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Modelo de cidade inteligente lançada na Espanha

A ACCIONA e a Câmara Municipal da cidade de Toro, localizada na província de Zamora (Espanha), implementaram modelo de cidade inteligente, um sistema de sensorização e monitorização em tempo real dos principais serviços urbanos em andamento na cidade. Essa ação transforma a região em uma das cidades inteligentes mais avançadas da Europa.

O sistema consiste em 200 sensores sem fio, de baixo consumo, conectados a uma rede que coleta dados da iluminação urbana em tempo real, além do ciclo integral da água, da coleta de lixo, da gestão de parques e jardins municipais e também de veículos de manutenção urbana.

Esses dispositivos de monitoramento capturam dados relevantes de cada um desses serviços que são analisados usando a tecnologia de Big Data para tomar decisões de gerenciamento em tempo real, capazes de afetar alguns serviços. São eles:

Iluminação: os sensores determinam a necessidade ou não de acender os pontos de luz públicos, pois permitem ajustar a iluminação à luz real que existe em todos os momentos (não só com base no tempo, mas também nas condições meteorológicas, etc.).

Lixo e reciclagem: foram instalados sensores de enchimento e temperatura para determinar de forma dinâmica as rotas de coleta de lixo, evitando acúmulos ocasionais de resíduos e odores, bem como os deslocamentos desnecessários. Desta forma, o serviço ao cidadão é melhorado, ao mesmo tempo em que se economiza em emissões de CO2 e em custos operacionais.

Veículos de serviço urbano (manutenção e obras municipais) e jardinagem: os sensores monitoram a posição desses veículos para minimizar o tempo de resposta em caso de incidentes e otimizar as rotas.

Gestão da água: são monitoradas as informações dos hidrômetros – aparelhos que medem o consumo da água – além da instalação de sensores Ad-Hoc. Isso protege o meio ambiente, reduz possíveis perdas de água e também evita problemas de faturamento excessivo devido a vazamentos não detectados. Além disso, ao facilitar a solução de problemas, as falhas de água são minimizadas.

Nesse sentido, além dos sensores, o projeto, denominado “Smart Water Lights”, prevê a implantação de uma rede de comunicação sem fio de baixo consumo, que permite a transmissão de dados por longas distâncias.

Esta tecnologia tem a vantagem de reduzir o consumo de bateria para que os sensores instalados tenham uma longa autonomia de funcionamento – essencial para a viabilidade e escalabilidade do sistema. Desta forma, mostra-se como uma ótima alternativa para equilibrar o poder de coleta e processamento de dados, com a vida útil da bateria e necessidades de manutenção.

A ACCIONA gere o serviço urbano de água da cidade de Toro desde 2001, tanto o abastecimento como o saneamento e purificação da água, através de uma concessão de 25 anos. O contrato inclui a gestão de assinantes, leitura de contadores, controle de qualidade da água, reparação de avarias, realização de novas redes e ligações, manutenção de captações e D.A.R., entre outros.

Sobre a ACCIONA

A ACCIONA é uma empresa global, líder no fornecimento de soluções regenerativas para uma economia descarbonizada. Seus serviços abrangem energia renovável, tratamento e gestão de água, transporte ecoeficiente e sistemas de mobilidade, infraestruturas resilientes, entre outros. A empresa, que está presente em mais de 60 países, é neutra em carbono desde 2016. Em 2020, a ACCIONA registrou faturamento de € 6,4 bilhões.

Mais informações: www.acciona.com.br / Instagram/Facebook/LinkedIn: @acciona

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Modelo de cidade inteligente lançada na Espanha
Foto: Divulgação

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Da luta contra o trabalho escravo ao cinema

Pureza Lopes Loyola é uma trabalhadora rural que, depois de ficar sem notícias do filho, em 1993, vendeu tudo o que tinha no Maranhão e saiu em uma jornada de três anos à procura dele. No trajeto se deparou com trabalhadores vítimas de maus tratos e em situação semelhante à escravidão. Confira da luta contra o trabalho escravo.

O reencontro de mãe e filho aconteceu três anos depois no Pará, quando ele conseguiu fugir de uma fazenda da região.

A saga dessa maranhense foi parar nos cinemas. O diretor Renato Barbieri diz que o filme levou 12 anos para ficar pronto. Ele, que trabalha há décadas com temas ligados à escravidão, conheceu os detalhes dessa busca por meio de um amigo fotógrafo, e se inspirou na coragem de Dona Pureza para contar a história.

Do interior do Maranhão a Londres. Dona Pureza recebeu um Prêmio Internacional contra a Escravidão da AntiSlavery International Award, a ONG mais antiga e respeitada do mundo nessa temática.

A trajetória dessa mulher a transformou em um ícone na luta contra a exploração e os maus tratos a trabalhadores. Aqui no Brasil, ela teve um papel importante para que o país passasse a reconhecer, em 1995, a existência do trabalho escravo moderno. Foi quando começaram os resgates, como explica o diretor Renato Barbieri.

O que pode explicar também porque muitos trabalhadores brasileiros têm dificuldade em reconhecer o trabalho escravo moderno. Na avaliação de Renato, nascemos dentro de uma mentalidade escravagista, que acompanha o brasileiro há séculos e acaba normatizando a escravidão.

O chamado trabalho escravo contemporâneo é caracterizado em quatro situações diferentes: condições degradantes de trabalho, jornada exaustiva, trabalho forçado e também a servidão por dívida, como explica o procurador Italvar Medina, vice-coordenador nacional de Erradicação do Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.

O procurador explica ainda que quando os trabalhadores são resgatados, o vínculo trabalhista é encerrado com direito a todas as verbas rescisórias. Se não houver acordo com o empregador, o caso vai pra Justiça, para que a vítima receba o que tem direito.

O empregador que explora o trabalho escravo fica sujeito à multa e responde a ação civil por danos morais e à ação criminal no Ministério Público Federal, além de entrar para lista suja do trabalho escravo.

Denúncia contra trabalho semelhante à escravidão pode ser feita por meio do Disque 100 ou pelo site mpt.mp.br ou ainda presencialmente nas procuradorias do Ministério Público ou nas superintendências.

Com informações de Agência Brasil.

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Da luta contra o trabalho escravo

Fome aumenta no Brasil, na medida em que caem as doações

A pandemia do novo coronavírus trouxe inúmeros desafios que vão além do campo da saúde. Pesquisadores apontam aumento dos casos de transtornos mentais – como depressão e ansiedade – decorrentes do isolamento social e das incertezas em relação à Covid-19. Aulas remotas acentuaram a desigualdade na educação do País. E o fechamento de atividades econômicas não essenciais levou ao agravamento da crise financeira no Brasil, com estimativa de queda de 4,3% do PIB, segundo o Ipea, além da taxa recorde de 14,2% no desemprego, segundo o IBGE. Com isso, a fome aumenta no Brasil nos últimos meses.

Uma das situações mais graves enfrentadas por muitas famílias é a fome. Uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) mostra que mais de 20,7 milhões de brasileiros passaram a se alimentar de forma ainda mais irregular desde o início da pandemia, por falta de dinheiro para comprar comida.

Para tentar compensar a falta de renda das famílias brasileiras, o governo federal lançou, em abril de 2020, o Auxílio Emergencial, com 5 parcelas de R$ 600 e outras quatro de R$ 300 da extensão do benefício. Os valores socorreram 68 milhões de brasileiros, mas foi negado a 35 milhões que não atendiam aos critérios do programa. Ao final de 2020, o Auxílio Emergencial foi cortado. 

Com a situação à mesa tão precária, diversas instituições filantrópicas se mobilizaram ao longo do ano para levar alimentos às famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. No entanto, as doações vêm caindo.

Fome aumenta no Brasil: Alternativa com Banco das Favelas

A favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, possui população de 100 mil habitantes – maior que 94% dos municípios brasileiros. Segundo o líder comunitário da região, Gilson Rodrigues, a comunidade não consegue atender às recomendações da Organização Mundial da Saúde. “A realidade das favelas é que as pessoas vivem de maneira aglomerada. Existe uma constante falta de água. O serviço do SAMU não vem até locais periféricos. E a situação se agrava devido à fome e ao desemprego”, comenta.

Segundo ele, a demanda por alimentos cresceu em Paraisópolis, ao passo que as doações diminuíram nos últimos meses. A União dos Moradores e do Comércio conseguia entregar 10 mil marmitas por dia, com as doações. Em setembro, o número caiu para 5 mil. Agora em janeiro, a organização só consegue entregar 500 marmitas diariamente. Gilson Rodrigues avalia que a queda nas doações se deu pela dificuldade financeira provocada pela pandemia.

Diante do cenário, o G10, grupo formado pelas dez maiores favelas do Brasil – Rocinha (RJ), Rio da Pedras (RJ), Higienópolis (SP), Paraisópolis (SP), Cidade de Deus (AM), Baixadas da Condor (PA), Baixadas da Estrada Nova Jurunas (PA), Casa Amarela (PE), Coroadinho (MA) e Sol Nascente (DF) –, se mobilizou para levar doações de cestas básicas, álcool em gel, máscaras e cartões vale-refeição para seus moradores.

Fome aumenta no Brasil, na medida em que caem as doações

O líder comunitário, e também coordenador nacional do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, explica que os alimentos são adquiridos na própria comunidade, para estimular as vendas do comércio local – que emprega 21% dos trabalhadores de Paraisópolis. Outra iniciativa para mitigar os impactos econômicos é o G10 Bank.

“O G10 Bank pretende ser a maior rede de apoio de micro e pequenos negócios das favelas do Brasil, oferecendo crédito, mentoria e desenvolvimento, garantindo que as favelas possam continuar prosperando como estavam em 2019”. Segundo Gilson, o objetivo do G10 Bank é oferecer crédito e serviços bancários para reverter recursos para a população que mais precisa. Atualmente, 45 milhões de brasileiros estão desbancarizados, sendo a maior parte composta por moradores das favelas.

O G10 também criou o “Comitê das Favelas – Presidentes de Rua”, no qual cada morador voluntário é responsável por acompanhar, durante a pandemia, 50 casas da comunidade. O objetivo é monitorar e apoiar as famílias; chamar o socorro médico, se necessário; distribuir cestas de alimentos e identificar moradores que queiram empreender, para serem auxiliados pelo G10 Bank. 

Povos e comunidades tradicionais

Os povos tradicionais no Brasil – indígenas, quilombolas e ribeirinhos – também foram afetados pela Covid-19. Para reduzir a fome dessas comunidades, o governo federal distribuiu cerca de 400 mil cestas de alimentos para 222 mil famílias dessas localidades. Ao todo foram disponibilizados R$ 45 milhões para a ação. 

Arte - Brasil 61

O Secretário Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Paulo Roberto, destaca a Medida Provisória 1008/2020, que dará continuidade no atendimento a essa população.

“Como a pandemia não encerrou, em outubro, o Presidente da República editou a MP 1008 que dá um recurso extraordinário ao Ministério da Cidadania, para continuar a operar no enfrentamento a essa questão tão urgente que é a fome. A fome não pode aguardar, não pode esperar a burocracia”, ressalta.

Além do Ministério, outros órgãos participaram da entrega das cestas e da disponibilização dos recursos, como a Companhia Nacional de Abastecimento, Fundação Nacional do Índio e Fundação Cultural Palmares.

Organizações Não-Governamentais

Aline Araújo Silva mora com o marido e mais quatro filhos, no bairro de Feitosa, em Maceió/AL. Ela conta que, durante a pandemia, o marido ficou desempregado e não podia fazer bicos, por conta do isolamento social. As dificuldades foram amenizadas graças ao trabalho da Legião da Boa Vontade (LBV).

“Graças à LBV, nós conseguimos passar por isso. Desde o início da pandemia, a LBV vem ajudando com doações de cesta básica, cesta verde e o que eles têm conseguido doar para a gente”, relata.

A LBV possui 82 unidades físicas de atendimento, espalhadas por todas as regiões do Brasil, sendo Norte e Nordeste as de maior vulnerabilidade socioeconômica. Segundo o assessor de comunicação da LBV em Brasília, José Gonçalo, a instituição vai distribuir mensalmente, enquanto durar a pandemia, cestas de alimentos e kits com material de limpeza e higiene para as famílias atendidas. Ele detalha como elas são selecionadas.

“São famílias inseridas em serviços e programas já desenvolvidos pela instituição, em todas as suas unidades; além das que participam de atividades de instituições parcerias da LBV e cadastradas nos Centros de Referência de Assistência Social dos Municípios (CRAS)”, explica.

Pelo site lbv.org é possível conferir fotos e informações sobre os atendimentos da instituição pelo Brasil e as formas de doar.

Outro trabalho que merece destaque é a “Ação contra o Coronavírus”, da ONG Ação da Cidadania. Durante a pandemia, em 2020, a instituição conseguiu arrecadar 50 milhões de reais, somando doações de recursos e alimentos. Contudo, o diretor-executivo da ONG Ação da Cidadania, Kiko Afonso, avalia que o número ainda é pequeno perante à dificuldade alimentar dos brasileiros.

“Conseguimos apoiar três milhões de pessoas, com um sustento de uma cesta básica, que dá mais ou menos para um mês de alimentação. Ou seja, é muito pouco, comparado com a necessidade que se tem, quando se olha os dados do IBGE, de 2018 – dois anos antes da Covid – que mostra que temos mais de 80 milhões de brasileiros com algum grau de insegurança alimentar”, avalia.

O diretor-executivo afirma que esse tipo de ação precisa ser contínua, no entanto, as doações vêm caindo.

“Assim que o drama passa, a tragédia passa e a mídia não está mais olhando esse problema de forma ostensiva, as pessoas começam a diminuir a doação. Além da questão cultural, de que as pessoas não têm o hábito de doação contínua, ainda tem o problema da crise. As pessoas estão sem dinheiro, as empresas estão sem dinheiro”. Ele afirma que as pessoas em necessidade não podem esperar para receber apoio para comer; elas precisam comer agora.

Kiko Afonso ainda ressalta que, com o fim do Auxílio Emergencial, as doações serão ainda mais necessárias em 2021. Para doar para a ONG Ação Cidadania, acesse o site: acaodacidadania.org.br.

“Fome aumenta no Brasil, na medida em que caem as doações” em parceria com Brasil 61

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Fome aumenta no Brasil, na medida em que caem as doações
Mobilidade Urbana: desafios

Mobilidade Urbana: desafios na gestão e uso de bicicletas nos municípios

O objetivo é compreender os desafios para poder regulamentar o Programa Bicicleta Brasil e da Mobilidade Urbana e seus desafios no país.

Uma pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) analisa os principais desafios dos gestores municipais quanto à regulamentação do Programa Bicicleta Brasil. A iniciativa estimula o uso de bicicletas no meio urbano, para melhorar as condições de mobilidade, além de prever um direcionamento de verbas para a infraestrutura.

Os congressistas aprovaram em 2018 a Lei do Programa Bicicleta Brasil (Lei 13.724/2018). Então, agora há um esforço do movimento municipalista e de diferentes organizações. Com a finalidade de que ela seja regulamentada junto ao Governo Federal. O Grupo Gestor da Estratégia Nacional da Bicicleta é responsável pela iniciativa. Este, liderado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional e pela União dos Ciclistas do Brasil.

Mobilidade Urbana: desafios além das Ciclovias

O coordenador do Grupo de Trabalho de Políticas Públicas da União de Ciclistas do Brasil, Yuriê Baptista César, explica que a norma vai além da construção de ciclovias.

“A lei que criou o Programa Bicicleta Brasil inclui infraestrutura, campanha de educação, outras ações a serem realizadas e a parceria do governo com a sociedade civil e o setor produtivo, para promover o uso da bicicleta”.

Yuriê Baptista César afirma que é visível o aumento de ciclistas e a venda de bicicletas, por conta da pandemia e o fechamento de academias no período. Portanto, ele detalha o reflexo desse cenário nos municípios.

“Isso gera uma maior necessidade do poder público de responder a essa demanda que foi colocada. A gente fala muito, quando vai cobrar medidas para estimular o uso da bicicleta, que existe uma demanda reprimida muito grande de ciclistas, de pessoas que querem utilizar a bicicleta e que não utilizam porque não sentem segurança para usá-la”. 

Gustavo Carvalho, analista de sistema, conta que sempre usou a bicicleta desde a infância no interior da Bahia, principalmente para lazer. Como não tinha ciclovia, ele se locomovia em praças e entre os carros. Todavia, agora que mora na cidade de São Paulo, usufrui da segurança dos espaços destinados aos ciclistas.

“Eu amo andar de bike em São Paulo. São vários pontos turísticos que eu gosto de visitar, e grande parte do percurso tem ciclovia, é de fácil acesso. Alguns locais, mas são poucos, não tem. Claro, nesses eu me sinto inseguro de passar, em relação ao trânsito. Até pelo que a gente vê na mídia, de acidentes com ciclistas”, comenta. 

Mobilidade Urbana: desafios pelo país

Mobilidade Urbana desafios

Carleane da Silva Santos, de 32 anos, mora em Imperatriz/MA, e é consultora de negócios. Ela conta que pedala em média 3 ou 4 vezes por semana, para tratar um problema de asma.  Mas reclama da falta de espaços para pedalar com segurança, na cidade.

“É muito ruim, não tem ciclovia. A gente tem que dividir o espaço com os carros. E se torna muito arriscado, porque aqui tem muito acidente. Seria bacana se aqui pudesse ter ciclovia, para termos um pedal mais seguro, tranquilo, menos perigoso”. 

Ela conta que no pouco espaço que tem ciclovias, as pessoas não utilizam corretamente. “Falta incentivo para que essas pessoas tenham uma educação no trânsito, para usar a ciclovia de uma forma correta”, completa.

Mobilidade Urbana: desafiosFoto Carleane da Silva Santos

Dessa maneira, as ações implementadas pelas entidades estaduais e municipais devem priorizar o estímulo ao desenvolvimento de projetos de infraestrutura cicloviárias. Por exemplo, a construção de bicicletários em terminas do transporte público coletivo, instalação de paraciclos e estacionamentos específicos nos locais de grande fluxo de pessoas. Além disso, de equipamentos de apoio aos usuários – como banheiros e bebedouros –, sistema de locação de bicicletas a baixo custo em locais estratégicos. Por fim, a elaboração e divulgação de campanha que estimulem o uso seguro da bicicleta.

Mobilidade Urbana: desafiosArte - BRASIL 61

Incentivos

O coordenador do Grupo de Trabalho de Políticas Públicas da União de Ciclistas do Brasil, Yuriê Baptista César, também fala sobre o como o incentivo ao uso de bicicletas promove benefícios para o meio urbano.

“Além de ser um meio de transporte eficiente, é um meio de transporte que promove benefícios para quem pedala, em termos de saúde. Promove benefícios para a cidade, porque quanto mais gente pedalando, menos gente vai andar de carro, menos poluição será emitida, menos gastos com saúde pública vão acontecer decorrentes da poluição e dos acidentes”, destaca.

A pesquisa quanto aos desafios da regulamentação do Programa Brasil Bicicleta deve ser realizada pelos próximos 80 dias. Então, o questionário será aplicado tanto na área da gestão, quanto para os usuários de bicicletas. Entre as perguntas, os gestores devem responder se o município conta, por exemplo: com algum órgão de trânsito, se tem um planejamento que contemple a bicicleta, quais são os desafios para implementar o programa, se precisa de apoio técnico e financeiro, entre outros.

A analista de mobilidade da CNM, Luma Costa, detalha o objetivo da pesquisa.

“Identificar quais são os desafios da área de gestão dos municípios. Queremos compreender esses desafios para regulamentação e direcionamento dos recursos desse programa. Ainda há que se decidir como vai ser esse fluxo de transferência de recurso. Para isso, é preciso ver quais são os municípios que mais precisam”. 
Ela destaca a importância do Programa para os municípios de pequeno e médio porte.

“A CNM entende que para os municípios de pequeno e médio porte, é uma política muito importante. Muitos deles não tem transporte público. Então, o incentivo desses outros modais, é primordial”, ressalta.

Os novos gestores devem responder nova pesquisa no ano que vem, afirma Luma Costa. Como resultado, se ter um comparativo com o ano de 2020. 

O estudo tem o apoio da Confederação Nacional dos Municípios, juntamente com a União dos Ciclistas do Brasil, WRI Brasil, Ministério do Desenvolvimento Regional, Frente Nacional de Prefeitos, Abraciclo, Abradibi, Aliança Bike e Tembici.

Fonte: Brasil 61

Linha Prata Problema

Linha 15-Prata opera com problemas na tarde desta segunda-feira (05)

Uma interferência na via deixa a linha inteira operando com velocidade reduzida

Os passageiros que utilizam o monotrilho da Linha 15-Prata, na capital paulista, encontram problemas desde às 15h45 desta segunda-feira, 05 de outubro de 2020.

De acordo com o Metrô de São Paulo, a operação é realizada com velocidade reduzida e maior tempo de parada nas estações devido interferência de via na estação Vila União.

Técnicos atuam para solucionar a falha e regularizar a operação.

Fonte: Diário do Transporte

A reestruturação produtiva e a desestruturação urbana

Acima: Antiga área fabril da Tecelagem Tognato em São Bernardo do Campo nos anos de 1962 e o Condomínio Domo em 2019. Abaixo: Antiga área fabril da Cerâmica São Caetano em São Caetano do Sul nos anos de 1934 e inauguração do Park Shopping São Caetano do Sul em 2011 (Fontes: Arquivos do historiador Ademir Medici e Google Maps)

Desde 1970, muitas cidades e regiões ao redor do mundo estão sofrendo os efeitos da transição de uma sociedade industrial para a sociedade da informação e do conhecimento. As mudanças no cenário internacional – como globalização, financeirização da economia, inovações nas áreas das telecomunicações, informática e transportes – levaram à reestruturação produtiva. E o resultado foi o surgimento de áreas industriais ociosas em várias cidades no mundo.

No Brasil, o dramático cenário de desestabilização econômica e alto endividamento, somados às contrapartidas impostas pelo Fundo Monetário Internacional pelo Consenso de Washington – como a abertura econômica e comercial sem proteger a indústria nacional –, levou à saída e fechamento de fábricas no país. Surgiram, assim, as áreas industriais ociosas, que foram objeto de nosso estudo na 13ª Carta de Conjuntura do Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade de São Caetano do Sul (Conjuscs) e no 15º Seminário de História da Cidade e Urbanismo em 2018.

Esse problema tornou-se um grande desafio a ser enfrentado por diversas cidades no mundo, como Detroit (EUA), Grande Milão (Itália), do Vale do Ruhr (Alemanha). No Brasil, temos o Grande ABC – Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra – na Região Metropolitana de São Paulo.

Intervenção urbana

O conceito de intervenção urbana pode ser definido como um processo que promove um novo uso a uma área ociosa, podendo abranger vários procedimentos. Assim, as renovações de espaços numa sociedade em constante transição são consequências de várias ações realizadas no espaço e no tempo. Com isso, as políticas públicas de intervenção urbana objetivam dar um novo uso a estes espaços antes industriais, como é o caso da criação de novas áreas para o comércio, serviços, equipamentos turísticos ou de lazer.

A região do Grande ABC, durante o período de 1950 e 1980, recebeu grandes investimentos, principalmente internacionais, nos setores automotivo, eletroeletrônico, eletrodomésticos, químico. A região conformou-se em um dos maiores clusters industriais da América Latina. A partir de 1990, com as indústrias fordistas em xeque, esse cenário mudou. O fortalecimento das ideias neoliberais, o clima acirrado competitivo entre as empresas, a abertura comercial indiscriminada e o surgimento de novos territórios oferecendo menor custo de mão de obra produziram um cenário dramático de fechamento de empresas e desemprego. Esse fenômeno foi denominado por vários autores como desindustrialização ou reestruturação produtiva.

Diante dos efeitos desse problema, diálogos e ações foram construídos na década de 1990 entre diversos atores sociais. Entres eles o Consórcio Intermunicipal, a Agência do Desenvolvimento Econômico, Ciesps, sindicatos, universidades e outros. O objetivo foi a busca pelo desenvolvimento regional. Esse objetivo foi orientado por uma possível manutenção da indústria na região e pela concepção de soluções para as áreas industriais ociosas. Como fruto dessas discussões surgiu o projeto de intervenção urbana “Eixo Tamanduatehy”, com investimento do poder público em parceria com o setor privado. Com a implantação das ideias neoliberais, o projeto encontra-se inacabado. E acabou atendendo à lógica do mercado de consumo e da especulação imobiliária, deixando de atender aos projetos voltados para o âmbito social.

Nova onda de fechamentos

Durante os anos de 2003 a 2008, a região recebeu novos investimentos das empresas com a retomada da economia nacional e internacional, com o aumento do comércio internacional e dos investimentos estrangeiros e nacionais. Mas o processo de reestruturação produtiva continuou nos sete municípios da região do Grande ABC. O fenômeno das áreas industriais ociosas prosseguiu.

A partir da nova crise econômica brasileira de 2014, a região voltou a apresentar sucessivas quedas no número de estabelecimentos industriais. Principalmente nas indústrias fordistas, empregadoras de grande contingente de trabalhadores. Essa onda de fechamento de estabelecimentos industriais, em termos numéricos, entre os anos de 1989 e 2018, configurou-se como a pior da história da região. Entre estabelecimentos de 250 a 499 empregados, houve redução de 57% (de 144 em 1989 para 62 em 2018). Nos de 500 a 999 empregados, de 51% (de 70 em 1989 para 34 em 2018). E os de mil ou mais empregados tiveram queda de 66% (50 em 1989 para 17 em 2018).

Com a continuidade do processo de reestruturação produtiva na região, de 1989 até hoje, o problema das áreas industriais ociosas persiste como grande desafio a ser superado. Mas verifica-se que houve um hiato nas discussões sobre o problema, pois não houve estudos sobre a atual situação dessas áreas, discussões sobre a manutenção da atividade industrial na Região ou atração de novas empresas industriais. Tampouco houve a previsão de obras de intervenção urbana, convertendo essas áreas ociosas em novos espaços voltados para a cultura, lazer e turismo.

Antiga área fabril da Porcelana Schmidt em Mauá. E em seu lugar, o Atacadista Roldão em 2019 (Google Maps)

Novas atividades

A lógica do projeto do Eixo Tamanduatehy acabou se tornando o modelo a ser aplicado nas cidades do Grande ABC. Verifica-se essa aplicação nos projetos urbanos localizados nas cidades de São Bernardo do Campo (no antigo terreno da Brastemp e da Tecelagem Tognato), São Caetano do Sul (na antiga Cerâmica São Caetano), Mauá (na antiga Porcelana Schmidt) e Ribeirão Pires (na antiga Tecmafrig e Ugimag), entre outros.

As obras de intervenção urbana já executadas deram espaços a novas atividades de comércio e serviço, gerando empregos, arrecadações de tributos. Mas observa-se uma limitação no tipo de aplicação de novas atividades nestes espaços. Como é o caso de poucos espaços voltados para a sociedade: lazer, cultura, entretenimento e turismo. Além disso, houve um enfraquecimento nas discussões e não houve uma discussão estratégica de estudos no âmbito regional que ofereçam alternativas de reconversão industrial, permitindo, assim, a manutenção da indústria em áreas industriais ociosas ou, ainda, de intervenção urbana, fugindo dos padrões já executados na região.

A discussão do problema das áreas industriais ociosas precisa voltar à pauta do planejamento regional estratégico em várias esferas da sociedade civil. Antes de conceber ações nessas áreas, faz-se necessário conhecer as novas realidades do problema: quais são suas dimensões, características, localização e estudar que tipos de soluções podem ser feitas para cada caso. O problema é complexo e exige um aumento de amplitude da discussão, pois ultrapassa os limites da esfera da gestão pública urbana e requer interação entre os setores público, privado e a sociedade civil, sendo necessária a criação de uma agenda permanente de planejamento estratégico regional.

Planejamento estratégico

Se a região do Grande ABC deseja manter as suas indústrias e continuar sendo referência, pensar a manutenção delas é vital. Para isso, é necessário um planejamento estratégico regional contemplando estudos e ações para o curto, médio e longo prazo, apontando quais serão as estratégicas de manutenção e reconversão industrial, bem como atração de novas indústrias voltadas para a indústria 4.0, ou mesmo indústria da saúde e indústria verde.

No caso da opção de intervenção urbana em áreas industriais ociosas, é necessário que os investimentos públicos estejam voltados também para o lazer, a cultura, o entretenimento e o turismo. Para que isso ocorra de forma mais efetiva, além do necessário planejamento e  maior articulação entre os atores sociais da Região, é preciso ir além do ciclo eleitoral, incluindo a sociedade civil nos debates regionais, tendo o papel de fiscalização das ações.

Por fim, é fundamental a interação entre o governo, empresas e universidades, sob o modelo tríplice hélice, buscando conhecer, aprofundar e enriquecer as discussões no meio público e privado. E, com isso, haver a interação e contribuição de informações nos debates dos problemas atuais e futuros a serem enfrentados, buscando o desenvolvimento econômico e social da região do Grande ABC.

Fonte: Rede Brasil Atual