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Mais que resíduos, recursos!

Um dos maiores problemas da humanidade é como agir em relação ao lixo. Lixo? Primeiramente, já começamos desmistificando esse termo horrível, do qual se subentende ‘sem serventia’.  Tudo que consumimos é considerado ‘resíduo’ e, mais que isso, Recurso; afinal, é um recurso natural extraído da natureza, que causa grandes impactos negativos à biodiversidade e aos próprios seres humanos e que pode ser utilizado novamente. Portanto, essa mudança de perspectiva é importante para tratarmos de forma mais adequada a questão.

Entre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODSs – da ONU, que representam metas de todos os países para serem cumpridas até o ano de 2030, o 12º ODS ‘Consumo e produção sustentáveis’, define objetivos para governos, empresas, população e todos os outros setores da sociedade, como responsáveis e peças-chave para uma reflexão sobre o consumismo desenfreado que instiga a produção de novos bens: faz-se urgente o repensar sobre um novo modo de vida, menos capitalista, que privilegie o não consumo exagerado, o compartilhamento desses bens e retorno a um ciclo produtivo.

São os 5 Rs da Sustentabilidade que nos direcionam para um melhor entendimento e proposição de ações em relação aos resíduos, reduzindo a quantidade que é destinada a aterros sanitários (a maioria em seu limite de recebimento e tratamento de resíduos), um grande problema de saneamento básico do Brasil – os lixões a céu aberto:

– Repensar: 1º passo, relacionado às mudanças de mentalidade e comportamento, que direciona a um consumo mais consciente;

– Recusar: se eu repenso, automaticamente, recuso-me a comprar o que é desnecessário, o que a mídia me impõe como ‘receita de felicidade’;  

– Reduzir: se eu repenso e recuso, consequentemente, reduzo meu consumo;

As etapas acima são as mais importantes!

– Reaproveitar: se eu adquiri, posso reutilizar/reusar o produto, do jeito que comprei, por exemplo, potes de conserva de vidro, garrafas PET, entre tantos outros materiais, dando um novo significado, como produtos de artesanato com conceito sustentável, o que dá mais valor e abrange um público novo, cada vez mais preocupado com as questões socioambientais;

– Reciclar: a reciclagem, isto é, a transformação químico-física do produto inicial no mesmo ou em outro, pela indústria, seria a etapa menos importante. Porém, até quando não diminuirmos nosso consumo, ela deve ser incentivada e realizada pelos governos e empresas, como ‘solução’ para utilizarmos menos recursos naturais novos.  

Somos corresponsáveis, enquanto cidadãos com direitos e deveres, pela destinação correta desses recursos e, principalmente as empresas, que devem realizar a logística reversa (está prescrito em legislação esse compromisso, com penalidades às empresas caso comprovado descarte incorreto), ou seja, as embalagens devem retornar à empresa de origem ou outra, para que os resíduos voltem ao ciclo produtivo por meio da reciclagem.   

Podemos em casa, no trabalho e locais de estudo, separar nossos resíduos em 2 tipos, para facilitar o incentivo e ação efetiva: em orgânicos (restos de alimentos), para serem utilizados na compostagem (adubo para plantas, natural) e recicláveis (papel, metal, plástico e vidro). Tantos outros produtos podem ser reaproveitados, como materiais de construção e óleo de cozinha usado, reciclados, como pilhas, baterias, eletrônicos e descartados de forma adequada a não contaminarem o meio e pessoas, como medicamentos vencidos e materiais hospitalares utilizados em casa, como agulhas para tratar diabetes. 

Há cidades com coleta seletiva porta-a-porta, operação cata-bagulho, com ecopontos em que você leva seus resíduos, ‘ferros-velhos’ e catadores autônomos que sobrevivem desses materiais e os recolhem em sua porta também. Para materiais mais específicos, temos que pesquisar os locais que os recolhem e destinam corretamente.

Não há desculpas para não fazermos nossa parte! Reflita sobre suas reais necessidades, seu consumo e as formas de destinação que você pode colaborar, para um meio com mais qualidade de vida e bem-estar a todos.  

Carolina Estéfano

Caminhos Coletivos: educação e gestão socioambientais

https://www.facebook.com/caminhoscoletivos/
carolinaestefano@hotmail.com

Prazo de plano para fim de lixões nos municípios encerrando

Datas foram definidas pelo Novo Marco Legal do Saneamento.

Com a publicação do Novo Marco Legal do Saneamento, associações de municípios estão alertando os gestores municipais sobre os prazos para que sejam feitas as adaptações contidas na lei. De acordo com as novas regras, todos os municípios devem apresentar até o final de 2020 um documento detalhando como pretendem acabar com os lixões a céu aberto. Além disso, capitais e regiões metropolitanas têm até agosto do ano que vem para substituir os depósitos de lixo por aterros sanitários. 

A Federação das Associações de Municípios do Estado do Pará (FAMEP) alerta que alguns municípios ainda não regulamentaram o que são os grandes geradores de lixo e por isso as empresas não estão sendo cobradas pelos Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS). A entidade ressalta que cobrar o documento é tarefa dos municípios, que também devem fiscalizar coleta de resíduos, limpeza urbana, transportadores, destinação adequada e da logística reversa.

Os gestores locais também são responsáveis por cobrar a taxa de coleta de resíduos e de limpeza urbana dos contribuintes, e por isso precisam adequar o código tributário para poderem realizar os serviços.

Fonte: Brasil 61

Jornal Grande ABC

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