discriminação contra pessoas negras e pardas aparece de várias formas no dia a dia da empresa, mas começa já nos processos de seleção e promoção de vagas”, afirma.

“É necessário que as empresas fomentem uma cultura aberta às pessoas negras a partir de uma educação racial do setor de RH e com os demais funcionários da empresa. Os profissionais negros precisam se sentir respeitados, ouvidos, pertencentes e capacitados na instituição desde o processo de seleção até cargos de prestígio”. Para Del Rey, as empresas perdem por não investir em políticas internas de RH para integração e inclusão desses profissionais.

Como as empresas podem promover diversidade? 

Segundo os dados do Indeed, é possível destacar algumas ações que as empresas podem considerar para promover a diversidade racial. 72% dos profissionais entrevistados acreditam que as empresas deveriam ter funcionários negros atuando diretamente no processo de recrutamento e seleção, para serem mais inclusivos com esses profissionais durante todo o processo. Além disso, 65% entende que a participação de profissionais negros em processos decisórios e tomada de decisão ajuda a empresa a se tornar mais inclusiva. 

Para mudar o cenário de discriminação nos processos de contratação, 34% dos profissionais entrevistados acreditam que processos seletivos só para negros são eficazes para o aproveitamento de talentos de pessoas negras de uma maneira mais inclusiva. Apesar de gerar controvérsias, a medida é importante por reconhecer o racismo histórico no Brasil e um esforço para tentar repará-lo. 

Atualmente o preconceito racial está presente, por exemplo, quando profissionais negros, mesmo quando ocupam os mesmos cargos, ganham 30% a menos que os brancos, segundo o IBGE. Ainda de acordo com a pesquisa do Indeed, após salários, benefícios e crescimento profissional, o fator decisivo para 57% dos profissionais negros entrevistados ao escolherem a empresa que querem trabalhar é o nível de engajamento da organização com a inclusão e diversidade. 

Metodologia da pesquisa 

Todas as porcentagens apresentadas são dados coletados da pesquisa conduzida pelo Indeed em colaboração com o Instituto Guetto em março de 2021. Através de entrevistas em um painel online com 245 profissionais negros, a pesquisa buscou entender suas percepções sobre o mercado de trabalho atual no Brasil, desde a busca por empresas até suas vivências dentro delas e o impacto em suas carreiras. 

Sobre o Indeed

Mais pessoas encontram empregos no Indeed do que em qualquer outro lugar. O Indeed é o site de empregos nº1 do mundo e permite que os candidatos pesquisem milhões de empregos na web ou em dispositivos móveis em mais de 60 países e 28 idiomas. Mais de 250 milhões de pessoas procuram empregos, publicam currículos e pesquisam empresas no Indeed.4 Para mais informações, visite indeed.com.br 

Mais notícias do Grande ABC

Gostou “Inclusão e diversidade: 57% dos profissionais negros levam em conta para escolher empresa para trabalhar”?

Inclusão e diversidade

Assine nossa Newsletter e receba nossas publicações em seu email assim que estiverem online em nosso site. Aproveite e leia sobre Carreiras e Trabalho, com os ensinamentos de Rogério de Caro. Veja também as Últimas Notícias. Visite e conheça o nosso parceiro Dica App do Dia.

Junte-se a 1.036 outros assinantes

MAURICIO BENVENUTTI LANÇA O LIVRO DESOBEDEÇA

Além da versão impressa, a obra “Desobedeça” será um marco na inclusão literária porque é a primeira a ser traduzida no mundo e o Brasil é o país que levará esse produto inovador às pessoas com dislexia, déficit de atenção, cegas e surdas.

Questionar o modelo tradicional de se construir carreiras é o ponto chave do livro Desobedeça, do escritor Mauricio Benvenutti, que será lançado no dia 10 junho de 2021 pela editora Gente. A pré-venda tem início no dia 10 de maio nos sites das principais livrarias do país. A obra também será disponibilizada na versão SL Book: Sign Language Book (Livro em Língua de Sinais), sendo um marco na inclusão literária.

Criado pela startup Wise Hands, é o primeiro livro traduzido no mundo e o Brasil será o país que levará esse produto inovador às pessoas com dislexia, déficit de atenção, cegas e surdas. O SL Book é a evolução do livro físico, mas sem perder a elegância das páginas. “Desobedeça” terá seu conteúdo disponibilizado em áudio e vídeo sendo que a tradução é feita por intérpretes humanos utilizando a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Ele será comercializado e acessado diretamente pelo site http://www.slbook.shop, que é uma plataforma segura e funcional.

Construção de carreira mudou

O mundo atual impulsionou a redefinição da palavra “carreira” para profissionais e empresas. As estratégias que irão construir as próximas trajetórias de sucesso serão bem diferentes das usadas até aqui. A leitura promove uma reflexão sobre o caminho clássico para se conquistar um lugar de destaque no mercado. Antes, era precisavo frequentar as melhores escolas e, posteriormente, cursar universidades de ponta para conquistar bons empregos e alavancar uma carreira. Hoje, essa continua sendo uma alternativa. Mas existem várias outras maneiras eficazes para se desenvolver uma trajetória profissional bem-sucedida.

O escritor reforça que algumas pessoas constroem o seu valor profissional atrelado à placa da empresa onde trabalham. “Hoje sabemos que isso é um problema. Afinal, empregos vêm e vão e profissionais que usam essa estratégia terão o seu valor de mercado reduzido quando precisarem se recolocar, pois não terão mais a marca da antiga empresa em seu sobrenome. No livro, explico como mudei minha postura para deixar de ser o ‘Mauricio da XP’ e passar a ser o ‘Mauricio Benvenutti’. Também mostro como as empresas devem apostar numa política de valorização da reputação pessoal dos seus colaboradores e não focar apenas nas experiências profissionais. Tal conduta pode aumentar o reconhecimento, a influência e, até mesmo, as vendas de uma companhia”, explica Benvenutti.

Título faz referência a projeto social

O título do livro faz uma referência a um projeto social no qual o autor participou em Indiaroba, em Sergipe. Benvenutti dedicou um capítulo para contar a história de jovens que, a partir das suas habilidades e dedicação, criaram cinco projetos e um deles foi pré-selecionado para o programa de TV Shark Tank Brasil. Esses jovens geraram empregos, tornaram-se empreendedores e movimentaram a economia do município.

Guia Prático

A obra traz ainda um guia prático chamado 10 Ps, ou seja, etapas que contemplam três pilares importantes sobre carreiras: satisfação, competências e remuneração. Essa ferramenta faz o leitor refletir se está contente com o seu trabalho, se dispõe de motivação para a execução das atividades diárias e se as realiza com competência. “Esses elementos devem estar em perfeita harmonia para que o profissional ganhe autoridade naquilo que faz”, diz o autor.

OBRA:

Desobedeça – Editora Gente

Pré-venda: 10 de maio

R$ 39,90- versão impressa

R$ 27,90 – versão SL Book: Sign Language Book

PERFIL DO AUTOR:

Maurício Benvenutti – é formado em Sistemas de Informação pela PUCRS, possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas e pós graduação em Marketing por UC Berkeley. Foi sócio e diretor B2B da XP Investimentos por mais de 8 anos. Desde 2015, é sócio e membro do conselho da StartSe – empresa de educação executiva com sedes no Vale do Silício, China e Brasil. É palestrante do TEDx  e autor dos livros Incansáveis (9ª edição) e Audaz (5ª edição), lançadas pela editora Gente, que entraram na lista dos mais vendidos do Brasil na categoria “negócios”.

MAURICIO BENVENUTTI LANÇA O LIVRO DESOBEDEÇA

Assessoria de Imprensa:

Assunção Comunicação

Keyla Assunção

(11) 99608-6226| keylaassuncao@gmail.com

@assuncao_comunicacao

Gostou da nossa matéria “MAURICIO BENVENUTTI LANÇA O LIVRO DESOBEDEÇA“?

Assine nossa Newsletter e receba nossas publicações em seu email, fique ligado nas notícias e matérias do jornal assim que estiverem online. Então, aproveite e leia as Últimas Notícias. Conheça nosso parceiro Dica App do Dia.

Junte-se a 1.036 outros assinantes

Colaboradores que exercem a mesma função devem receber salários iguais

Advogado trabalhista explica que a Reforma Trabalhista de 2017 reduziu as ações na Justiça do Trabalho, mas empresas ainda devem ficar atentas quanto a Colaboradores que exercem a mesma função

A equiparação salarial é o direito que nasce quando dois trabalhadores que executam as mesmas atividades com a mesma perfeição técnica recebem salários diferentes. Pelo princípio da igualdade, os empregados que exercem a mesma atividade devem receber o mesmo salário, porém, cumprindo alguns requisitos.

Segundo o advogado trabalhista Jonas Figueiredo de Oliveira, sócio do escritório Figueiredo Sociedade de Advogados, a Lei 13.467/17, conhecida como reforma trabalhista, trouxe importantes alterações quanto a equiparação salarial (ver quadro).

Entretanto, Figueiredo esclarece que se o empregado preenchesse os requisitos da equiparação salarial antes de novembro de 2017 a regra que vale é a anterior,ou seja, a determinada no art. 461 da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho. Por outro lado, caso o início do fato gerador seja posterior a 2017, se considera a regra nova.

Por exemplo, se um bancário entende que, desde 2016, tem a mesma função, perfeição técnica e produtividade que seu colega, porém atuam em agências diferentes, é possível pleitear a equiparação salarial. Entretanto, se a mesma situação iniciou apenas em dezembro de 2017, não caberia a solicitação.

Figueiredo cita alguns exemplos para que profissionais de RH, contadores e empreendedores fiquem atentos para evitar ações na Justiça do Trabalho pleiteando equiparação salarial.

O trabalhador que está na empresa há um ano pode indicar como paradigma um colega que trabalha na mesma organização há cinco anos?

Segundo  o advogado, não é possível indicar um paradigma que tenha diferença de quatro anos de empresa, após a reforma trabalhista. “Esse requisito não havia previsão legal, ampliando o rol para buscar a desigualdade salarial”, detalha.

Contudo, Dr. Figueiredo adverte que é de fácil compreensão que a estruturação desse requisito transmita e aumente, consideravelmente, a possibilidade de uma discriminação salarial entre os colaboradores. “Sob o mesmo ponto de vista, o preeminente requisito para a equiparação salarial é a identidade de função. Dessa forma, é de fato cabível a diferença de dois anos”, esclarece.

Por outro lado, o advogado ressalta que mesmo que o paradigma esteja há menos de dois anos na mesma função, ele deverá preencher também o requisito de estar há menos de quatro anos na empresa, cabendo inclusive a discussão da constitucionalidade da lei.

O trabalhador pode pedir equiparação salarial com o paradigma de outra filial?

Dr. Figueiredo informa ser proibida a equiparação salarial com um paradigma de outra filial, se for considerar tal situação após novembro de 2017. Segundo o advogado, a reforma trabalhista vedou a flexibilização de indicação de paradigmas estranhos ao seu efetivo ambiente de trabalho.

Como exemplo, ele esclarece que o trabalhador só poderá pedir equiparação salarial apenas com os empregados da mesma filial em que trabalha, mesmo que a empresa seja localizada em São Paulo (Capital) e tenha filiais pela cidade.

O advogado ainda salienta a diferença entre equiparação salarial e isonomia. Na verdade, é o princípio da isonomia que serve de base para a equiparação salarial, ou seja, a busca pela igualdade entre todos os trabalhadores. “Portanto, não se baseia apenas no salário, mas em um todo, envolvendo tratamento, benefícios, etc.”, detalha.

A Constituição Federal traz em seu artigo 5º o princípio da isonomia ou igualdade:

Art. 5º –  Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

O princípio da isonomia busca a igualdade de todos perante a lei, sem distinção de grau, classe ou poder econômico, fornecendo o direito de todos ao acesso às funções públicas.

A igualdade real deve prevalecer sobre a formal, assim sendo, é necessário tratar os iguais igualmente e os desiguais desigualmente.

Ainda, deve ser analisado caso a caso, para não correr o risco de tratar com desigualdade os iguais e vice-versa.

No ambiente de trabalho, esse princípio deve ser a base para outros e para uma boa e justa relação, no intuito de se evitar qualquer tipo de discriminação entre os trabalhadores, lembrando de sempre respeitar a sua hierarquia.

Colaboradores que exercem a mesma função: Equiparação salarial de acordo com a Lei 13.467/17

REQUISITOSCOMO ERA ANTES DA REFOMA TRABALHISTA DE 2017COMO ESTÁ APÓS A REFORMA TRABLAHISTA DE 2017
FUNÇÃOIdentidade de função e atividade realizadas, independentemente do cargo. (art. 461, caput)Identidade de função e atividade realizadas, independentemente do cargo. (art. 461, caput)
PRODUTIVIDADE E PERFEIÇÃO TECNICA Igual produtividade e com a mesma perfeição técnica (§1º do art. 461)Igual produtividade e com a mesma perfeição técnica (§1º do art. 461)
EMPREGADOR Mesmo empregador, podendo ser de um grupo econômico.Mesmo empregador. (art. 461, caput)
LOCALIDADEMesma localidade ou mesma região metropolitana (Súmula 6ª TST)Mesmo estabelecimento empresarial. (art. 461, caput)
TEMPO DE EMPRESANão há previsão.Diferença de tempo não superior a 4(quatro) anos. (§1º do art. 461)
TEMPO DE FUNÇÃODiferença de tempo não superior a 2(dois) anos. (§1º do art. 461)Diferença de tempo não superior a 2(dois) anos. (§1º do art. 461)
QUADRO DE CARREIRAVálido o quadro de carreira desde que homologado pelo Ministério Público (Súmula 6ª do TST)Válido o quadro de carreira por meio de norma interna ou negociação coletiva, independentemente de homologação do Ministério Público (§2º do art. 461)
CONTEMPORANEIDADEPossibilidade de indicação de paradigma remoto, ainda que tenha obtido vantagem em ação judicial própria.Paradigma obrigatoriamente contemporâneo, vedado a indicação de paradigma remoto. (§5º do art. 461)

Sobre Jonas Figueiredo de Oliveira

O advogado é especialista em Direito Trabalhista, com foco em PJ, profissionais de Tecnologia e setor bancário. Sócio do Figueiredo Sociedade de Advogados, auxiliando juridicamente trabalhadores e empreendedores sempre de forma personalizada. Pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho pela EPD (Escola Paulista de Direito), MBA Direito do Trabalho e Direito Previdenciário, possui formação em Técnicas de Negociação e Planejamento Estratégico para Escritórios de Advocacia ambos pela Fundação Getúlio Vargas (FGVSP). Para mais informações, acesse o site : https://figueiredoadvogados.com.br/, instagram @jonasfigueiredoadv, facebook: https://www.facebook.com/figadvogados linkedin figadvogados

Gostou da nossa matéria “Colaboradores que exercem a mesma função devem receber salários iguais“?

Colaboradores que exercem a mesma função devem receber salários iguais
Colaboradores que exercem a mesma função devem receber salários iguais

Assine nossa Newsletter e receba nossas publicações em seu email, fique ligado nas notícias e matérias do jornal assim que estiverem online. Então, aproveite e leia as Últimas Notícias e mais vagas de emprego abertas. Conheça nosso parceiro Dica App do Dia.

Junte-se a 1.036 outros assinantes

Moove+ investe na inclusão por meio da contratação de pessoas com deficiência

Operadora logística abre vagas para contratação de pessoas com deficiência nas áreas operacionais e administrativas

Com o objetivo de incentivar a inclusão, a operadora logística Moove+ anuncia a abertura de vagas para pessoas com deficiência (PcD) nas áreas operacionais e administrativas. Em 2021, a empresa já contratou 10 colaboradores PcD, chegando a 25 no total, e a ideia é ampliar ainda mais este número. 

De acordo com dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pelo menos 45 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência — ou seja, cerca de 24% da população do País. Ainda assim, os dados mais recentes apontam que em torno de 440 mil PcDs estão empregados, totalizando apenas 1% dos empregos formais no Brasil.

“Iniciamos esse ciclo de contratações de PcD com o objetivo de dar espaço e vez para todos e, principalmente neste momento, com alta de desemprego, sabemos que é importante abrir oportunidades”, afirma Guilherme Juliani, CEO da Moove+. O recrutamento vem junto de um projeto de expansão da empresa, que hoje realiza cerca de oito milhões de entregas mensais.

A inclusão de PcD é prevista por lei no Brasil desde a Constituição de 1988, mas, ainda assim, muitas empresas encontram dificuldade para alcançar o número mínimo exigido de colaboradores PcD. Em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão alterou o conceito jurídico de deficiência, que deixou de ser compreendida como condição estática e biológica, e introduziu políticas públicas como a inclusão escolar e a capacidade civil, além da inclusão do mercado de trabalho, que já constava na legislação há mais de 30 anos.

De acordo com Guilherme, é importante repensar a cultura da empresa para melhor acolher todos os colaboradores. “As empresas precisam se preparar para investir nas mudanças necessárias. Muitos dos espaços corporativos e industriais não são projetados para a presença de PcD, e isso vem de uma tradição que estamos tentando mudar.”

Ao abrir vagas para contratação de PcD, as empresas precisam também oferecer e garantir a acessibilidade necessária ao colaborador. A adaptação física dos espaços, com rampas e elevadores, é necessária para garantir a mobilidade; a inclusão de informações via áudio e mapas táteis para deficientes visuais. Essas e outras mudanças simples tornam o ambiente corporativo inclusivo e permitem o acesso de todos.

O recrutamento de colaboradores PcD pela Moove+, empresa integrante do Grupo Flash Courier, está aberto e os interessados devem encaminhar currículo para o e-mail recrutamento@moovemais.com.br.

Sobre a Moove+

contratação de pessoas com deficiência
Guilherme Juliani – CEO da Moove+. Foto: Divulgação

A Moove+ faz parte do grupo Flash Courier, presente no mercado há mais de 25 anos e referência em logística no Brasil. Sediada em São Bernardo, no ABC Paulista, opera em um espaço de mais de 20.000 m². Líder no setor bancário, sua carteira de clientes é composta por agências financeiras, bancos, empresas de ingresso, gestoras de benefícios como vale alimentação, refeição e transporte, planos de saúde, entre outros segmentos. Para se ter uma ideia da proporção da operação, atualmente, sua malha de distribuição realiza cerca de 9 milhões de entregas por mês.

Nos últimos anos, a Moove+ investiu pesado em tecnologia e inovação – como robótica, mobile, bigdata, automação e sharing economy – e no processo de adaptação às novas exigências do governo, em especial as obrigações de CT-e, MDF-e e SPED, que de maneira geral, têm o objetivo de garantir a transparência e a segurança durante o transporte. Além disso, a empresa está licenciada para operar no mercado de logística e distribuição de produtos certificados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segmento que tem impulsionado ainda mais o crescimento da empresa. Mais informações: http://www.moovemais.com.br

Gostou da nossa matéria “Moove+ investe na inclusão por meio da contratação de pessoas com deficiência“?

Assine nossa Newsletter e receba nossas publicações em seu email, fique ligado nas notícias e matérias do jornal assim que estiverem online. Então, aproveite e leia as Últimas Notícias e mais vagas de emprego abertas. Conheça nosso parceiro Dica App do Dia.

Junte-se a 1.036 outros assinantes

Inscrições abertas em programas da Ambev; Estágio e Trainee.

A Ambev está com inscrições abertas em três programas de seleção, neste primeiro semestre de 2021. Entre as oportunidades, estão o estágio regular e o estágio representa, o qual é voltado para jovens negros, além do trainee, este direcionado para recém formados.

Estes processos seletivos compõem parte do programa #AmbevMeContrata, com a finalidade de quebrar os estereótipos na empresa. Para superar estes padrões, a Ambev não terá obrigatoriedade do inglês.

Os estudantes da áreas de negócios, tecnologia e produção estão dentro do foco. O programa de trainee é voltado para formandos de dezembro de 2018 até julho de 2021.

Já os programas de estágio são para universitários com formação entre dezembro de 2021 até agosto de 2023.

Como no ano anterior, as seleções serão completamente online e terão requisitos mais inclusivos: não vai ser exigido um curso específico ou um nível de inglês. A empresa vai oferecer treinamento para quem precisar desenvolver o conhecimento da língua. E também serão aceitos os cursos de tecnólogo.

Para a gerente de Gente e Gestão na Ambev, Illana Kern, as frentes distintas de divulgação ajudam a atrair perfis diversos e complementares de candidatos. Além disso, a divulgação de informações servirá como preparação para as diferentes etapas, tornando o processo mais democrático.

As vagas são para todo o Brasil, e salário pode ser de até R$ 7 mil. Os estagiários e trainees atuarão nas áreas de negócios, tecnologia e produção.

As inscrições acontecem entre os dias 23 de março e 12 de abril de 2021, e o cadastro é apenas no no site da Ambev (https://www.ambev.com.br/carreiras/trabalhe-conosco/programa-estagio-representa/).

Conheça todos nossos canais (Whatsapp, Telegram, Facebook, Buscador): https://jornalgrandeabc.com/inicio/nossas-redes-sociais/

Termomecanica está com vagas abertas

Conheça nossa parceria com o site Lista de Vagas. Visite e confira mais vagas verificadas e reais.

Mais Vagas no Grande ABC

Santo André, São Paulo
Postado 3 semanas atrás

Confira o perfil desejado e detalhes da vaga abaixo. Contratante é Studio JC Estética. Falar com Janaína em 11 94752-1571

São Paulo, São Paulo (capital)
Postado 4 semanas atrás

❌ SOMENTE COM OS REQUISITOS ABAIXO ❌ ✅Interessados e dentro do perfil favor enviar msg no privado com o TÍTULO DA VAGA e com o CURRÍCULO ATUAL.Contato: (11) 95792-0416 – WhatsApp 📲> O…

Mauá, São Paulo
Postado 1 mês atrás

❌ SOMENTE COM OS REQUISITOS ABAIXO ❌ ✅Interessados e dentro do perfil favor enviar msg no privado com o TÍTULO DA VAGA e com o CURRÍCULO ATUAL.Contato: (11) 95792-0416 – WhatsApp 📲> O…

Mauá, São Paulo
Postado 1 mês atrás

❌ SOMENTE COM OS REQUISITOS ABAIXO ❌ ✅Interessados e dentro do perfil favor enviar msg no privado com o TÍTULO DA VAGA e com o CURRÍCULO ATUAL.Contato: (11) 95792-0416 – WhatsApp 📲> O…

Efetiva
São Bernardo do Campo
Postado 1 mês atrás

Confira o perfil desejado e detalhes da vaga abaixo. Se candidate neste link.

Efetiva
Santo André
Postado 1 mês atrás

Confira o perfil desejado e detalhes da vaga abaixo. Se candidate neste link.

São Bernardo do Campo
Postado 1 mês atrás

Confira o perfil desejado e detalhes da vaga abaixo. Se candidate neste link.

Efetiva
Santo André
Postado 1 mês atrás

Confira o perfil desejado e detalhes da vaga abaixo. Se candidate neste link.

Confira o perfil desejado e detalhes da vaga abaixo. Se candidate neste link.

Confira o perfil desejado e detalhes da vaga abaixo. Se candidate neste link.

Santo André
Postado 1 mês atrás

Confira o perfil desejado e detalhes da vaga abaixo. Se candidate neste link.

Temporária
São Caetano do Sul, Trabalho Remoto
Postado 1 mês atrás

Confira o perfil desejado e detalhes da vaga abaixo. Se candidate neste link.

Efetiva
Santo André
Postado 1 mês atrás

Confira o perfil desejado e detalhes da vaga abaixo. Se candidate neste link.

Efetiva
Santo André
Postado 1 mês atrás

Confira o perfil desejado e detalhes da vaga abaixo. Se candidate neste link.

São Bernardo do Campo, São Paulo
Postado 1 mês atrás

❌ SOMENTE COM OS REQUISITOS ABAIXO ❌ ✅Interessados e dentro do perfil favor enviar msg no privado com o TÍTULO DA VAGA e com o CURRÍCULO ATUAL. Contato: (11) 95792-0416 – WhatsApp 📲> …

Vagas de hoje 16 de março 2021

Pensando em mudar de carreira ou se preparar melhor para entrevistas de emprego? Conheça a RC Locus, referência em Recrutamento & Seleção, em todos os níveis.

Gostou “Inscrições abertas em programas da Ambev”?

Inscrições abertas em programas da Ambev

Assine nossa Newsletter e receba nossas publicações em seu email assim que estiverem online em nosso site. Aproveite e leia sobre Carreiras e Trabalho, com os ensinamentos de Rogério de Caro.

Junte-se a 1.036 outros assinantes

Vagas exclusivas para PCD em São Bernardo do Campo

Empresas de São Bernardo do Campo estão contratando vagas exclusivas para PCD. Oportunidades para jovem aprendiz, operador logístico, auxiliar de limpeza, auxiliar administrativo e oficial de serviços gerais.

As oportunidades são através da Inklua, empresa de recrutamento focada na inclusão.

OBS: Apenas divulgamos as vagas, não solicitamos nenhum dado pessoal ou currículo. Nos canais abaixo compartilhamos mais publicações sobre vagas, NUNCA exigimos cadastro no Jornal Grande ABC. Responsabilidade das ofertas é por parte dos contratantes.

Grupo de divulgação de vagas no Facebook (clique aqui)
Canal de divulgação de vagas no Whatsapp (clique aqui)
Canal de divulgação de vagas no Telegram (clique aqui)

Vagas exclusivas para PCD em São Bernardo

Oficial de Serviços Gerais

Local: São Bernardo do Campo/SP

Tipo de Contratação CLT

VAGA EXCLUSIVA PARA PROFISSIONAIS COM DEFICIÊNCIA. 

Horário de Trabalho: Segunda a sábado – 07:00H  ÁS 15:20                                                                    

Salário: R$1.336,16 +  VT, VA, ASSIS MÉDICA E ODONTOLOGICA ,SEGURO DE VIDA, REFEIÇÃO NO LOCAL .

Local de trabalho: Rudge Ramos – São Bernardo do Campo/SP; 

Atividades: AUXILIAR NA LIMPEZA, SEPARAÇÃO , DISTRUIBUIÇÃO E CONSERVAÇÃO DO LOCAL.

Requisitos: Ensino fundamental incompleto.

VAGA EXCLUSIVA PARA PROFISSIONAIS COM DEFICIÊNCIA. 

Auxiliar de Limpeza

Local: São Bernardo do Campo/SP

Tipo de Contratação CLT

Horário de Trabalho: Seg a Sex, 4h por dia, período matutino ou vespertino 

Salário:  R$720,00 + VT, Convenio Médico e Odontologico, refeição no local

Local: São Bernardo do Campo/SP 

Atividades: Limpeza das mesas e ambientes do salão de restaurante

Requisitos: Ensino Médio Completo 

VAGA EXCLUSIVA PARA PCDS

Operador Logístico I

Local: São Bernardo do Campo/SP

Tipo de Contratação CLT

Horário de Trabalho: Escala 6x1ou 5×2 – Turnos: 04:00 ao 12:20; 15:00 as 00:48; 17:12 as 13:00; 17:42 as 03:30; 20:00 as 05:48 ou 23:00 as 08:00. 

Salário:  R$1.290,00 + Benefícios

Local: São Bernardo do Campo/SP 

Atividades: Efetuar a separação cuidadosa dos produtos no armazém do cliente, promover a montagem das cargas e a organização do estoque do cliente conforme procedimento padrão. 

Requisitos: Ensino Fundamental Completo

VAGA EXCLUSIVA PARA PCDS

Jovem Aprendiz

Local: São Bernardo do Campo/SP

Tipo de Contratação CLT

VAGA EXCLUSIVA PARA PCDS

Horário de Trabalho:  Turnos da manhã, tarde e noite disponíveis. 180h mês | Escala 6×1 com folga variável

Salário: R$ 998,00 + Premiação + Vale Transporte; Vale refeição e/ou vale alimentação; Seguro de Vida; Auxílio funeral; Auxílio creche / Auxílio criança com deficiência; Desconto em Produtos; Assistência Odontológica; Assistência Médica; Descontos em Academias / Práticas Esportivas; Parcerias educacionais com descontos em cursos; Plano de carreira.

Local: Grande ABC 

Requisitos: Ter no mínimo 18 anos de idade; Ter no mínimo o Ensino Médio Completo

VAGA EXCLUSIVA PARA PCDS

Auxiliar Administrativo

Local: São Bernardo do Campo/SP

Tipo de Contratação CLT

VAGA EXCLUSIVA PARA PCDS

Horário de Trabalho:  Turnos da manhã, tarde e noite disponíveis. 180h mês | Escala 6×1 com folga variável

Salário: R$ 998,00 + Premiação + Vale Transporte; Vale refeição e/ou vale alimentação; Seguro de Vida; Auxílio funeral; Auxílio creche / Auxílio criança com deficiência; Desconto em Produtos; Assistência Odontológica; Assistência Médica; Descontos em Academias / Práticas Esportivas; Parcerias educacionais com descontos em cursos; Plano de carreira.

Local: Grande ABC 

Requisitos: Ter no mínimo 18 anos de idade; Ter no mínimo o Ensino Médio Completo

VAGA EXCLUSIVA PARA PCDS

Mais Vagas no Grande ABC

Gostou de “Vagas exclusivas para PCD em São Bernardo do Campo”?

Vagas exclusivas para PCD em São Bernardo do Campo
Photo by Marcus Aurelius on Pexels.com

Assine nossa Newsletter e receba nossas publicações em seu email. Aproveite e leia sobre Carreiras e Trabalho, com os ensinamentos de Rogério de Caro.

Museu da Inclusão é contemplado com R$ 99 mil

Programa de Ação Cultural PROAC, do estado de São Paulo, aprovou o projeto. Desta forma, visa melhorias na preservação do acervo museológico do Museu da Inclusão, assim como questões de acessibilidade

O Museu da Inclusão, unidade museológica vinculada à Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, foi contemplado com R﹩ 99 mil. Sendo assim, para instalação e adequação do espaço destinado à Reserva Técnica Acessível do Museu da Inclusão (MDI), de forma a atender os critérios técnicos necessários à preservação do acervo museológico e também as questões de acessibilidade.

O projeto, aprovado pelo Programa de Ação Cultural PROAC, vai ao encontro das políticas e normas voltadas à Gestão de Riscos ao Patrimônio, em que assegura a integridade física de um patrimônio nacional.

Além disso, a instalação de uma reserva técnica, o Museu da Inclusão realizará oficinas de partilha e orientação para museus e instituições da capital e interior de São Paulo sobre os processos museológicos acessíveis.

Museu da Inclusão

O Museu da Inclusão foi inaugurado em 2009 por meio do resultado da exposição “Os Caminhos da Pessoa com Deficiência”, em que reproduções de fotografias, manuscritos, áudios e vídeos dão uma visão sobre um grupo que atuaram no movimento social e político das pessoas com deficiência nos anos 1980.

Ao longo da última década, o Museu desenvolveu trabalhos com o objetivo de preservar, pesquisar e difundir a memória da luta pelos direitos da pessoa com deficiência.

Jornal Grande ABC

Museu da Inclusão

O Jornal Grande ABC é feito para você, e por vocês. Nossos colaboradores e jornalistas estão todos dias buscando novidades e matérias. Assim, produzindo material especial para nossos leitores. Nosso foco são as cidades de Mauá, Diadema, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, São Caetano do Sul, São Bernardo do Campo e Santo André. Além disso, cobrimos o que acontece no Brasil e no Mundo, incluindo esporte, entretenimento e tecnologias.

Não possuímos nenhuma vinculação política ou partidária. Da mesma forma, sem ligações com outras mídias já existentes na região. Nossa fundação se deu em 07 de Setembro de 2020. Desde então, cada dia estamos crescendo e chegando em mais dispositivos e usuários. Por isso, nossa maior satisfação é entregar material de qualidade para nossos leitores. Portanto, cada nova visita e comentário, nos dão mais fôlego para seguirmos firmes e fortes neste projeto.

Quer receber mais notícias, em qualquer momento? Assine nossa Newsletter, basta inserir seu e-mail logo abaixo, e receba as publicações todos os dias.

Junte-se a 1.036 outros assinantes

É um prazer ter você conosco. Aproveite para deixar comentário aqui embaixo. Salve nosso Site. Volte Sempre!

Workshop de moda inclusiva

Workshop de moda inclusiva: Os desafios e possibilidades da moda inclusiva dentro do contexto da pandemia foram ministrados para mais de 50 pessoas

Nesta segunda (07), a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em parceria com o Centro de Tecnologia e Inovação, realizou o Workshop online “Moda Inclusiva: cenário pós pandemia”.

Os mais de 50 espectadores presentes puderam aprender com o conteúdo do workshop que foi baseado em três temas: Adaptabilidade em novo momento de mercado; Visão mercadológica e Tendência de futuro ao segmento.

De acordo com a gestora de moda inclusiva da Secretaria, Izabelle Palma, a moda inclusiva é um segmento que traz vestibilidade melhor à pessoa com deficiência, com funcionalidades que priorizam a adaptabilidade da peça. “Leva à uma autonomia, dando oportunidade às pessoas e o direito de escolha. A moda inclusiva também dá apoio às pessoas com deficiência a se vestir com mais facilidade”, afirmou.

A representante da marca de moda inclusiva Angels Grace, Grace Santos e pela Fundadora do SB Shop & I’mperfection in Fashion, Samanta Bullock também estiveram presentes para palestrar sobre a temática.

“Quando falamos em moda inclusiva, falamos sobre olhar uma roupa na vitrine e ela servir para a pessoa com e sem deficiência. Pessoas com deficiência são consumidores também, a moda inclusiva é uma tendência e com ela cada vez mais estamos entrando em um consumo inteligente”, declarou Grace Santos.

Cada tema tratado durante o evento foi articulado levando em conta a inclusão de pessoas com deficiência dentro da moda e a adaptação da moda inclusiva dentro deste período de pandemia.

Samanta Bullock abordou as tendências dos próximos anos e sua relação com os desafios do segmento, ressaltando que a moda inclusiva evoluiu, trazendo mais autonomia às pessoas com deficiência. “A roupa feita à pessoa com deficiência era uma roupa hospitalar, vista como uma pessoa incapaz, acamada. E hoje, o Brasil está muito à frente nessa questão da moda inclusiva, justamente por conta de uma Secretaria voltada às pessoas com deficiência”, disse.

Auxílio emergencial foi ajuda significativa, mas seu fim deixará desigualdade

Em entrevista exclusiva à Pública, a economista e professora da FEA-USP explica por que a perspectiva de recuperação econômica do Brasil é ruim e defende um novo modelo que combine crescimento econômico com inclusão e sustentabilidade

Por Giulia Afiune
Da Agência Pública

O auxílio emergencial representou uma ajuda significativa para os brasileiros durante a pandemia e preveniu uma queda ainda maior no PIB do país, mas a falta de um plano de recuperação econômica é preocupante, e a volta ao nível de renda pré-crise pode levar até duas décadas. Esse é o panorama traçado por Laura Carvalho, economista e professora da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e autora do recém-lançado livro Curto-circuito: o vírus e a volta do Estado

Em entrevista exclusiva à Agência Pública, Laura Carvalho explica que, quando a pandemia chegou, as famílias mais pobres ainda estavam sofrendo os efeitos da recessão de 2015 e 2016, como a perda de renda, o desemprego e a precariedade no mercado de trabalho. “Graças à aprovação desse programa substancial de transferência de renda, você tem essa situação paradoxal em que, mesmo com uma crise muito profunda, os níveis de pobreza caem para os seus menores patamares da história e a desigualdade chega a cair”, explica. 

No entanto, ela ressalta que esse efeito positivo tem data para acabar. “Com o fim do auxílio e com a impossibilidade de se compatibilizar novos programas generosos de proteção social com o atual desenho do teto de gastos, essas desigualdades – que na verdade subiram, mas foram neutralizadas pelo auxílio – vão aparecer, vão vir à tona”, diz. Como o patamar de renda dos brasileiros está ainda menor devido às crises sucessivas, ela acredita que levará duas décadas para recuperarmos a renda média que tínhamos em 2014. 

Mas nem tudo é tragédia. Para a economista, essa é uma ótima oportunidade para passarmos a financiar políticas sociais com um imposto de renda mais alto para os ricos e a adotar um modelo econômico mais digno e sustentável – alinhado com a chamada “retomada verde” que diversos países ao redor do mundo estão propondo. “É perfeitamente possível desenhar um modelo que envolva o próprio combate às desigualdades de renda e de acesso a serviços, uma série de lacunas que a gente nunca superou, como um vetor de geração de empregos e de novas tecnologias. Não se trata de não ter crescimento econômico, mas de se ter um outro tipo de crescimento econômico que beneficie a maioria da população, não só alguns, e que não destrua o meio ambiente”, argumenta. 

Laura Carvalho foi escolhida para esta entrevista pelos Aliados da Pública e, durante a conversa, respondeu a várias das perguntas que eles enviaram anteriormente. Se você quer escolher quem a Pública vai entrevistar, seja nosso Aliado

A economista Laura Carvalho foi escolhida pelos Aliados da Pública para a Entrevista do Mês

Em maio, você disse que a recessão causada pela pandemia devia ser enfrentada em duas fases. Primeiro com medidas para combater a pandemia em si e garantir a sobrevivência das famílias e empresas. Só depois, quando os números da doença estivessem menores, seria possível tomar medidas macroeconômicas. Como você avalia a resposta do governo Bolsonaro para lidar com a economia na pandemia? Estava de acordo com essas recomendações? 

Na primeira fase, nem é possível nem desejável que a economia seja reativada completamente, porque a ideia é justamente controlar a causa do problema, que é o próprio contágio pelo vírus. Na área econômica estritamente – deixando de lado a área da saúde, que foi um desastre –, há três eixos: um eixo voltado para a sobrevivência das famílias, com transferência de renda; um eixo voltado para a sobrevivência das empresas, que tem a ver com medidas para o crédito e adiamento do pagamento de impostos; e o terceiro, que é o eixo para preservação dos empregos, voltado para evitar as demissões e proteger os trabalhadores formais. 

O primeiro [da sobrevivência das famílias] é o eixo mais bem-sucedido. Não foi uma iniciativa do governo, inclusive o programa aprovado foi muito maior em valor e em número de beneficiários do que aquilo que estava proposto inicialmente pela equipe econômica do governo. Mas o auxílio emergencial foi capaz de evitar uma perda de renda para a metade mais pobre da população brasileira durante essa que é a mais profunda recessão de que temos notícia. Então, houve, sim, uma perda de renda maior para os mais pobres quando a gente pensa em renda do trabalho, mas, quando a gente soma o auxílio emergencial, o índice de Gini, que mede a desigualdade, até cai durante a pandemia por conta desse programa. Ou seja, o auxílio foi capaz de neutralizar completamente o aumento da desigualdade que houve no mercado de trabalho durante a pandemia. 

O segundo eixo, que é o de proteção às empresas, é o mais fracassado dos três, onde os impactos foram desastrosos. As linhas de crédito desenhadas pelo governo não chegaram na ponta, tampouco tiveram volume suficiente liberado. Isso até foi melhorando, outras linhas foram sendo criadas e expandidas, mas o desenho inicial exigia contrapartidas demais das empresas e também não cobria o risco dos bancos; então, os bancos não tiveram interesse em realizar as operações. E isso fez com que, até a metade de julho, 716 mil empresas fechassem definitivamente as portas no Brasil, das quais 99,8% tinham até 49 empregados. Os pequenos negócios, que, claro, têm muito mais dificuldade de sobrevivência, fecharam as portas. E são um negócio que emprega muita gente; portanto, isso também repercute nos empregos e nas nossas perspectivas de recuperação. O desastre foi quase tão grande quanto o da área da saúde, que também não teve nenhum sucesso.

O terceiro eixo, de preservação dos empregos exclusivamente, eu diria que está no meio do caminho, porque empregos foram preservados com a possibilidade de manter os empregados sem o custo total. A medida provisória que foi aprovada para a suspensão de contratos e redução da jornada de trabalho não foi desenhada de forma tão generosa quanto o que foi feito em alguns outros países, como o Reino Unido, que preservaram quase toda a renda dos trabalhadores que tiveram seus contratos de trabalho reduzidos. No caso brasileiro, a primeira versão era um desastre, nem previa nenhum tipo de remuneração para os trabalhadores que tivessem o contrato suspenso, mas aí isso gerou uma polêmica, a medida foi revista, e a segunda versão da medida prevê o pagamento de uma parte do seguro-desemprego para os trabalhadores nessa situação. Isso protegeu os trabalhadores com renda mais baixa, mas o seguro-desemprego tem um teto de R$ 1.813, então os trabalhadores que ganham mais de dois salários-mínimos e meio ainda tiveram uma perda de renda muito significativa. 

Pensando naquela dicotomia que o governo colocava entre salvar vidas e salvar a economia, na realidade ele não conseguiu salvar vidas e só salvou parte da economia? 

Na verdade, era uma falsa dicotomia já na origem. A recuperação da economia depende do controle da pandemia. Isso está cada vez mais claro nos dados que saíram desde então, referentes a diferentes países. Os países que não conseguiram [controlar a pandemia] estão tendo quedas de PIB maiores. No caso brasileiro, o auxílio emergencial acabou conseguindo atenuar a queda do PIB. Ele deu tão certo que evitou a perda de renda da metade mais pobre da população e manteve os níveis de consumo, particularmente em municípios mais pobres do Norte e Nordeste do país. Isso contribui para que o Brasil não tenha uma das recessões mais profundas, mas, por outro lado, pelo fato de não termos controlado a pandemia e pensando que esse auxílio emergencial será encerrado no fim deste ano, as nossas perspectivas de recuperação são, sem dúvida, muito ruins se comparadas à economia global.

Em um texto recente para o Nexo, você fala que a recuperação econômica do Brasil vai ser em K, ou seja, ela será mais rápida para os ricos e mais lenta para os pobres. Mas você ressalta que a gente já estava em uma trajetória de recuperação em K da crise anterior, de 2015 e 2016. O que isso significa na prática para a população?

Quando se fala em recuperação em K, a ideia é um cenário em que a recuperação dos níveis de renda pré-crise será muito mais rápida para quem está no topo da pirâmide do que para quem está na base. Por isso, o formato da letra K ajudaria a ilustrar – na verdade, os mais pobres até continuariam perdendo renda enquanto os mais ricos já estariam se recuperando. Isso é exatamente o que víamos depois de 2017, quando começa a recuperação da última recessão no Brasil: o topo e o meio da pirâmide recuperavam a renda lentamente, mas os mais pobres ainda estavam perdendo renda. 

Os mais pobres ainda estavam em recessão – com perda de renda, aumento da informalidade, precariedade cada vez maior no mercado de trabalho e taxas de desemprego ainda muito elevadas – quando a pandemia chegou. Graças à aprovação desse programa substancial de transferência de renda, você tem essa situação paradoxal em que, mesmo com uma crise muito profunda, os níveis de pobreza caem para os seus menores patamares da história e a desigualdade chega a cair. Se você olha para os 30% mais pobres, você vê que há até um ganho de renda em relação ao que era antes. 

Mas com o fim desse auxílio e com a impossibilidade de se compatibilizar novos programas generosos de proteção social com o atual desenho do teto de gastos, essas desigualdades – que na verdade subiram, mas foram neutralizadas – vão aparecer, vão vir à tona. Isso pode nos levar a basicamente retomar a trajetória anterior de aumento da desigualdade e de perda de renda na base, mas partindo de um nível ainda menor de renda, porque agora estamos atravessando mais uma recessão. Então, isso tudo tende a criar um quadro que vai até prejudicar as nossas possibilidades de recuperação, porque já há muitas evidências de que no Brasil esse aumento da desigualdade funciona como uma âncora que impede a economia de crescer mais rapidamente.

O horizonte que estamos vendo é o de duas décadas perdidas?

Se a gente olha para o que ocorreu de 2017 até o início da pandemia, a gente vê que a recuperação era tão lenta que a gente levaria uma década para recuperar o nível de renda per capita que a gente tinha em 2014. E aí vem a pandemia. Se a gente olha para o que seria necessário o Brasil crescer para que seja apenas uma década perdida, já está claro que é impossível. A gente teria que crescer a um ritmo muito acima do que já crescemos em todos os períodos da história, o que não parece ser o caso, considerando tanto o cenário internacional quanto o da política doméstica. Simulando diferentes cenários, parece que a gente está muito mais perto de demorar duas décadas para voltar àquela renda per capita média de 2014 do que apenas uma década.

Estamos observando um aumento significativo no preço dos alimentos e até no aluguel. Se as coisas estão caras e as pessoas estão perdendo o emprego, por que a aprovação ao governo continua alta? 

É claro que a situação dos alimentos de fato tem um efeito desproporcional na cesta de consumo dos mais pobres. É um tipo de inflação que tem mais a ver com os efeitos da desvalorização do real somados ao aumento de preços de alimentos nos mercados internacionais. E o índice que reajusta o aluguel é muito sensível também a variações do câmbio e nos preços de alimentos. 

Mas o fato é que, mesmo com esse aumento da inflação, com a perda de empregos e de renda durante a pandemia – que também afeta desproporcionalmente os trabalhadores menos escolarizados – ainda assim houve um ganho de renda para os 30% mais pobres. Se a gente olha para os 50% mais pobres, o auxílio compensa inteiramente a perda de renda. E isso é muito significativo. A gente está falando de metade da população brasileira tendo preservado sua renda na pandemia e parte delas até tendo aumentado sua renda graças a esse auxílio de R$ 600. Para muita gente parece pouco, mas para os níveis de renda no Brasil é muito significativo. Não quer dizer que seja o único fator a explicar a popularidade do governo, mas esse é um dos fatores, sim.

Muitos leitores perguntaram se é verdade que não existem recursos para bancar o auxílio emergencial durante mais tempo ou se é só uma questão de prioridades do governo. 

O atual teto de gastos vai mesmo diminuindo o espaço para despesas não obrigatórias ao longo tempo. As despesas com a Previdência, por exemplo, continuam crescendo mesmo com a reforma e, como o teto fica parado no mesmo lugar, ele só é reajustado pela inflação. Isso faz com que o espaço para o resto vá ficando cada vez menor. 

Com esse contexto do teto, fica mesmo impraticável pensar em uma expansão significativa de gastos sociais. No entanto, há soluções alternativas, como, por exemplo, a tributação da renda dos mais ricos – que a gente sabe que pagam pouco imposto de renda da pessoa física no Brasil por causa de uma série de isenções e também de uma alíquota máxima baixa para padrões internacionais. A transferência, por exemplo, dessa arrecadação extra para programas de transferência de renda é algo que é perfeitamente possível. Já há simulações que mostram que daria para financiar um programa bastante generoso com medidas que não são nada radicais, que só tornam um pouco mais justo o nosso sistema tributário.

Mas isso também é inviável hoje com o teto de gastos porque a forma como ele é desenhado impede que se arrecade mais e se gaste mais. Os gastos estão parados no mesmo lugar independentemente do nível de arrecadação de impostos. Isso impossibilita que nós debatamos soluções alternativas, pois envolveriam um redesenho do teto que o tornasse mais alinhado com a experiência internacional, em que o limite para o crescimento dos gastos é atrelado a quanto cresce a economia e a arrecadação. 

A dívida pública foi o principal assunto nas perguntas enviadas pelos leitores, especialmente no que diz respeito à alta porcentagem do orçamento federal que está comprometida com o pagamento da dívida. Alguns cálculos mostram que quase 40% do orçamento vai para pagar juros e amortizações da dívida. Quanto disso é verdade e quanto é exagero?

Em geral, esses números confundem um pouco o que de fato é o pagamento de juros com o que é uma rolagem da dívida pública, que é quando o governo emite dívida para pagar os juros sobre a dívida anterior. Esse é um procedimento normal, que todas as economias do mundo realizam.

Há muita confusão nesse debate. Não é correto dizer que é por conta do pagamento de juros que o orçamento público está restrito para outras áreas. Esse raciocínio mistura coisas muito diferentes em uma mesma conta. Na prática, o que restringe o orçamento público brasileiro são as regras fiscais que a gente adota. A meta de resultado primário faz com que, quando a economia cresce menos e arrecada menos, a gente seja obrigada a cortar gastos. O teto de gastos fixa o valor total dos gastos públicos. 

A nossa capacidade de financiamento por meio da dívida pública permite que, em situações de emergência, a gente gaste mais para estabilizar a economia e evitar os efeitos socioeconômicos de um choque. É assim mesmo que deveria funcionar o sistema. O mito de que o país tinha quebrado e não tinha qualquer possibilidade de gastos adicionais se desfez a olho nu na pandemia. Esse ano, o Brasil gastou mais de 8% do PIB com medidas de combate à pandemia, e a maior parte disso foi justamente para o auxílio emergencial por meio da emissão de dívida pública. Não tivemos que recorrer, por exemplo, a dívidas em dólar, a empréstimos do FMI – como a Argentina e outros países do hemisfério sul. Agora, isso não significa que a gente queira ir para qualquer patamar de dívida pública e torná-la explosiva para todo o sempre.

O indicador que importa é o que relaciona a dívida pública com o PIB. E ele não depende só do quanto o governo está gastando, depende também do quanto a economia está crescendo, do próprio PIB, e do quanto o governo está arrecadando. Então, não é um cálculo estático, é um cálculo dinâmico.

No caso brasileiro, de um lado, dá para pensar em um caminho em que a gente tenta estabilizar a dívida e redistribuir os custos dessa crise por meio de uma tributação maior sobre altas rendas e patrimônios. E, de outro, a gente também toma medidas que estimulem o crescimento econômico para que a arrecadação de impostos volte, para que o PIB cresça, e essa dívida então deixe de pesar tanto assim em relação ao PIB. 

Mas algum tipo de atuação pontual é necessária, já que há projeções mostrando que a dívida pode chegar até 100% do PIB em 2020.

Sim, mas o que se demanda para estabilizar a dívida pública é que é a grande controvérsia. Uma atuação que signifique cortar gastos em todas as áreas em meio a um quadro de crise econômica, que é o quadro que a gente tem no ano que vem, é justamente o que o FMI alerta que pode acabar sendo contraproducente porque isso prejudica a recuperação em tal nível que a dívida pode, ao invés de cair, subir em relação ao PIB, como, aliás, ocorreu no Brasil. Desde que começou o ajuste fiscal em 2015, a dívida pública só subiu em relação ao PIB porque a economia ficou estagnada. 

Então, tem que ter muito cuidado com a composição desse ajuste para não prejudicar a própria retomada. E também é necessário considerar essa relação entre taxa de juros e taxa de crescimento econômico para projetar o que é essa dinâmica da dívida ao longo do tempo. O orçamento público não é como o orçamento familiar, em que você simplesmente não tem qualquer poder sobre quanto recebe. Ao gastar, o governo também pode estimular uma economia, que por sua vez cresce, o que gera arrecadação de impostos. Então, tudo isso não é uma matemática tão exata. A gente não pode correr o risco de precipitadamente tirar todo e qualquer estímulo da economia e, com isso, acabar sofrendo uma recessão ainda mais longa e uma dificuldade ainda maior de recuperar a arrecadação e estabilizar a dívida.

“Com o fim desse auxílio e com a impossibilidade de se compatibilizar novos programas generosos de proteção social com o atual desenho do teto de gastos, essas desigualdades – que na verdade subiram, mas foram neutralizadas – vão aparecer, vão vir à tona”, avalia Laura Carvalho

Você defendeu que a renda emergencial deveria ser permanente no pós-pandemia. Por quê? Essa é a melhor forma de reduzir a desigualdade no país? 

Quando eu falo em tornar permanente algum sistema mais amplo de proteção social, estou falando de criar uma renda básica, não de tornar permanente o atual formato do auxílio. Mas está claro que a precarização, a volatilidade da renda na base da pirâmide e outros desafios que o mercado de trabalho do século XXI vem apresentando – como relações de trabalho que não são sindicalizadas, e por isso trabalhadores não têm poder de negociação sobre quanto ganham, acabam aceitando jornadas indignas, salários indignos –, isso tudo justifica que a gente repense a rede de proteção social e expanda esses mecanismos de transferência de renda. 

Acho que isso tem que vir em um pacote que tira de cima para dar para os mais pobres. Então, de um lado, a tributação progressiva da renda financia um programa mais amplo de transferência de renda do outro lado. E isso tem impactos significativos sobre a desigualdade. O Made [Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades], da Faculdade de Economia da USP, do qual faço parte, está lançando uma nota em que fica muito claro que uma tributação sobre os mais ricos no Brasil hoje é capaz de financiar um programa bastante generoso que atinja os 50% mais pobres da população com um benefício per capita bastante superior ao atual Bolsa Família. E isso teria um impacto muito significativo na desigualdade. A gente inclusive compara [essa proposta] com as propostas que foram feitas pelo governo, que remanejam recursos dos programas sociais existentes e, com isso, têm um impacto muito menor na desigualdade. É perfeitamente possível. Mas, claro, esbarra em restrições que são predominantemente políticas, não econômicas.

Com o fechamento de mais de 700 mil empresas pequenas e médias durante a pandemia, o desemprego também bateu recorde. Você disse que esse foi o eixo de medidas econômicas que menos deu certo, então qual seria o caminho para recuperar esses empregos?

Essa é a tarefa mais difícil porque empresas que fecham não necessariamente reabrem, empresas grandes que sobrevivem acabam dominando esses mercados, o que leva a uma concentração maior de riqueza e de poder de mercado na mão de poucos e destrói empregos, porque as pequenas empresas são as maiores empregadoras. Quase metade dos empregos no Brasil são de pequenas empresas, sobretudo em setores de serviço e de comércio que foram muito afetados por essa crise e que empregam muita gente da base da pirâmide e com menor grau de instrução. Então, isso é um problema de difícil solução porque, para que essas empresas voltem ou que outras as substituam gerando empregos, a gente precisa que a economia cresça. E esse crescimento econômico não pode ficar restrito ao topo da distribuição, porque a gente está falando de lojas, comércios e serviços em geral ao redor do Brasil, em todos os bairros, em municípios mais pobres, não só de quem serve às elites econômicas.

Esse crescimento robusto e essa retomada mais inclusiva exigiriam um plano de recuperação, como, aliás, vários países da Europa estão anunciando, desenhando, formulando. O debate hoje em países europeus e em alguns países asiáticos é justamente sobre planos de recuperação pós-pandemia que sejam inclusivos e sustentáveis e gerem empregos. O debate aqui no Brasil é sobre onde nós vamos cortar mais gastos no ano que vem, não sobre um plano de recuperação econômica. De alguma forma, a gente está completamente descolado dos desafios que estão colocados pela frente. Isso pode tornar permanente o fechamento das empresas e essa redução do número de ocupações na economia brasileira. 

Além disso, a resposta muitas vezes são as reformas…

As reformas estão sendo pensadas sempre como “onde cortar” e “quantos bilhões de economia elas vão gerar”, o que também é uma maneira equivocada de pensar as próprias reformas. As reformas que estão sendo discutidas, como a reforma administrativa e a reforma tributária, são importantes para seus propósitos. Então, a reforma administrativa é importante para reestruturar as carreiras de maneira que os servidores públicos realizem o trabalho de forma mais eficiente para melhorar a qualidade dos serviços públicos para a população. Mas não é isso que acaba pautando o debate sobre a reforma. 

A reforma no atual contexto, inclusive, não é favorável para esse tipo de discussão, porque as preocupações mais de curto prazo dominam – quase 14% de desemprego, desigualdade crescente, um auxílio emergencial que está chegando ao fim e que vai deixar desigualdades como herança, uma crise econômica que ainda não chegou ao fim, um problema na área da saúde, problemas na área de educação… E a discussão é sobre uma reforma administrativa que visa apenas gerar não sei quantos bilhões de economia. Essa não é a maneira de pensar o debate. Enquanto isso, a gente não tem nenhum plano de recuperação econômica.

Houve uma pergunta também sobre o Paulo Guedes, que não tem entregado nada do que prometeu. No primeiro ano de governo houve um crescimento pífio, durante a pandemia a proposta era um auxílio de R$ 200, e a única reforma que saiu do papel foi graças ao Congresso. O que ainda sustenta o Guedes no governo?

O governo foi eleito com essa plataforma que combina uma parte de conservadorismo e autoritarismo com esse fundamentalismo de mercado que o Paulo Guedes representa. Essa combinação nem é tão comum nesses novos movimentos de extrema direita ao redor do mundo, como na Hungria e nos Estados Unidos. E isso gera contradições crescentes. 

Por um lado, isso ajudou a eleger o Bolsonaro porque garantiu o apoio de elites econômicas e reforçou o discurso de que a corrupção e o establishment políticos eram culpados pela crise econômica, então era melhor o estado não atrapalhar. Mas isso também é uma fraqueza do projeto bolsonarista que a gente viu durante a pandemia: o projeto não é capaz de lidar com o que a realidade impõe, não entrega resultados à população. O fato de, durante a pandemia, terem se aliviado as restrições e ter havido a possibilidade de fazer o auxílio emergencial acabou até ajudando o governo Bolsonaro e indo totalmente contra a agenda econômica difundida pelo Paulo Guedes.

Então, não sabemos o quanto essa contradição, que só vai aumentar, vai mudar o rumo da política econômica. É possível que o próprio Paulo Guedes altere esse rumo, como fez esse ano, ou talvez ele se torne incompatível com a continuidade do projeto.

O fato é que o Paulo Guedes em si também tem uma postura de não estar exatamente interessado em governar. O discurso e a mobilização da base acabam sendo muito mais importantes do que a formulação e a aprovação das políticas, e isso está muito em linha com a postura do governo Bolsonaro em geral. Veremos o que vai falar mais alto. 

Paulo Guedes, atual ministro da Economia

Você falou um pouco sobre uma retomada mais inclusiva e sustentável, a chamada “retomada verde“. Essa é uma possibilidade real no Brasil ou ainda estamos muito atrelados a correntes muito tradicionais e a um embate cristalizado no governo entre o liberalismo do Guedes e o desenvolvimentismo do Bolsonaro e dos militares?

Eu gosto de pensar que a gente tem todas as condições de formular um plano baseado em um novo modelo de desenvolvimento que seja inclusivo e sustentável e que não tenha a ver com esse desenvolvimentismo experimentado nos anos 1960 e 1970, que foi concentrador de renda e que também não tinha qualquer preocupação com os danos ambientais. Eu acho que é perfeitamente possível desenhar um modelo que envolva o próprio combate às desigualdades de renda e de acesso a serviços, uma série de lacunas que a gente nunca superou, como um vetor de geração de empregos e geração de novas tecnologias. Não se trata de não ter crescimento econômico, mas de se ter um outro tipo de crescimento econômico que beneficie a maioria da população, não só alguns, e que não destrua o meio ambiente.

A gente tem que articular um plano que envolva não só o setor público, mas o setor privado, as universidades, os institutos de pesquisa, e que seja orientado por essas missões de combate às nossas desigualdades e lacunas. Por exemplo, saneamento básico é uma área que a gente nunca resolveu. Uma parte do país não tem acesso a água e esgoto tratados. A área da educação, a da saúde que tem desigualdades enormes, que a gente viu agora concretamente, são áreas que claramente têm demandas urgentes da sociedade para a resolução desses problemas de infraestrutura ou de acesso a serviços e que têm um potencial enorme, se bem articulados, de mobilizar recursos que permitam o desenvolvimento de produtos e tecnologias locais que a gente possa potencialmente exportar. É possível inverter a lógica: não ser uma política industrial, voltada para os setores X ou Y da indústria, e sim ser uma política voltada para resolver os problemas da população que engendre efeitos para pequenos e médios produtores que tenham capacidade de gerar tecnologia e que possam ser mobilizados em uma estratégia assim, a partir das compras do governo, do BNDES e do setor privado.

Outra pergunta muito interessante que recebemos é quais são as alternativas para projetos de desenvolvimento econômico que levem em conta comunidades que não têm o lucro como objetivo? Onde cabem as lutas e os sonhos dessas populações?

Essa ideia de desenvolvimento que é pensada de maneira quase oposta à preservação ambiental, à sobrevivência das populações indígenas, que enxerga essas populações muitas vezes como um custo nesse processo, é justamente para onde não queremos ir. Inclusive, é uma oposição que é falsa. 

Uma maneira muito mais interessante de pensar é o que eu estava descrevendo antes: partir das necessidades, das desigualdades e das demandas para gerar crescimento econômico inclusivo e ambientalmente sustentável. A economia solidária, circular, é plenamente compatível com um modelo assim. É evidente que no sistema capitalista sempre vai haver a tentativa de destruir e absorver esse tipo de iniciativa, e por isso é necessário que sejam formuladas políticas que preservem esse caráter. Mas isso não significa abrir mão do desenvolvimento econômico de maneira nenhuma.

No bioma amazônico, existe uma série de tecnologias que podem surgir justamente da sabedoria das populações indígenas e que têm que ser pensadas para serem compatíveis com o modo de vida dessas populações. Esse caminho também pode levar a aumentos de renda e à melhora de qualidade de vida para essas populações e para o Brasil em geral. 

Essa ideia das missões sociais e ambientais como motores do crescimento econômico e desenvolvimento é uma inversão de lógica que é muito mais interessante para a gente pensar a estrutura produtiva do século 21, e não pensar em como retornar para estrutura produtiva do século 20.