Livro apresenta nova geração de escritoras negras brasileiras

Resultado do ciclo de formação de escrita da FLUP, a edição apresenta 180 mulheres e trabalhos orientados por nomes como Ana Paula Lisboa, Itamar Vieira Junior e Eliana Alves. Confira sobre a nova geração de escritoras negras brasileiras.

Mais de 500 mulheres se inscreveram para participar do processo de formação de escrita organizado pela Festa Literária das Periferias – FLUP em 2020, dedicado à obra de Carolina Maria de Jesus. Esta edição do projeto FLUP Pensa, Uma revolução chamada Carolina, foi destinada exclusivamente a mulheres autodeclaradas negras, o primeiro em formato digital por causa da pandemia, e tinha como objetivo celebrar os 60 anos de publicação de Quarto de Despejo.

Dos 15 encontros semanais com personalidades poderosas e inspiradoras, como Conceição Evaristo, Zezé Motta, Preta Rara e Erica Malunguinho, e do trabalho de orientação de nomes fortes da literatura brasileira, como Alexandre Faria, Ana Paula Lisboa, Cristiane Costa, Eduardo Coelho, Eliana Alves Cruz, Fred Coelho, Itamar Vieira Jr. e Milena Britto, surgiu Carolinas – a nova geração de escritoras negras brasileiras, livro organizado por Julio Ludemir, cofundador da FLUP, que a Bazar do Tempo lança, em abril.

São mais de duzentos textos divididos em oito partes – cada uma organizada por um orientador – que transitam entre conto, crônica, diário e relato autobiográfico. O livro ainda traz textos de Conceição Evaristo na quarta capa; apresentação de Fernanda Miranda, professora e autora de Silêncios Prescritos; de Fernanda Felisberto, professora de literatura brasileira na UFRJ/Nova Iguaçu e mestre na obra de Carolina Maria de Jesus, na orelha; e ilustrações de Thais Linhares ao longo de todo o livro. As autoras presentes nessa coletânea estão espalhadas por todo o país, assim como na África e até mesmo na França – o que amplia ainda mais o diálogo com as favelas cariocas onde a FLUP vem trabalhando há dez anos.

“Este livro é um daqueles raros casos de uma obra que fala muito mais para o futuro do que para o presente. Os quase 200 textos revelam uma geração de escritoras que impactarão o país com a mesma amplitude com que a juventude preta mudou o cotidiano das universidades brasileiras, em seguida à implantação da política de cotas. Está longe de ser um devaneio afirmar que não menos de 30 dessas mulheres farão carreiras relevantes no mercado editorial na década que ora se inicia”, escreve Julio Ludemir no prólogo do livro.

Ainda no texto, Ludemir destaca também outro fator importante sobre as escritoras: “Chamou nossa atenção a escolaridade das mulheres que atenderam nossa convocação nos primeiros dias da pandemia que paralisou o mundo em 2020: nada menos que 38% delas tinham o título de mestre ou doutora e 40% já eram formadas”.

O ciclo de formação contou também com a participação de vinte catadoras ligadas às cooperativas de reciclagem do ABC paulista. Sob orientação de Eduardo Coelho, as oficinas partiram dos relatos de seus percursos biográficos para mapear os desejos, bem como enredos e técnicas de narrativas. Coelho ressalta em seu texto que “a leitura e a audição de trechos do Quarto de Despejo consistiram num recurso fundamental para que elas se sentissem autorizadas a produzir seus textos e contações de histórias. Por outro lado, o desenvolvimento de suas próprias narrativas foi levando as catadoras a se reconhecerem e se perceberem de outras formas, naquilo que elas caracterizaram, por fim, como um processo ‘terapêutico’. Em outras palavras, as oficinas se tornaram um meio de elas passarem suas vidas a limpo, atribuindo novos sentidos aos seus percursos biográficos, além de reconhecerem nesse processo uma possibilidade comovente de ensino e aprendizagem”.

O livro marca os dez anos de atuação da FLUP nas favelas cariocas, de onde surgiram nomes que ganharam destaque nacional, como Geovani Martins, cujo livro de estreia foi lançado em mais de 20 países; Ana Paula Lisboa, colunista do jornal O Globo e orientadora desta edição da FLUP Pensa, e a cineasta Yasmin Thayná .

Para celebrar o lançamento do livro, estão previstos três eventos virtuais, cada um em parceria com uma livraria independente: uma do Rio de Janeiro, outra de Salvador e de Porto Alegre.

Livro apresenta nova geração de escritoras negras brasileiras

Livro: Carolinas – a nova geração de escritoras negras brasileiras
Autor: Várias autoras
Organização: Julio Ludemir
Número de páginas: 548
Ano de publicação: 2021
Valor: R$ 60,00

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8 mulheres negras que fizeram história

  • Claudette Colvin
Imagem do Google

A garrota se recusou a ceder seu assento no ônibus para uma mulher branca e se mudar para a parte de trás do ônibus no Alabama, Estados Unidos, em 1955. Claudette fez isso nove meses antes de Rosa Parks fazer o mesmo. Depois disso, foi levada para a prisão onde ficou até sua mãe buscá-la e pagar fiança.

  • Shirley Chisholm 
Imagem do Google

Em 1968 tornou-se a primeira mulher negra a ser eleita para o Congresso dos Estados Unidos e poucos anos mais tarde, também tentou se candidatar para a presidência do país.

  • Henrietta Lacks
Imagem do Google

No ano de 1951, Henrietta foi diagnosticada com cancêr cervical. Decidiu então enviar uma amostra de suas célular para um laboratório para ajudar nos estudos medicinais. Suas célular eram tão especiais e diferentes das outra que ficaram conhecidas como células “HeLa”, elas são usadas para estudar os efeitos de drogas, hormônios e vírus no crescimento de células cancerosas, sem precisar fazer experiências em humanos.

  • Ruby Bridges
Imagem do Change.org

Ruby foi a primeira criança negra a se dessegregar e ter seus estudos garantidos em uma escola apenas para brancos, no ano de 1960, quando tinha apenas 6 anos.

  • Dr. Rebecca Lee Crumpler
Imagem do Google

Após anos de estudo, Rebecca se tornou a primeira mulher afro-americana a se tornar doutora em medicina nos Estados Unidos.

  • Alice Allison Dunnigan
Imagem do Google

A jornalista Alice foi a primeira mulher negra a virar correspondente na Casa Branca e também integrou as galerias de imprensa do Senado e da Câmara dos Representantes

  • Mae C. Jemison
Imagem do Google

Jemison se tornou a primeira mulher a ser admitida no programa de treinamento de astronautas da NASA e apenas alguns anos mais tarde, em 1992, ela finalmente se tornou a primeira mulher negra a ir para o espaço, servindo como especialista em missões a bordo do Ônibus Espacial Endeavour.

  •  Daisy Lee Gatson Bates 
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A ativista, advogada e editora criou um jornal chamado Arkansas State Press, com foco nos direitos civis. Ficou conhecida após defender o chamado The Little Rock Nine, um grupo de jovens que queriam o direito de estudar em uma escola que apenas brancos frequentavam.

Museu Casa de Portinari promove live em homenagem à cultura negra

Atividade acontece nesta sexta-feira (20), Dia Nacional da Consciência Negra, com participação da artista Con Silva

Dentre as datas comemorativas e de reflexão do calendário, uma das mais importantes será nesta sexta-feira (20): o Dia Nacional da Consciência Negra. Para homenagear e refletir sobre as premissas da celebração, o Museu Casa de Portinari, instituição da Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela ACAM Portinari, promove, às 12h, uma live com a artista Con Silva.

Instrutora de artes, jurada de Carnaval e ativista do Movimento Negro, Con já ministrou palestras em instituições públicas e privadas abordando diversos temas da cultura afro nacional. Na live, ela falará sobre a cultura e a negritude brasileira.

Na programação semanal ainda será possível conferir o vídeo sobre o projeto de história oral do equipamento, o Poéticas da Memória. Entre os participantes estão pessoas que fizeram parte do convívio da família Portinari e de seu mais ilustre membro, moradores de Brodowski que guardam memórias da formação da cidade, seus costumes, tradições, problemas sociais, fauna, flora entre outros.

“Esse é um projeto que o Museu Casa de Portinari realiza há mais de 20 anos. É uma ferramenta importante para captação, salvaguarda e difusão desse acervo histórico”, explica Cristiane Patrici, gerente do equipamento.

Para acessar os conteúdos basta curtir as redes sociais do Museu Casa de Portinari (@museucasadeportinari) ou ficar ligado na página especial do Cultura em Casa: www.museucasadeportinari.org.br/culturaemcasa.

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Museu Casa de Portinari

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Centro Paula Souza realiza fórum sobre a presença da mulher negra no mercado

Evento online acontecerá em 16 de novembro, no canal da Unidade de Ensino Médio e Técnico na plataforma YouTube

Centro Paula Souza (CPS) abriu inscrições para a segunda edição do Fórum Profissional Feminina e o Mercado. O evento online debaterá a presença da mulher negra no mundo do trabalho e será apresentado no dia 16 de novembro, no canal da Unidade de Ensino Médio e Técnico (Cetec) no YouTube.

O encontro é voltado para professores, alunos e servidores de Escolas Técnicas (Etecs), Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais e de outras instituições de ensino, além de demais interessados no tema. Quem desejar obter certificado de participação deve se inscrever gratuitamente até 4 de novembro pela internet.

Diversidade

Na segunda edição, o encontro tem como objetivo reunir líderes engajadas com a causa da equidade de gênero e discutir como as empresas podem promover a diversidade e ampliar a participação feminina no ambiente corporativo. O evento ainda vai trazer histórias de sucesso de mulheres negras que ocupam posição de liderança para inspirar e criar consciência de empoderamento feminino.

A programação contará com as presenças da diretora da Etec de Pirituba, Eliane Leite; da cofundadora da consultoria Uzoma Diversidade, Educação e Cultura, Elizabeth Scheibmayr; da chefe de gabinete da Reitoria da Faculdade Zumbi dos Palmares, Enisete Malaquias; e da assessora da Secretaria municipal de Educação de São Paulo, Marineusa Medeiros.