O barato que não sai caro

“O barato sai caro”. Nunca este ditado popular foi tão apropriado para o momento recente do comércio internacional. No final do mês de março, o supernavio Ever Given encalhou provocando o bloqueio do Canal de Suez e causando causou enormes transtornos em uma das principais rotas do transporte marítimo mundial. Foram mais de 400 navios parados por seis dias na entrada do estreito que divide a África do Oriente Médio até a conclusão da operação de desencalhe da embarcação.

Thomas Raad, trader de commodities e sócio da Raad International Trading, informa ser importante sempre fazer seguros da carga independentemente de qual tipo ela seja ou para qual destino ela vai. “Pode encarecer um pouco o transporte, mas o dia que se faz necessário, o seguro acaba sendo a coisa cara mais barata que existe no mundo”, brinca.

Segundo o trader, a recomendação para o importador é sempre colocar a carga no seguro. “Se uma empresa está importando do Brasil e levando para a China ou Dubai, por exemplo, deve segurar a mercadoria porque é um valor muito insignificante em relação ao total, entre 1% e 2%”, estima.

Raad cita um caso anterior ao problema ocorrido no Canal de Suez de um importador do Líbano, que quando a carga chegou ao porto, o piso do contêiner estava todo molhado e o café que ele importou pegou mofo, tendo perda total do produto. E não tinha seguro. “Foi um dinheirão jogado fora e não adianta reclamar porque essas empresas donas dos navios são multibilionárias e não fazem nada, não adianta nem tentar processar”, adverte.

Entre os principais impactos causados pelo incidente para as operações de comércio internacional que envolvem o transporte marítimo, o frete da China quintuplicou, segundo Raad.

Embora o incidente tenha ocorrido na região, Raad afirma que o Oriente Médio não deve sofrer um impacto grande nos preços tanto de produtos quanto de fretes em função dos operadores marítimos utilizarem outras rotas. “Depende dos operadores de transporte marítimo e donos de navios. São várias rotas que podem ser feitas, por exemplo, uma operadora pode preferir ir para a Espanha primeiro ou para a Itália para depois ir para o Oriente Médio. Já outra pode preferir ir para a África primeiro para depois subir”, exemplifica.

Sobre Thomas Raad

Nascido nos Estados Unidos, Thomas Raad atualmente vive no Brasil. Fluente em árabe, inglês e português, cursou Administração de Empresas com ênfase em Comércio Exterior e desde os 24 anos atua como trader de commodities, sendo especialista na exportação de café e outros alimentos e especiarias.

Sua trading company, Raad International Trading, já exportou produtos como café, arroz, pimenta do reino, derivados de milho, gergelim, açaí, carvão vegetal e amêndoas de cacau. Além de negócios no Brasil, já exportou café da Colômbia e Vietnã e orégano do Peru.

Para mais informações, acesse Raadint.com e pelo Instagram, Youtube, Linkedin e medium pelo nome @thomasraad

O barato que não sai caro
Foto de Andre Furtado no Pexels

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O que muda para clientes e profissionais do Mercado Financeiro?

Meses após a declaração do estado de pandemia mundial, em 2020, a Deloitte e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgaram a Pesquisa de Tecnologia Bancária que apontou uma mudança de comportamento do consumidor, que cada vez mais prioriza os meios digitais para realizar transações bancárias. No comparativo entre os anos de 2019 e 2020, considerando ambientes de mobile banking, houve aumento de 105% na consulta de investimentos, 61% na contratação de crédito, 33% nos pagamentos e 24% nas transferências. Os clientes estão mais seguros para usar as plataformas digitais e as instituições financeiras estão dispostas a investir em inovação e talentos profissionais para lidar com a alta competitividade no novo mercado financeiro.

Neste contexto, novas oportunidades surgem para clientes (no que diz respeito a liberdade e possibilidades de atendimento) e profissionais que atuam no setor, que agora vislumbram um horizonte promissor no âmbito do plano de carreira fora dos bancos tradicionais.

Na avaliação de Ronaldo Cerqueira, integrante da comissão especial do Linkedin Global para o desenvolvimento de profissionais, muitos candidatos se limitam a buscar vagas apenas nos bancos líderes – e isso pode ser um equívoco. “Com o avanço da digitalização e movimentos como open banking e banking as a service, nunca fez tanto sentido a frase ‘o grande emprego não necessariamente vem do grande empregador’. Bancos de varejo, atacado, investimentos, digitais, fintechs, FIDCs, cooperativas, corretoras, seguradoras, researches e financeiras estão de olho em recursos humanos para alavancar suas operações”, pontua o consultor especialista em carreiras no mercado financeiro.

Sobre o relacionamento dos clientes com as instituições financeiras, o relatório Pace Pulse Brasil (realizado pela FIS em conjunto com o instituto Ipsos) ouviu 2 mil pessoas adultas, com e sem conta bancária e pertencentes a diferentes classes sociais, sobre como a pandemia mudou as formas de pagamento e de atendimento. As carteiras digitais já foram adotadas por 76% dos jovens adultos (24 a 28 anos) e adultos (29 a 39 anos). Ainda de acordo com a pesquisa, a pandemia fez com que 82% dos consumidores mudassem a forma de se comunicar com o banco, o que mostra que as agências físicas estão perdendo espaço para os serviços bancários on-line.

“A geração Y e Z mudou radicalmente a relação de consumo de serviços financeiros e força uma saudável mudança. Agora os grandes players bancários têm bancos digitais, fintechs, corretoras e cooperativas, entre outros, como adversários na busca pela relação íntima com o cliente, seja ele pessoa física ou jurídica”, analisa Ronaldo Cerqueira.

Tendência é de abertura de novas instituições financeiras

De acordo com dados do Bacen de março de 2021, existem 1.940 instituições financeiras em operação no Brasil. Ronaldo Cerqueira afirma que o open banking motivará o crescimento deste número, sobretudo com o surgimento de novas instituições ligadas ao varejo impulsionadas pelo conceito de banking as a service (conjunto de soluções que permitem uma empresa criar e ofertar soluções financeiras) e pelo potencial de mercado representado pelos 40 milhões de brasileiros desbancarizados (fonte: Americas Market Intelligence/Mastercard, outubro de 2020).

“Cerca de 40 milhões de brasileiros não têm relacionamento com bancos, sequer de conta corrente, mesmo após uma imensa ação da Caixa Econômica Federal como canal distribuidor do auxílio emergencial concedido pelo Governo Federal. Existe um mar inexplorado e cheio de oportunidades para novos e antigos players na indústria financeira. No novo mercado financeiro o cliente tem independência e autonomia sobre seus dados e tem disponível, na palma da mão, uma ampla oferta de produtos e serviços aderentes à sua realidade. Quem souber conectar as novas necessidades do consumidor ao maior valor agregado na prestação de serviço terá vantagem competitiva”, conclui o consultor especialista em mercado financeiro.

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O que muda para clientes e profissionais do Mercado Financeiro?
Ronaldo Cerqueira Foto: Divulgação

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