Comportamento inadequado afasta jovens do mercado de trabalho

Os jovens, de 18 a 24 anos no mercado de trabalho, representam 31,4% dos desempregados 3º trimestre de 2020. É a maior taxa da série histórica com a atual metodologia, iniciada em 2012. A falta de experiência e de qualificação profissional pesam muito em uma contratação em tempos de crise, já que outros profissionais, mais experientes e qualificados, estão disponíveis e aceitam vagas que oferecem menores condições de salários e benefícios.

Porém, segundo especialistas de Recursos Humanos, questões comportamentais superam a falta de experiência e qualificação na hora de contratar jovens, tornando-se o maior impeditivo para que eles não consigam a tão sonhada vaga. Além disso, muitos não se mantêm empregados justamente porque suas atitudes os impedem de trilhar uma carreira.  Esse é um fato que se repete em todo o Brasil. Mas, que comportamentos são esses, que superam a falta de qualificação e de experiência na hora de uma contratação? E como podemos ajudar os jovens a superar essa deficiência no mercado de trabalho?

Recrutadores e empregadores listaram alguns comportamentos dos jovens que podem prejudicá-los no mundo corporativo. Nas entrevistas de emprego, eles são observados e, também, a forma como se apresentam nas redes sociais contribui para que garantam as vagas. Algumas atitudes que prejudicam uma contratação:

Falta de pontualidade – Chegar atrasado a uma entrevista é um erro que pode desqualificar imediatamente o candidato, porque demonstra falta de comprometimento.

Falar mal de pessoas e/ou situações anteriores – O jovem que, numa entrevista, tem a postura de julgar recrutadores de entrevistas anteriores ou empregadores anteriores, colocando exclusivamente nos outros a culpa por não conseguirem se manter empregados passam uma imagem ruim.

Mostrar impaciência – Demonstrar impaciência com atrasos ou perguntas que não se deseja responder pode indicar inflexibilidade.

Não interagir bem com grupos – Nas dinâmicas, desejar ser o centro das atenções ou não participar da dinâmica mostram situações opostas, mas que dizem muito sobre a personalidade do candidato. É preciso equilíbrio e coerência.

Usar apenas gírias e palavras de baixo calão – Jovens naturalmente se expressam com algumas gírias. Mas, utilizá-las sem limites indica vocabulário pobre e inadequado para o ambiente corporativo. Além disso, palavras de baixo calão não devem ser utilizadas em ambiente profissional.

Desvalorizar a oportunidade – Jovens que informam que participam da entrevista por pressão familiar ou apenas por estarem extremamente necessitados não interessam às empresas.

Comportamentos dos jovens nas redes sociais que influenciam negativamente na contratação:

Emitir, curtir ou compartilhar conteúdo violento ou preconceituoso – Quem produz ou apoia conteúdos violentos ou preconceituosos, em quaisquer âmbitos, está mostrando ao mundo quais são seus posicionamentos. Portanto, muitas empresas recusam-se a ter, em seus quadros de colaboradores, quem age de forma irresponsável no mundo virtual.

Posicionamento profissional irresponsável – Quem se vangloria por faltar no trabalho e emitir atestado falso, entre outras situações, está sujeito a mostrar ao mercado que não tem comportamento adequado para conseguir uma nova vaga de emprego.

Comportamentos adotados após empregado que fazem com que o jovem seja demitido:

Falta de pontualidade e faltas injustificadas – Demonstram, conforme citado, falta de comprometimento.

Dificuldade para trabalhar em grupo – Empresas são formadas por pessoas e é imprescindível que todos atuem em conjunto. Não se adaptar aos pares é um motivo para demissão.

Ignorar a hierarquia – Outro fator que motiva a dispensa dos jovens é que muitos deles têm dificuldade de entender e respeitar superiores. O tratamento com gestores deve ser profissional.

Desmotivação e desinteresse – O jovem que não demonstra interesse em aprender e foco em seu desenvolvimento profissional certamente não desperta nos gestores motivos para os manter no quadro de colaboradores.

Como ajudar os jovens a desenvolver habilidades comportamentais e competências?

Todas as pessoas precisam de desenvolvimento constante – e com os jovens não poderia ser diferente. Capacitá-los, de forma personalizada, é a melhor maneira de torná-los aptos ao mercado de trabalho.

Os jovens aprendem por exemplos e, também, por referências que os representam. Assim, de nada adianta utilizar linguagem inadequada com eles, com conteúdo corporativo criado para profissionais mais experientes. Se a ideia é ter eficiência, a capacitação deve ser totalmente pensada para o jovem, dentro de sua realidade.

Quando eu criei o Coaching Max, primeiro programa brasileiro de coaching para jovens, o fiz justamente porque sentia que os alunos de minha rede de ensino profissionalizante precisavam de um apoio para desenvolver habilidades comportamentais. Eu e minha equipe percebemos que nossos alunos nunca foram preparados para entender como a determinação, as metas e os objetivos, a resiliência, a empatia, as crenças limitantes, o compromisso, o comprometimento, a autoestima, o foco, o medo, a autorresponsabilidade e muitos outros sentimentos e virtudes poderiam ser trabalhados a favor de suas vidas pessoais e carreiras. Eles simplesmente ignoravam que havia, dentro deles, todas essas questões entremeadas.

Nós transformamos 100 temas em aulas de 30 minutos do Coaching Max, com vídeos e exercícios, às quais os alunos dos cursos regulares têm acesso minutos antes de seus cursos profissionalizantes, nas áreas de Profissional Administrativo Tecnológico; Games e Design; Analista de Suporte Técnico; Gestão Administrativa; Editor de Vídeos; Webdesigner; Marketing Digital; Programador Web; Youtuber; Gestão Comercial e Marketing; Secretariado; Gerente de Hotelaria e Turismo; Assistente de Refinaria e Mineração; Designer de Games; Gestão de Recursos Humanos; Kids (Mini Gênio); Informática Profissional Full; Atendente de Farmácia; Informática Profissional; Inglês Profissional, dentre outros.

Assim, em vez de apenas aprenderem a parte técnica dos cursos que adquiriam, os alunos também passaram a ter contato com conteúdo de desenvolvimento comportamental.

Muitos deles relataram, depois de algumas aulas, não entender por que havia uma inquietude que os fazia perder a paciência rapidamente, sem ponderar diante de uma situação estressante, por exemplo. Outros, ao contrário, disseram que, antes das aulas sobre determinação, objetivos e metas, sentiam um vazio enorme no peito, que os impedia de agir.

Confesso que o Coaching Max, desde sua criação, passou a ser a ‘menina dos meus olhos’. É a forma de eu ajudar os jovens a se desenvolver e, de alguma forma, levar a eles o apoio que eu mesmo não tive, naquela idade. Mas, essa é outra história, que um dia em vou contar aqui.

jovens do mercado de trabalho
Fábio Affonso, franqueador da MicroPro Desenvolvimento Profissional e Comportamental. Autor de “Comportamento inadequado afasta jovens do mercado de trabalho”. Foto: divulgação

Fábio Affonso é franqueador da MicroPro Desenvolvimento Profissional e Comportamental, uma rede com 35 escolas no estado de São Paulo. Apaixonado por ensino profissionalizante, ele idealizou o Coaching Max, primeiro programa de coaching para jovens, oferecido exclusivamente aos alunos da MicroPro como parte da estratégia de desenvolvimento comportamental da marca.

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Governo deve contingenciar para cumprir teto de gastos

Para alcançar esse o objetivo de cumprir o teto de gastos, advogado e economista Alessandro Azzoni acredita que o governo deverá focar na questão de reajustes de salários e previdenciários

Aprovado pelo Congresso no fim de março com uma séria de manobras fiscais para elevar emendas parlamentares – conta com uma previsão de despesas que extrapola o teto de gastos em quase R$ 32 bilhões, segundo projeção da Instituição Fiscal Independente (IFI).

Para cumprir a regra do teto de gastos, o governo precisará contingenciar todo esse montante da peça orçamentária, sob o risco de crime de responsabilidade. Esse valor é equivalente a quase um quarto do dinheiro que o governo pode gastar com investimentos e manutenção da máquina pública. Como opção, pode-se reduzir despesas não obrigatórias, ou negociar com o Congresso o corte nas emendas parlamentares, o que depende da aprovação de um projeto de lei.  

A peça orçamentária, que ainda precisa ser sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, subestimou gastos obrigatórios, como os benefícios previdenciários, e turbinou emendas parlamentares – recursos que deputados e senadores podem destinar para projetos em suas bases eleitorais. A equipe econômica pede vetos ao texto original e a recomposição dos gastos, ao mesmo tempo que a ala política pressiona pela sanção integral, com correção das contas ao longo do ano.

Segundo o advogado e economista Alessandro Azzoniconselheiro do SINFAC/SP (Sindicato das Sociedades de Fomento Mercantil Factoring do Estado de São Paulo), qualquer rompimento da barreira do teto passa uma imagem negativa, pois implica que a lição de casa do governo, de segurar os gastos públicos dentro do endividamento programado pelo teto, foi ultrapassado. “Isso significa que temos um risco fiscal, um risco de entrar em uma espiral de endividamento e, com isso, os investidores estrangeiros começam a analisar o Brasil com notas mais baixas nas qualificações de investimento e o impacto pode ser completamente negativo, pois dependemos das reservas internacionais”.

O especialista não tem dúvidas de que que o contingenciamento vai ser feito obrigatoriamente pelo governo, por causa da lei de responsabilidade fiscal. “Eu acredito que o governo deve fazer esse controle, deve cortar despesas de outras áreas. Vai ter que mexer muito nesse sentido, em reajuste de salários e reajustes previdenciários, pois grande parte do orçamento é consumido por folha de pagamento e previdência”, explica Azzoni.

O endividamento do Estado acaba refletindo diretamente na imagem do país, segundo o advogado. “Se você não tem um controle da dívida pública, temos um grande problema de imagem no exterior. A qualificação de risco de investimento das agências certificadoras serve como score. Sempre que descemos nosso score, os investidores internacionais – dos quais precisamos muito, para garantir as nossas reservas internacionais e os investimentos de empresas no Brasil – acabam se distanciando desse cenário de risco”, finaliza.

Governo deve contingenciar para cumprir do teto de gastos
Alessandro Azzoni
divulgação

Alessandro Azzoni – Advogado e economista, especialista em direito ambiental, com atuação nas áreas do Civil, Trabalhista e Tributário. É mestre em Direito da Universidade Nove de Julho, especializado em Direito Ambiental Empresarial pela Faculdade Metropolitanas Unidas (FMU). Graduado em direito pela FMU. Bacharel em Ciências Econômicas pela FMU.  Professor de Direito na Universidade Nove de Julho (Uninove). É Conselheiro Deliberativo da ACSP – Associação Comercial de São Paulo; Coordenador do NESA –Núcleo de Estudos Socioambientais – ACSP – Associação Comercial de São Paulo; Conselheiro membro do conselho de Política Urbana – ACSP – Associação Comercial de São Paulo; Membro da Comissão de Direito Ambiental OAB/SP.

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