Campanha de Diadema recebeu doações de cooperativas e sindicato

A campanha “Sua Vida Importa Pra Mim e Sua Fome Me Incomoda” recebeu duas doações que vão ajudar mais pessoas de Diadema a terem comida na mesa. A Central de Cooperativas UNISOL Brasil, junto com Coopercentral VR (Central de Cooperativas da Agricultura Familiar do Vale do Ribeiro), trouxeram para o município sete toneladas de frutas e legumes e o SindSaúde – ABC  (Sindicato dos Trabalhadores da Saúde Privada e Filantrópica do ABC) mais 60 cestas básicas e meia tonelada de alimentos não perecíveis. 

A entrega dos comestíveis aconteceu ontem (13/5) em dois lugares diferentes: no Banco de Alimentos de Diadema e no Almoxarifado Central. Eles serão distribuídos para as famílias que vivem em situação de extrema pobreza na cidade e que neste momento de pandemia e crise econômica estão passando por muitas dificuldades. 

Maio solidário – As doações feitas pela UNISOL e pela Coopercentral VR ao município marcou o lançamento do “Maio Solidário – Comida para Todos”. Diadema foi a primeira cidade a receber os alimentos da ação realizada pelas duas cooperativas e que conta ainda com a participação do Coletivo para Todos. A iniciativa tem o objetivo de levar produtos de qualidade para as periferias das cidades e também gerar renda aos trabalhadores da agricultura familiar.

“Foi muito importante lançar essa campanha em Diadema. Daqui vamos levar comida para o povo de rua do centro expandido de São Paulo e de outros lugares”, afirma o presidente da UNISOL e organizador da iniciativa, Leonardo Pinho. Para o diretor da Coopercentral VR, Isnaldo Lima da Costa Jr, a alimentação é direito de todos “e por isso, com a pandemia, onde milhares de pessoas estão sem comida, é necessário contribuir para que juntos possamos dar continuidade a projetos de combate à fome e desigualdades”, afirmou. 

O presidente do SindSaúde-ABC, Almir Rogério “Mizito”, fez questão de ressaltar a importância de colaborar com a campanha de Diadema. “Neste momento de tantas dificuldades para o nosso país é fundamental praticar a solidariedade e dividir o pão”, declarou.

O secretário de Segurança Alimentar, Gel Antônio, disse que a campanha se fortalece com as doações. “Além dos alimentos, de excelente qualidade que as pessoas vão receber, este ato solidário estreita ainda mais os laços que temos com as entidades de trabalhadores e da agricultura familiar”.    

A campanha contra fome em Diadema teve início em 27 de março passado e já repassou doações para mais de 20 mil moradores de Diadema. Nesses 46 dias de atuação arrecadou 101 toneladas de comida e já distribuiu mais 90 toneladas. 

Além dos participantes das cooperativas e do SindSaúde-ABC na entrega dos alimentos, o ato teve ainda as presenças da vice-prefeita e secretária de

Assistência Social e Cidadania, Patty Ferreira, da primeira-dama e presidenta do Fundo Social, Inês Maria de Filippi, que também são responsáveis por realizar a campanha contra a fome de Diadema. 

O diretor da Economia Solidária de Diadema, Arildo Mota Lopes, representou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Trabalho e pela Coopercentral VR  também estiveram presentes os diretores Rafael de Oliveira Grothe, Aline Juvêncio e Michel Guzanchi. 

Saiba mais sobre a campanha de Diadema acessando –  

 http://combateafome.diadema.sp.gov.br/

Texto: Iara Santos Luz
Fotos: Adriana Horvath

Com informações da Prefeitura de Diadema.

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Fome aumenta no Brasil, na medida em que caem as doações

A pandemia do novo coronavírus trouxe inúmeros desafios que vão além do campo da saúde. Pesquisadores apontam aumento dos casos de transtornos mentais – como depressão e ansiedade – decorrentes do isolamento social e das incertezas em relação à Covid-19. Aulas remotas acentuaram a desigualdade na educação do País. E o fechamento de atividades econômicas não essenciais levou ao agravamento da crise financeira no Brasil, com estimativa de queda de 4,3% do PIB, segundo o Ipea, além da taxa recorde de 14,2% no desemprego, segundo o IBGE. Com isso, a fome aumenta no Brasil nos últimos meses.

Uma das situações mais graves enfrentadas por muitas famílias é a fome. Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) mostra que mais de 20,7 milhões de brasileiros passaram a se alimentar de forma ainda mais irregular desde o início da pandemia, por falta de dinheiro para comprar comida.

Para tentar compensar a falta de renda das famílias brasileiras, o governo federal lançou, em abril de 2020, o Auxílio Emergencial, com 5 parcelas de R$ 600 e outras quatro de R$ 300 da extensão do benefício. Os valores socorreram 68 milhões de brasileiros, mas foi negado a 35 milhões que não atendiam aos critérios do programa. Ao final de 2020, o Auxílio Emergencial foi cortado. 

Com a situação à mesa tão precária, diversas instituições filantrópicas se mobilizaram ao longo do ano para levar alimentos às famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. No entanto, as doações vêm caindo.

Fome aumenta no Brasil: Alternativa com Banco das Favelas

A favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, possui população de 100 mil habitantes – maior que 94% dos municípios brasileiros. Segundo o líder comunitário da região, Gilson Rodrigues, a comunidade não consegue atender às recomendações da Organização Mundial da Saúde. “A realidade das favelas é que as pessoas vivem de maneira aglomerada. Existe uma constante falta de água. O serviço do SAMU não vem até locais periféricos. E a situação se agrava devido à fome e ao desemprego”, comenta.

Segundo ele, a demanda por alimentos cresceu em Paraisópolis, ao passo que as doações diminuíram nos últimos meses. A União dos Moradores e do Comércio conseguia entregar 10 mil marmitas por dia, com as doações. Em setembro, o número caiu para 5 mil. Agora em janeiro, a organização só consegue entregar 500 marmitas diariamente. Gilson Rodrigues avalia que a queda nas doações se deu pela dificuldade financeira provocada pela pandemia.

Diante do cenário, o G10, grupo formado pelas dez maiores favelas do Brasil – Rocinha (RJ), Rio da Pedras (RJ), Higienópolis (SP), Paraisópolis (SP), Cidade de Deus (AM), Baixadas da Condor (PA), Baixadas da Estrada Nova Jurunas (PA), Casa Amarela (PE), Coroadinho (MA) e Sol Nascente (DF) –, se mobilizou para levar doações de cestas básicas, álcool em gel, máscaras e cartões vale-refeição para seus moradores.

Fome aumenta no Brasil, na medida em que caem as doações

O líder comunitário, e também coordenador nacional do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, explica que os alimentos são adquiridos na própria comunidade, para estimular as vendas do comércio local – que emprega 21% dos trabalhadores de Paraisópolis. Outra iniciativa para mitigar os impactos econômicos é o G10 Bank.

“O G10 Bank pretende ser a maior rede de apoio de micro e pequenos negócios das favelas do Brasil, oferecendo crédito, mentoria e desenvolvimento, garantindo que as favelas possam continuar prosperando como estavam em 2019”. Segundo Gilson, o objetivo do G10 Bank é oferecer crédito e serviços bancários para reverter recursos para a população que mais precisa. Atualmente, 45 milhões de brasileiros estão desbancarizados, sendo a maior parte composta por moradores das favelas.

O G10 também criou o “Comitê das Favelas – Presidentes de Rua”, no qual cada morador voluntário é responsável por acompanhar, durante a pandemia, 50 casas da comunidade. O objetivo é monitorar e apoiar as famílias; chamar o socorro médico, se necessário; distribuir cestas de alimentos e identificar moradores que queiram empreender, para serem auxiliados pelo G10 Bank. 

Povos e comunidades tradicionais

Os povos tradicionais no Brasil – indígenas, quilombolas e ribeirinhos – também foram afetados pela Covid-19. Para reduzir a fome dessas comunidades, o governo federal distribuiu cerca de 400 mil cestas de alimentos para 222 mil famílias dessas localidades. Ao todo foram disponibilizados R$ 45 milhões para a ação. 

Arte - Brasil 61

O Secretário Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Paulo Roberto, destaca a Medida Provisória 1008/2020, que dará continuidade no atendimento a essa população.

“Como a pandemia não encerrou, em outubro, o Presidente da República editou a MP 1008 que dá um recurso extraordinário ao Ministério da Cidadania, para continuar a operar no enfrentamento a essa questão tão urgente que é a fome. A fome não pode aguardar, não pode esperar a burocracia”, ressalta.

Além do Ministério, outros órgãos participaram da entrega das cestas e da disponibilização dos recursos, como a Companhia Nacional de Abastecimento, Fundação Nacional do Índio e Fundação Cultural Palmares.

Organizações Não-Governamentais

Aline Araújo Silva mora com o marido e mais quatro filhos, no bairro de Feitosa, em Maceió/AL. Ela conta que, durante a pandemia, o marido ficou desempregado e não podia fazer bicos, por conta do isolamento social. As dificuldades foram amenizadas graças ao trabalho da Legião da Boa Vontade (LBV).

“Graças à LBV, nós conseguimos passar por isso. Desde o início da pandemia, a LBV vem ajudando com doações de cesta básica, cesta verde e o que eles têm conseguido doar para a gente”, relata.

A LBV possui 82 unidades físicas de atendimento, espalhadas por todas as regiões do Brasil, sendo Norte e Nordeste as de maior vulnerabilidade socioeconômica. Segundo o assessor de comunicação da LBV em Brasília, José Gonçalo, a instituição vai distribuir mensalmente, enquanto durar a pandemia, cestas de alimentos e kits com material de limpeza e higiene para as famílias atendidas. Ele detalha como elas são selecionadas.

“São famílias inseridas em serviços e programas já desenvolvidos pela instituição, em todas as suas unidades; além das que participam de atividades de instituições parcerias da LBV e cadastradas nos Centros de Referência de Assistência Social dos Municípios (CRAS)”, explica.

Pelo site lbv.org é possível conferir fotos e informações sobre os atendimentos da instituição pelo Brasil e as formas de doar.

Outro trabalho que merece destaque é a “Ação contra o Coronavírus”, da ONG Ação da Cidadania. Durante a pandemia, em 2020, a instituição conseguiu arrecadar 50 milhões de reais, somando doações de recursos e alimentos. Contudo, o diretor-executivo da ONG Ação da Cidadania, Kiko Afonso, avalia que o número ainda é pequeno perante à dificuldade alimentar dos brasileiros.

“Conseguimos apoiar três milhões de pessoas, com um sustento de uma cesta básica, que dá mais ou menos para um mês de alimentação. Ou seja, é muito pouco, comparado com a necessidade que se tem, quando se olha os dados do IBGE, de 2018 – dois anos antes da Covid – que mostra que temos mais de 80 milhões de brasileiros com algum grau de insegurança alimentar”, avalia.

O diretor-executivo afirma que esse tipo de ação precisa ser contínua, no entanto, as doações vêm caindo.

“Assim que o drama passa, a tragédia passa e a mídia não está mais olhando esse problema de forma ostensiva, as pessoas começam a diminuir a doação. Além da questão cultural, de que as pessoas não têm o hábito de doação contínua, ainda tem o problema da crise. As pessoas estão sem dinheiro, as empresas estão sem dinheiro”. Ele afirma que as pessoas em necessidade não podem esperar para receber apoio para comer; elas precisam comer agora.

Kiko Afonso ainda ressalta que, com o fim do Auxílio Emergencial, as doações serão ainda mais necessárias em 2021. Para doar para a ONG Ação Cidadania, acesse o site: acaodacidadania.org.br.

“Fome aumenta no Brasil, na medida em que caem as doações” em parceria com Brasil 61

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