Linguagem inclusiva: da vida para a língua

Prof.ª. Dr. em linguística Vívian Cristina Rio Stella é a autora de “Linguagem inclusiva: da vida para a língua”.

Todes, todxs, tod@s, todas e todos. O uso do chamado “gênero neutro” está acontecendo em empresas, universidades, escolas, algo que vem ocorrendo há alguns anos e foi impulsionado, principalmente, pelas redes sociais e publicidade. Marcas que se posicionam como mais modernas, inclusivas e com políticas de diversidade decidem pelo uso de ‘e’, ‘x’ e ‘@’ em vez de usar marcadores de masculino e feminino, para contemplar os indivíduos não binários que não se identificam com os dois gêneros pré-definidos.

Na área acadêmica, por exemplo, o uso de “car@s” em e-mails e documentos ocorre há pelo menos dez anos. Em outros contextos, disseminou-se o uso do “x”. Quais são os problemas dessas duas marcações? Qualquer dispositivo que se valha de áudio não consegue identificar o som a ser pronunciado ao se deparar com “todxs”. Então, passou-se a adotar a forma ‘e’ para marcar o “gênero neutro”.

Esse breve percurso não se pretende científico, mas aproveito o espaço para esclarecer o papel do linguista, cientista da linguagem, pouco consultado quando a polêmica surge ou quando empresas e outras instituições decidem ou não pelo uso da linguagem inclusiva. Nosso papel como estudiosos dos fenômenos da língua não é ser normativo para determinar se devemos usar uma forma ou outra, mas sim estudar como é a ocorrência desses marcadores nas suas mais variadas formas, contextos de fala ou escrita, tipos de palavras em que a variação ocorre e articular com o sistema da língua.

Vale pontuar também que nada é neutro em linguagem, por isso você lê o termo “gênero neutro” neste texto marcado entre aspas. Quando uma marca escolhe usar o ‘e’ em palavras de seus posts, comunicados ou campanhas, ela se filia a um discurso inclusivo, em prol da diversidade. Há, inclusive, empresas que usam o “todes”, mas que não tem políticas inclusivas efetivas, não só para LGBTQIA+, mas também para as mulheres, os negros, as pessoas com deficiência. E essa é sempre a ponderação que faço quando sou consultada sobre usar ou não o “e”: em que medida há práticas inclusivas e em que medida é só colocar esse marcador não binário na língua e o discurso não refletir a prática? Porque o essencial é que a escolha linguística acompanhe as práticas culturais da instituição e da sociedade como um todo. 

O tema do tal “gênero neutro”, que, na verdade, é sobre linguagem inclusiva é, no mínimo, polêmico, porque ainda existe um imaginário de que a língua é imutável, como se ela fosse uma joia preciosa, muito associada à gramática e a chamada “norma culta”. Como Marcos Bagno e tantos outros linguistas afirmam, a língua não pode ser usada como instrumento de exclusão. A língua é viva, complexa, inclusiva, diversa, uma atividade interativa e, portanto, feita pelos falantes nos contextos de uso.

Negar ou criticar os usos é assumir uma postura normativa em relação à língua.  Especificamente, sobre o uso de termos inclusivos e marcadores não binários nas palavras, é importante pontuar que, desde 2005, circulam documentos elaborados por órgãos públicos de diferentes estados que estimulam uma linguagem menos excludente.

Língua e sociedade caminham e se transformam mutuamente e as escolhas linguísticas não são um retrato, mas um trato do mundo. Ao escolher por “todes”, “todas e todos” ou “todos”, revelamos nossa visão de mundo, nossa forma de lidar com ele, por meio das palavras, a identidade que queremos projetar para as pessoas com quem interagimos.

Não há neutralidade no uso da língua, o que precisa haver são práticas inclusivas, menos preconceito e julgamento, mais abertura às mudanças na língua e na sociedade. Discutir o uso de “todes” é a ponta do iceberg.

Vivian Rio Stella

Doutora em linguística pela Unicamp, com pós-doutorado pela PUC-SP, especialista em comunicação. Idealizadora da VRS Academy. Professora da Casa do Saber, da Aberje e da Cásper Líbero. Começou a realizar textos, produzir materiais didáticos e a dar curso sobre redação de e-mails, e do mundo da academia queria migrar para o mundo corporativo. Passou anos como consultora até que montou a VRS Academy para ministrar seus próprios cursos e empreender com liberdade.

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Linguagem inclusiva: da vida para a língua
Foto: Divulgação

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MAURICIO BENVENUTTI LANÇA O LIVRO DESOBEDEÇA

Além da versão impressa, a obra “Desobedeça” será um marco na inclusão literária porque é a primeira a ser traduzida no mundo e o Brasil é o país que levará esse produto inovador às pessoas com dislexia, déficit de atenção, cegas e surdas.

Questionar o modelo tradicional de se construir carreiras é o ponto chave do livro Desobedeça, do escritor Mauricio Benvenutti, que será lançado no dia 10 junho de 2021 pela editora Gente. A pré-venda tem início no dia 10 de maio nos sites das principais livrarias do país. A obra também será disponibilizada na versão SL Book: Sign Language Book (Livro em Língua de Sinais), sendo um marco na inclusão literária.

Criado pela startup Wise Hands, é o primeiro livro traduzido no mundo e o Brasil será o país que levará esse produto inovador às pessoas com dislexia, déficit de atenção, cegas e surdas. O SL Book é a evolução do livro físico, mas sem perder a elegância das páginas. “Desobedeça” terá seu conteúdo disponibilizado em áudio e vídeo sendo que a tradução é feita por intérpretes humanos utilizando a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Ele será comercializado e acessado diretamente pelo site http://www.slbook.shop, que é uma plataforma segura e funcional.

Construção de carreira mudou

O mundo atual impulsionou a redefinição da palavra “carreira” para profissionais e empresas. As estratégias que irão construir as próximas trajetórias de sucesso serão bem diferentes das usadas até aqui. A leitura promove uma reflexão sobre o caminho clássico para se conquistar um lugar de destaque no mercado. Antes, era precisavo frequentar as melhores escolas e, posteriormente, cursar universidades de ponta para conquistar bons empregos e alavancar uma carreira. Hoje, essa continua sendo uma alternativa. Mas existem várias outras maneiras eficazes para se desenvolver uma trajetória profissional bem-sucedida.

O escritor reforça que algumas pessoas constroem o seu valor profissional atrelado à placa da empresa onde trabalham. “Hoje sabemos que isso é um problema. Afinal, empregos vêm e vão e profissionais que usam essa estratégia terão o seu valor de mercado reduzido quando precisarem se recolocar, pois não terão mais a marca da antiga empresa em seu sobrenome. No livro, explico como mudei minha postura para deixar de ser o ‘Mauricio da XP’ e passar a ser o ‘Mauricio Benvenutti’. Também mostro como as empresas devem apostar numa política de valorização da reputação pessoal dos seus colaboradores e não focar apenas nas experiências profissionais. Tal conduta pode aumentar o reconhecimento, a influência e, até mesmo, as vendas de uma companhia”, explica Benvenutti.

Título faz referência a projeto social

O título do livro faz uma referência a um projeto social no qual o autor participou em Indiaroba, em Sergipe. Benvenutti dedicou um capítulo para contar a história de jovens que, a partir das suas habilidades e dedicação, criaram cinco projetos e um deles foi pré-selecionado para o programa de TV Shark Tank Brasil. Esses jovens geraram empregos, tornaram-se empreendedores e movimentaram a economia do município.

Guia Prático

A obra traz ainda um guia prático chamado 10 Ps, ou seja, etapas que contemplam três pilares importantes sobre carreiras: satisfação, competências e remuneração. Essa ferramenta faz o leitor refletir se está contente com o seu trabalho, se dispõe de motivação para a execução das atividades diárias e se as realiza com competência. “Esses elementos devem estar em perfeita harmonia para que o profissional ganhe autoridade naquilo que faz”, diz o autor.

OBRA:

Desobedeça – Editora Gente

Pré-venda: 10 de maio

R$ 39,90- versão impressa

R$ 27,90 – versão SL Book: Sign Language Book

PERFIL DO AUTOR:

Maurício Benvenutti – é formado em Sistemas de Informação pela PUCRS, possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas e pós graduação em Marketing por UC Berkeley. Foi sócio e diretor B2B da XP Investimentos por mais de 8 anos. Desde 2015, é sócio e membro do conselho da StartSe – empresa de educação executiva com sedes no Vale do Silício, China e Brasil. É palestrante do TEDx  e autor dos livros Incansáveis (9ª edição) e Audaz (5ª edição), lançadas pela editora Gente, que entraram na lista dos mais vendidos do Brasil na categoria “negócios”.

MAURICIO BENVENUTTI LANÇA O LIVRO DESOBEDEÇA

Assessoria de Imprensa:

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