Diadema elege Filippi (PT): Será seu quarto mandato na prefeitura

O petista José de Filippi Júnior foi eleito neste domingo (29) prefeito de Diadema, em uma vitória considerada simbólica para o PT. Este será o quarto mandato do petista à frente da cidade do ABC paulista. O vencedor recebeu 51,3% dos votos, enquanto o rival Taka Yamauchi (PSD) somou 48,6%, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Diadema elege Filippi (PT)

A cidade de Diadema é emblemática para o PT em um momento de crise do partido. O município foi o primeiro a eleger um prefeito petista, em 1982. Desde então, a legenda cumpriu seis mandatos à frente da cidade, sendo três deles de Filippi. O PT chegou a ter nove prefeituras na Grande São Paulo, mas nas últimas eleições municipais, de 2016, conquistou apenas Franco da Rocha. Neste ano, disputou o segundo turno, além de Diadema, em Guarulhos e Mauá.

Filippi, 63, governou o município da Grande São Paulo entre 1993 e 1996 e por dois mandatos seguidos entre 2001 e 2008. O petista também foi deputado estadual e deputado federal, entre 2013 e 2015, e secretário de Saúde do município de São Paulo durante o governo de Fernando Haddad (PT).

Eleição 2020 Diadema elege Filippi (PT)

Em março de 2016, ele foi investigado pela Lava Jato por sua atuação como tesoureiro das campanhas dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, e Dilma Rousseff, em 2010. Filippi nunca foi acusado formalmente.

Para ser eleito neste ano, Filippi disputou com uma chapa puramente petista, tendo como vice Patty Ferreira, mas contou com o apoio dos partidos Solidariedade, PL, Avante e Patriota. Durante a campanha, Fillipi foi nostálgico e destacou feitos de suas gestões anteriores, principalmente ao criticar o atual prefeito, Lauro Michels Sobrinho (PV), a quem atribuiu “o pior governo de Diadema”.

Também reforçou reiteradas vezes a inexperiência de seu adversário, Yamauchi, que concorreu pela segunda vez ao cargo, sem ser eleito. Fora isso, o único cargo público que ocupou foi o de secretário de obras de Ribeirão Pires.

A cidade do ABC paulista tem mais de 400 mil habitantes, sendo o 14º município mais populoso do estado. Saúde, segurança e emprego são as principais preocupações da população local. Cerca de 120 mil pessoas recebem o auxílio emergencial, 19 mil são beneficiários do Bolsa Família e 9.000 recebem o BPC (Benefício de Prestação Continuada), destinado a idosos de baixa renda, segundo levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Fonte: UOL

Candidatos trocam farpas em debate em Diadema

Depois de pedir para os eleitores darem “adeus ao passado”, o candidato Taka Yamauchi (PSD) voltou no tempo para acusar seu adversário, Filippi (PT), durante o debate em Diadema (SP), com os candidatos no segundo turno. Ele criticou a atuação do petista como secretário da Saúde durante o governo de Fernando Haddad (PT). Filippi também usou o currículo do ex-secretário de Obras de Ribeirão Pires, na Grande São Paulo. Disse que ele precisaria de uma gestão bem-sucedida antes de tentar um cargo no Executivo. Chamou inclusive o concorrente de inexperiente. “Recomendo uma nova experiência antes de você se candidatar.”

O evento foi organizado pelo UOL em parceria com a TVT, a Rede Brasil Atual, a Uninove e a OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo). A corrupção só apareceu nas últimas perguntas do evento, quando candidato perguntava para candidato, mas foi quando o debate ganhou forma e temperatura.

“Falar em Lava Jato é um prato cheio”, disse Yamauchi, sem contudo responder à pergunta de Filippi, sobre se ele considerava corrupto Gilberto Kassab, presidente do PSD, partido do candidato. Yamauchi preferiu falar que a ex-presidente Dilma Rousseff “destruiu a esperança”. Em seguida, foi criticado pelo petista, que disse não estar na Lava Jato. “Não encontraram nenhuma irregularidade contra mim, nenhum malfeito”, afirmou, ressaltando que Kassab é réu na operação. “Você que está acostumado a lidar com a Polícia Federal. Eu não”, rebateu Yamauchi.

Filippi já governou o município por três gestões —entre 1993 e 1996 e por dois mandatos seguidos, entre 2001 e 2008.

Usando o discurso antipetista, Yamauchi também disse que Filippi vai transformar Diadema em um cabide de emprego. “Vai trazer a Dilma [Rousseff], o [Aloizio] Mercadante. Comigo não vai ter cabide de emprego”, afirmou. Em resposta, Filippi o associou ao atual governo, “o pior que Diadema já teve”, e voltou a dizer que seu adversário precisa “se capacitar mais” antes de tentar ser eleito.

Outro alvo de críticas foi a gestão da pandemia pelo atual prefeito, Lauro Michels Sobrinho (PV), aí pelos dois concorrentes. “O prefeito atual está ausente no enfrentamento desse problema”, criticou Filippi, que foi também deputado estadual e deputado federal e, entre 2013 e 2015. “Lembro que moradores das cidades vizinhas vinham se atender em Diadema, e agora acontece o contrário.”

Yamauchi também criticou a atual gestão. “2020 mostrou como saúde é importante em nossas vidas. Diadema não mostrou nenhuma ação efetiva nesses meses, reflexo claro da inoperância do atual prefeito.” Yamauchi foi secretário de Obras do governo tucano de Ribeirão Pires, mas deixou o cargo para disputar as eleições. Em 2016, ele ficou em terceiro lugar. A secretaria que ele administrava na cidade da Grande São Paulo é alvo de denúncias do Tribunal de Contas do Estado por obras paradas. No primeiro turno, Filippi teve 45,65% dos votos, enquanto Yamauchi teve 15,62%.

Resultado Prefeito e Vereadores de Diadema

PREFEITO

  • 45,65% 92.670 votos PT – 13 FILIPPI – SEGUNDO TURNO
  • 15,42% 31.301 votos PSD – 55 TAKA YAMAUCHI- SEGUNDO TURNO
  • REVELINO ALMEIDA – PRETINHODEM – 10,11%  •  20.524 Votos
  • RONALDO LACERDAPDT – 5,26%  •  10.684 Votos
  • MARCOS MICHELSPSB – 2,75%  •  5.588 Votos
  • GESIEL DUARTEREPUBLICANOS – 2,49%  •  5.054 Votos
  • DENISE VENTRICIPRTB – 0,93%  •  1.882 Votos
  • RAFAELA BOANIPSOL – 0,90%  •  1.835 Votos
  • JHONNY RICHPSL – 0,75%  •  1.532 Votos
  • ARQUITETO DAVIDPSC – 0,68%  •  1.378 Votos
  • DR AIRTONPMB – 0,24%  •  485 Votos
  • PROFESSOR IVANCIPSTU – 0,18%  •  360 Votos

VEREADORES

  • 5.140 votos PT – 13.612 ORLANDO VITORIANO
  • 4.647 votos CIDADANIA – 23.500 RODRIGO CAPEL
  • 4.024 votos PT – 13.616 JOSA
  • 3.681 votos CIDADANIA – 23.663 ZÉ DO BLOCO
  • 3.647 votos CIDADANIA – 23.777 BOQUINHA
  • 3.578 votos REPUBLICANOS – 10.123 PASTOR JOAO GOMES
  • 3.497 votos PT – 13.671 ZÉ ANTÔNIO
  • 3.340 votos PDT – 12.615 JEFERSON LEITE
  • 2.951 votos PODE – 19.123 MARCIO JR
  • 2.600 votos PSB – 40.102 JERRY BOLSAS
  • 2.539 votos PSB – 40.640 CICINHO
  • 2.471 votos PV – 43.190 CABO ANGELO
  • 2.321 votos PV – 43.100 TALABI
  • 2.233 votos PROS – 90.800 EDUARDO MINAS
  • 1.852 votos PSD – 55.010 DEQUINHA POTÊNCIA
  • 1.849 votos PT – 13.654 NENO
  • 1.806 votos DEM – 25.002 BOY
  • 1.792 votos PSDB – 45.015 EDVAL DA FARMACIA
  • 1.681 votos DEM – 25.250 LUCAS ALMEIDA
  • 1.496 votos PT – 13.610 LILIAN CABRERA
  • 1.465 votos PROS – 90.656 REINALDO MEIRA

Segundo Turno

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclarece que essa condição é somente para cidades com mais de 200 mil eleitores. O segundo turno acontecerá dia 29 de novembro.

Essa regra está prevista nos artigos 28 e 29 da Constituição de 1988, determinando, além do limite mínimo de habitantes, que o “segundo turno poderá ocorrer apenas nas eleições para presidente e vice-presidente da República, governadores e vice-governadores dos estados e do Distrito Federal, e para prefeitos e vice-prefeitos.”

Irá para o segundo turno os dois candidatos a prefeito com maiores números de votos, caso nenhum deles tenha atingindo mais da metade dos votos válidos – excluindo brancos e nulos. Ou seja, o resultado é decidido pelo critério da maioria absoluta.

DIADEMA possui 329.171 eleitores, portanto, caso nenhum candidato consiga a regra acima, haverá segundo turno.