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Startup abre vagas de trabalho remoto para desenvolvedores

A Certus está lançando um novo braço, startup voltada para concessão de crédito para pequenas e médias indústrias e abre cerca de 40 vagas para trabalho remoto

A Certus, empresa de Curitiba (PR) que desenvolveu um ERP voltado para indústrias de pequeno porte, está lançando uma fintech voltada para pequenas e médias indústrias.

Por conta dessa expansão, está abrindo cerca de 40 vagas para desenvolvedores que
vão atuar no desenvolvimento de aplicações para concessão de crédito via antecipação de recebíveis, bem como outros produtos financeiros.

Fábio Ieger, CEO da Certus, informa que todas as posições são para trabalho remoto, já que é uma cultura da empresa. “Hoje temos times espalhados por dez Estados trabalhando remotamente. Além da área de Ti, temos oportunidade para outros
profissionais que atuam no segmento de finanças, comercial, marketing, administrativo, atendimento”, justifica.

As vagas
A Certus tem vagas para Desenvolvedor(a) Javascript e os requisitos são conhecimentos sólidos de lógica de programação, CSS, HTML e Javascript; experiência
com Vuejs; familiaridade com Api Rest; práticas de desenvolvimento orientado a testes;
conhecimento de versionamento com Git (incluindo Code Review). Boa comunicação e
trabalho em equipe e idioma inglês nível intermediário completam o perfil. Link para
inscrição: https://forms.gle/7mJjRyrrB7GtFLcdA.

As outras vagas são para Desenvolvedor(a) Ruby on Rails e os requisitos são
conhecimentos sólidos de lógica de programação; experiência com Ruby on Rails;
familiaridade com bancos de dados relacionais (especificamente Postgres); práticas de
desenvolvimento orientado a testes; conhecimento de versionamento com Git
(incluindo Code Review). Boa comunicação e trabalho em equipe e idioma inglês nível
intermediário completam o perfil. Link para inscrição: https://forms.gle/kHrNeDrq9nYf6A9d8.

Para os interessados em demais vagas citadas por Ieger, basta enviar e-mail para
contato@certus.inf.br.

Crescimento de 300%
A Certus é uma startup que cresce mais 100% ao ano, conseguindo atingir  um crescimento de 300% durante a pandemia. Recentemente recebeu aporte por meio de
rodada de investimentos Seed para ampliar a oferta de crédito por meio de antecipação de recebíveis.

Com seis anos de atividades, a Certus recebeu investimentos da Bossa Nova, de João
Kepler e Pierre Schurmann; da IVP de Fabricio Bloisi e Bruno Rondani; da Poli Angels, vinculada à Universidade de São Paulo e Esdanio Pereira, ex-diretor da Randon, além
de passar pela aceleração da Baita Aceleradora, na Unicamp.

Para auxiliar ainda mais os cerca de 300 clientes, entre pequenas indústrias dos
setores metalmecânico, químico, cosméticos e alimentício, distribuídas em cinco
estados, sendo eles São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a Certus está criando um banco digital para oferecer empréstimos com taxas de
juros mais competitivas para os empreendedores que não conseguiram o crédito
emergencial disponibilizado pelo Governo junto aos bancos privados. “Oferecemos,
além da antecipação de recebíveis, empréstimos para capital de giro, financiamento
para vendas de mercadorias, aquisição de máquinas, matérias-primas e empréstimos
consignados para os funcionários. Temos estrutura organizacional e economia para
ofertar acesso a dinheiro barato aos nossos clientes”, destaca Fábio Ieger, CEO da
Certus.

A antecipação de recebíveis funciona como a antiga duplicata, só que pela plataforma
da Certus e pode ser feita totalmente de forma digital. Basta ao interessado informar o
CNPJ, a Inteligência Artificial faz análise de crédito e em 15 segundos recebe uma
notificação de aprovação ou não. Caso seja aprovado, já é liberado um limite para ele
começar a antecipar. “A partir do momento que ele tem essa aprovação, o empreendedor pode enviar as notas fiscais e o sistema aprova o crédito também para
quem ele está vendendo e, após autorização, em até 30 minutos o dinheiro está na
conta dele”, detalha Ieger.

Fábio Ieger é empreendedor e apaixonado por tecnologia. Administrador de empresas,
sabe o quanto é desafiador o dia a dia para manter um negócio em atividade em um
país com instituições financeiras que em nada ajudam o pequeno e médio empresário.
Para levar soluções sustentáveis e realista a esse público, fundou a fintech CERTUS,
que utiliza dados do seu software de gestão para conceder empréstimo e capital de
giro para os que mais necessitam de ajudam, e esbarram em análises injustas. Para
mais informações, acesse https://www.certus.inf.br/

Startup abre vagas de trabalho remoto para desenvolvedores
Startup abre vagas de trabalho remoto para desenvolvedores. Foto de Christina Morillo no Pexels

Sobre a Certus
O Certus Software proporciona ao usuário uma experiência agradável e intuitiva,
utilizando ícones de fácil compreensão, com telas simplificadas e com todas as
informações em um só lugar. Com relatórios de fácil compreensão, auxilia na tomada
de decisões. Agregado a isso, diversos serviços financeiros, como antecipação de
recebíveis e empréstimos de capital de giro. A cada dia, a empresa inova e inclui a
inteligência artificial para ajudar cada vez mais a pequena indústria. Com seis anos de
atividades, recebeu investimentos da Bossa Nova, de João Kepler e Pierre Schurmann;
e da IVP de Fabricio Bloisi e Bruno Rondani, além de passar pela aceleração da Baita
Aceleradora, na Unicamp. Para mais informações, acesse https://www.certus.inf.br/
ou pelo ig @softwarecertus.

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USP cria plataforma para conectar inovação e empreendedorismo

Projeto pioneiro no País, Hub USP Inovação visa a fomentar empreendedorismo, parcerias com startups, empresas e comunidades de negócios disponibilizando informações de docentes, patentes, programas, laboratórios e incubadoras espalhadas pelas 42 unidades de ensino e pesquisa da universidade

A Universidade de São Paulo (USP) vai lançar amanhã, dia 9 de abril, uma plataforma com foco em inovação e empreendedorismo para facilitar a conexão entre o ambiente acadêmico, organizações voltadas para pesquisa, startups, comunidades de negócios, órgãos governamentais e a sociedade civil.

Idealizada para fomentar parcerias e disseminar o conhecimento técnico de uma das maiores universidades do mundo, a  plataforma Hub USP Inovação (hubusp.inovacao.usp.br) oferece informações detalhadas sobre iniciativas em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D&I) de organizações, programas, laboratórios e incubadoras ligadas à USP.

“A USP é a primeira universidade no Brasil a ter um projeto desse tipo, que reúne e disponibiliza numa plataforma suas iniciativas, competências e tecnologias geradas em suas 42 unidades de ensino e pesquisa, distribuídas em sete campi em todo o estado de São Paulo”, afirma o Professor Marcos Nogueira Martins, coordenador da Agência USP de Inovação (AUSPIN), órgão responsável pelo projeto. “O Hub USP Inovação traz um levantamento abrangente de todas as áreas da universidade e estamos cadastrando as competências, serviços tecnológicos e equipamentos de cada um dos 5.300 professores atuais, além do legado representado pelas quase 1.200 patentes registradas pela USP, todas classificadas”, acrescenta Nogueira Martins.

Fruto de um trabalho integrado, sob supervisão da Agência, a plataforma foi alimentada com a colaboração dos laboratórios, docentes, institutos de pesquisa e Pro-Reitorias. O algoritmo para a ferramenta de pesquisa da plataforma, por exemplo, foi desenvolvido com participação do USPCodeLab, grupo de extensão universitária que tem como objetivo estimular a inovação tecnológica da USP, formado por alunos de graduação, pós-graduação e professores, que se originou no Instituto de Matemática e Estatística.

Com uma busca simples na plataforma, uma empresa ou instituição poderá encontrar projetos e especialistas que procura. Por exemplo, se uma empresa está interessada em um projeto de biotecnologia desenvolvido na USP ou em encontrar os especialistas nesta área, basta digitar “biotecnologia” no campo da busca e encontrará todas as competências, laboratórios e docentes associados ao tema.

De acordo com a Professora Geciane Porto, vice-coordenadora da AUSPIN, a plataforma foi desenhada para facilitar a aproximação da universidade com o setor produtivo interessado em desenvolver soluções tecnológicas relevantes. “Para uma empresa, inovação representa sobrevivência a longo prazo e o Hub oferece uma porta de entrada para identificar que tipo de solução existe na universidade para a necessidade que essa empresa procura”, afirma Geciane.

Na plataforma, há uma separação por áreas de busca para facilitar a navegação. São elas: Iniciativas, P&D&I, Competências, Educação, Empresas e Patentes. Na aba “Iniciativas”, por exemplo, o usuário poderá encontrar editais, programas e as estruturas da USP para fomento do empreendedorismo e inovação, como as incubadoras e parques tecnológicos. Em “P&D&I”, há diversos laboratórios, organizações e programas de desenvolvimento para consulta. Na aba de “Competências”, há a separação por área de conhecimento, facilitando a busca por informações na USP pela comunidade externa.

Em “Educação”, há várias possibilidades de busca para cursos de graduação e pós-graduação, com foco em Inovação e Empreendedorismo, oferecidos pela universidade. A aba “Patentes” reúne as patentes da USP que estão disponíveis para que empresas e organizações possam licenciar para aplicação e uso, inclusive aquelas que se encontram em domínio público.

A área de “Empresas”, por sua vez, reflete todo o peso da USP no desenvolvimento do setor produtivo brasileiro. Ali é possível encontrar cerca de 1.700 empresas e startups formadas por alunos e ex-alunos da USP, ou que passaram por processo de incubação na Universidade, as quais são identificadas com a marca DNA USP. Para se ter uma ideia da importância da marca, 7 dos 15 unicórnios (startups avaliadas em pelo menos 1 bilhão de dólares) brasileiros têm DNA USP: Nubank, 99, Gympass, iFood, C6 Bank, Wild Life e Loggi. “São empresas que foram fundadas por alunos e ex-alunos ou são fruto de algum projeto ou pesquisa da universidade ou passaram por alguma das incubadoras da USP”, acrescenta Geciane.

O lançamento do Hub USP Inovação ocorrerá por meio de um evento online às 11h de sexta-feira, dia 9, com a presença do Reitor Vahan Agopyan, além de personalidades acadêmicas e do setor produtivo. “Nosso objetivo é consolidar, cada vez mais, a USP como uma universidade que inova e empreende”, conclui o professor Nogueira Martins.

Após o evento online de lançamento da plataforma, às 11h30 de sexta-feira, o canal da AUSPIN no YouTube vai transmitir uma edição especial do projeto “Fala, Inovação”, um webinar para discutir perspectivas de qualificação profissional e da educação para a inovação e empreendedorismo.

Com a moderação do jornalista Herton Escobar, do Jornal da USP, os especialistas Fernando Shayer e Milton Daré vão conversar sobre experiências bem-sucedidas, perspectivas e desafios da sociedade na formação de profissionais inovadores e empreendedores e como a Universidade deve se preparar para atender novas demandas e qualificações requeridas.

ATENÇÃO:
O link do Hub USP Inovação só estará disponível a partir do dia 9 de abril. Até lá, para navegar e conhecer as funcionalidades da plataforma, acesse o link provisório:
hubuspinovacao.if.usp.br
PARA AGENDAR
Lançamento da plataforma Hub USP InovaçãoData: sexta-feira, 9 de abril de 2021
Horário:  11h
Transmissão ao vivo pelo canal da AUSPIN no YouTube:
https://youtu.be/0ivJpqthTwk

NA WEB:Hub USP Inovação (a partir do dia 9 de abril)
hubusp.inovacao.usp.br
Contato
hubuspinovacao@usp.br

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USP oferece cursos gratuitos e on-line

A Universidade de São Paulo (USP) oferece cursos gratuitos disponíveis para todos os públicos, sem exigência de formação específica. Os conteúdos estão disponíveis on-line, na plataforma coursera, e são de diferentes áreas do conhecimento, desde ciências de dados, tecnologia, negócios e mais.

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Entre as aulas dos cursos, o aluno terá conteúdo sobre vários temas, como gestão de projetos, estatística, marketing digital, estrutura jurídica e financeira, marketing e vendas, criação de startups.

No momento, são 15 cursos publicados desenvolvidos por professores da USP para quem busca ampliar os conhecimentos e aperfeiçoar o currículo.

  • Marketing Digital
    Aprenda a desenvolver a estratégia de marketing digital para a sua empresa ou startup, nesse curso você irá aprender sobre os principais pontos do Marketing como ROI, SEO, SEM, Testes AB e como gerenciar o funil de conversão e também como usar plataformas como Google adwords e Analytics, Facebook Ads e Email Marketing.

  • Introdução aos Princípios e Práticas da Gestão De Projetos
    esta série de cursos e atividades práticas proporciona as habilidades para que seus projetos sejam executados e os resultados esperados entregues conforme o cronograma e o orçamento. Você vai adquirir sólidos fundamentos da gestão de projetos que poderão ser aplicados em seu trabalho.

  • Econometria Básica Aplicada
    Buscaremos introduzir aos alunos métodos de estimação de modelos lineares que relacionam variáveis econômicas. Espera-se que o aluno seja capaz de entender modelos simples e testar hipóteses sobre os modelos de interesse.

  • Criação de Startups: Como desenvolver negócios inovadores
    Ao final desse curso, esperamos que você esteja familiarizado com os principais conceitos e metodologias de criação de startups. Para melhorar o seu aprendizado, trabalhe com uma ideia ou um projeto e tente trabalhar nas entregas opcionais ao final de cada módulo.

  • Mapas conceituais para aprender e colaborar
    Você aprenderá a fazer bons mapas conceituais, ou seja, mapas que representam com fidelidade o seu entendimento sobre o tema mapeado – revelando o que você sabe e o que você não sabe!

  • Introdução à Análise Macroeconômica
    Neste curso de introdução à análise macroeconômica, objetivamos apresentar a estrutura lógica (modelos) da macroeconomia moderna, de maneira simples e com auxílio de gráficos básicos e intuitivos.

  • Origens da Vida no Contexto Cósmico
    É um curso com formato multidisciplinar que o levará a compreender melhor os aspectos envolvidos no surgimento de vida na Terra e no possível surgimento de vida em outros planetas.

  • Introdução ao Teste de Software
    Ao completar o curso, os estudantes serão capazes de planejar e aplicar as principais técnicas, critérios e ferramentas de teste em variados domínios e tipos de software.

  • Marketing e vendas B2B: Fechando novos negócios
    Aprenda a aumentar as vendas em negócios B2B com técnicas e estratégias de Marketing. Este curso introdutório oferece conteúdos teóricos e práticos dados pelos profissionais das maiores startups brasileiras, como Lean Survey, looqbox, Colaboradores, entre outras.

  • UX / UI: Fundamentos para o design de interface
    Aprenda com uma das maiores startups do Brasil, a Taqtile sobre com criar a melhor experiência para o seu usuário, formas de gerar ideias, princípios básicos de design e como desenvolver interfaces de aplicativos e sites, esse curso introdutório é composto de aulas teóricas com exemplos práticos de aplicação de cada assunto abordado.

  • Compreendendo o Zika e doenças emergentes
    Através deste curso você vai saber porque tantas doenças que surgiram atualmente (doenças emergentes) são causadas por vírus, como elas surgem e se espalham. Veremos como vírus causadores de doenças entram em contato com o ser humano e como se espalham, principalmente aqueles transmitidos por mosquitos, como os vírus da Dengue e Zika. Você será capaz de identificar como e onde o Zika vírus começou a causar a atual pandemia, entenderá como ele circula e quais os sintomas que causa nas pessoas em geral e em gestantes e particular, com ênfase na microcefalia.

  • Consolidando empresas: Estrutura jurídica e financeira
    Ao final desse curso, esperamos que você esteja familiarizado com os principais conceitos, ferramentas e princípios de como regulamentar a sua empresa, como geri-la financeiramente, como encontrar o seu modelo de negócio e como lidar com investimentos e investidores.

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USP oferece cursos gratuitos
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Locais de Prova Fuvest

Locais de Prova Fuvest 2021

Você pode consultar os locais de prova da 1ª fase do Vestibular Fuvest 2021. A 1ª Fase será no dia 10 de janeiro e as provas da 2ª fase nos dias 21 e 22 de fevereiro de 2021.

Para o ano de 2021, a USP oferece 11.147 vagas em diversos cursos de graduação, das quais 8.242 destinadas para seleção pelo vestibular da FUVEST. A USP destinará outras 2.905 vagas. Portanto, estas para seleção de estudantes do SISU/ENEM.

O número de inscritos no Concurso Vestibular FUVEST 2021 totalizou 130.525, considerando-se candidatos e “treineiros”, o que representa um crescimento perante a edição anterior, FUVEST 2020. Anteriormente, contou com 129.157 inscrições.

As carreiras de Medicina em São Paulo e Medicina em Ribeirão Preto lideram ranking de concorrência, com 154,6 e 129,1 candidatos por vaga, respectivamente. Enquanto isso, na terceira posição aparece o curso de Medicina de Bauru, com 78,4 candidatos por vaga.

Para conhecer a relação candidato/vaga de todos os cursos, clique aqui.

Saiba mais sobre Locais de Prova Fuvest

Os exames de habilidades específicas sofreram alterações em decorrência da pandemia de COVID-19. Dessa forma, as provas de música de São Paulo e Ribeirão Preto serão feitas em formato virtual. Enquanto isso, em formato misto, será a prova de Artes Cêncicas. Entretanto, a área de Artes Visuais excluiu a prova de habilidades específicas neste ano.

Confira na Área do Candidato

Locais de Prova Fuvest

Sobre a FUVEST

A Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) foi criada pela Universidade de São Paulo (USP) em 20 de abril de 1976. A Fuvest foi instituída para realizar o exame vestibular da USP, de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Conselho de Graduação da Universidade.

Ela é uma fundação de direito privado, sem fins lucrativos, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial. Possui dois órgãos: o Conselho Curador e a Diretoria-Executiva.

O Conselho Curador é formado por oito integrantes efetivos, designados pelo Reitor da USP, entre professores da Universidade. Eles possuem mandato de quatro anos, exceto o presidente e o vice-presidente que ficam no cargo por dois anos, podendo ser prorrogado por período consecutivo. O órgão é responsável por tomar as decisões sobre a fundação.

Por fim, a Diretoria-Executiva, responsável pela administração da Fuvest, é constituída de um diretor executivo, um vice-diretor e um diretor financeiro. Eles são eleitos pelo Conselho Curador, com prazo de designação de dois anos, sendo permitida duas reconduções sucessivas de igual duração.

Descoberto como o músculo se regenera após o exercício

Grupo da Universidade de São Paulo observou que as atividades aeróbias promovem uma desejada expansão de células satélite

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que a regeneração dos músculos promovida pelo exercício físico aeróbio é mediada por mudanças no consumo de oxigênio das células satélite – um tipo de célula-tronco do tecido muscular. O achado pode ajudar na recuperação de lesões e no combate à perda de massa muscular associada à idade.

Trabalhos anteriores já mostravam que o exercício com sobrecarga, como a musculação, era capaz de induzir o aumento no número de células satélite. No treinamento físico aeróbio, contudo, o tecido conhecidamente aprimora sua capacidade, mas mecanismos de reparo associados às células satélite não haviam sido estudados.

O grupo da USP observou que as atividades aeróbias promovem uma desejada expansão das células satélite e desvendou importantes alterações metabólicas por trás do fenômeno. A investigação foi conduzida durante o pós-doutorado de Phablo Sávio Abreu Teixeira, com apoio de bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

“Verificamos que há uma redução do consumo de oxigênio nas células satélite, diferentemente do que ocorre no restante do tecido muscular, onde o exercício eleva a demanda de oxigênio. É a primeira vez que se consegue observar como o exercício aeróbio influencia o metabolismo das mitocôndrias dessas células, e o efeito disso na regeneração muscular”, explica Abreu à Agência Fapesp.

Mecanismo

Para entender o mecanismo, o pós-doutorando conduziu uma série de experimentos com animais no Instituto de Química da USP, sob supervisão da professora Alicia Kowaltowski, que se dedica ao estudo das mitocôndrias desde os anos 1990 e integra a equipe do Centro de Pesquisa de Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma). Os achados foram publicados no Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle.

“Descobrimos ao menos parte dos mecanismos que levam ao aprimoramento da regeneração do músculo, e conhecê-los é o primeiro passo para um dia conseguir interferir nesse processo”, comenta Kowaltowski à Agência Fapesp.

A pesquisa foi realizada em fases, a partir de experimentos com camundongos divididos em dois grupos. Parte deles foi submetida a uma bateria de exercícios aeróbios, na esteira, por um período de cinco semanas, e parte permaneceu sedentária.

Ao fim do período de treinamento, os pesquisadores fizeram testes para verificar se os animais submetidos ao programa de exercícios haviam de fato aprimorado sua capacidade aeróbia. Depois, os tecidos musculares de ambos os grupos foram lesionados, etapa em que se observou que os músculos exercitados haviam aprimorado sua capacidade regenerativa.

“Primeiro, observamos que os animais treinados tinham mais fibras musculares recentemente formadas, além de menor deposição de tecido fibroso e menos sinais de inflamação. Assim, confirmamos que o tecido muscular dos animais exercitados era de fato mais bem reparado”, conta Abreu.

Alterações

Após identificar que os músculos haviam aprimorado sua capacidade de reparo, o próximo passo foi investigar as alterações ocorridas em células satélites isoladas desses animais exercitados. Proteínas que regulam a progressão da célula quiescente (adormecida) e a sua ativação, para que ocorra a autorrenovação ou a diferenciação, estavam aumentadas nessas células. “Além disso, elas demonstraram retardo na diferenciação, o que confirmou nossos achados”, continua Abreu.

Como explica o pesquisador, as células satélite no indivíduo adulto são responsáveis por regenerar e preservar o tecido muscular. Para isso, permanecem em quiescência, um estado de dormência que mantém a homeostase do tecido. Durante toda a vida, elas serão ativadas frente a alguma lesão ou desgaste, como no exercício físico ou na lesão induzida por Abreu nos camundongos de laboratório.

A partir daí, parte delas se diferencia para formar células que vão compor o tecido, parte inicia um processo de autorrenovação, que dá origem a novas células satélite para que esse ciclo continue acontecendo.

“Essas células se ativam constantemente, mas com o passar do tempo podem entrar em fadiga e parar de se autorrenovar – fenômeno observado nas distrofias e quando há perda de massa muscular, como na caquexia e na sarcopenia”, comenta Abreu. “Se temos mais células renovadas, significa que temos mais células aptas a regenerar o tecido”, acrescenta.

Abreu verificou que o exercício mantém a capacidade de regeneração do tecido muscular e contribui para a recuperação das lesões. E, por fim, mediu o gasto de oxigênio nas células satélite dos roedores submetidos ao treinamento, em busca de respostas sobre o que levava àquele comportamento. “O surpreendente é que elas consomem menos oxigênio, como se ficassem mais econômicas”, conta.

A descoberta contradiz a hipótese inicial dos pesquisadores, que acreditavam que, uma vez que o músculo aprimora sua capacidade oxidativa com o exercício aeróbico, e as células satélite ficam ancoradas na superfície do tecido musculoesquelético (daí o nome satélite), elas também aprimorariam sua capacidade aeróbia.

Papel das mitocôndrias

O processo de respiração celular ocorre nas mitocôndrias, estruturas celulares que, há até pouco tempo, se imaginava serem apenas responsáveis pela produção de energia para o organismo. “Nos últimos anos, descobrimos cada vez mais como elas estão envolvidas em diversos processos”, destaca Kowaltowski.

Para confirmar se o consumo de oxigênio das mitocôndrias realmente era o causador da autorrenovação das células satélite, Kowaltowski e Abreu fizeram mais dois testes: mimetizaram o efeito de diminuição do consumo do oxigênio com medicamentos em culturas in vitro e, num segundo momento, transplantaram as células exercitadas em animais sedentários.

A redução de consumo de oxigênio nas células estudadas in vitro foi capaz de melhorar a autorrenovação das células-tronco. No transplante, não houve mudança no número de células reparadas, mas aconteceu uma diminuição da inflamação, um achado sugestivo de melhor recuperação do músculo.

A ideia agora é investigar os efeitos da diminuição do consumo de oxigênio mitocondrial e as vias envolvidas na autorrenovação das células satélite. “Em suma, precisamos entender por que ao inibir a respiração celular aumentamos a recuperação muscular”, comenta a cientista.

Pode ser que, no futuro, seja possível replicar esse fenômeno para tratar a perda de massa muscular relacionada à idade e a problemas como o câncer e envelhecimento, um processo que ainda é, muitas vezes, irreversível.

O artigo (em inglês) pode ser lido em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1002/jcsm.12601.

Pesquisadores concluem maior banco de dados genômicos de idosos

Reunidas em repositório de acesso aberto, informações permitirão identificar mutações genéticas responsáveis por doenças

Integrantes do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEGH-CEL), do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), concluíram o sequenciamento do genoma completo de 1.171 idosos paulistanos.

A análise dos dados, reunidos em um repositório de acesso aberto, permitirá identificar mutações genéticas responsáveis por doenças, estimar a incidência na população brasileira e encontrar variantes que podem ser determinantes para o envelhecimento saudável, entre outras aplicações.

Os resultados do estudo foram publicados na plataforma bioRxiv, em artigo ainda sem revisão por pares. “É o maior banco de DNA de pessoas idosas da América Latina e de uma população altamente miscigenada como a brasileira, resultado de um trabalho iniciado há mais de 10 anos”, diz à Agência Fapesp Mayana Zatz, professora do IB-USP e coordenadora do CEGH-CEL – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Os idosos, com média de idade de 71 anos e não aparentados, foram selecionados por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da USP no âmbito do Projeto Saúde, Bem-estar e Envelhecimento (SABE), apoiado pela Fapesp.

Condições de vida

Iniciado em 2000, o SABE, coordenado pela professora Yeda Duarte, tem o objetivo de traçar o perfil das condições de vida e saúde de idosos que residem na cidade de São Paulo e em outros centros urbanos da América Latina e do Caribe a partir de entrevistas domiciliares, avaliações e exames médicos.

“Esse estudo é representativo da população idosa de São Paulo porque é baseado no censo do município paulista e inclui pessoas de todos os níveis socioeconômicos”, avalia Zatz.

Os idosos foram escolhidos como população-alvo para sequenciamento do genoma por já terem passado da idade de início de manifestação de uma série de doenças que surgem na velhice, como o Alzheimer e Parkinson, entre outras, explica a pesquisadora.

Análises

As primeiras análises dos dados genômicos dos idosos paulistanos, que incluem descendentes de imigrantes de diferentes continentes, permitiram identificar mais de 76 milhões de variantes genéticas, das quais dois milhões não estão descritas em bancos de dados genômicos internacionais.

Uma das explicações para essa lacuna é que populações altamente miscigenadas, como a brasileira, estão sub-representadas nesses bancos genômicos, que guardam majoritariamente dados genéticos de populações europeias.

A falta de diversidade nos bancos genéticos internacionais pode limitar o acesso de pessoas de ascendência não europeia aos benefícios da medicina de precisão e a testes com maior acurácia, aumentando potencialmente as disparidades de saúde, ressaltam os autores do estudo.

“O número excessivo de variantes não descritas indica que nossas populações parentais não estão representadas nesses bancos e reafirma a importância de sequenciar o genoma de brasileiros, especificamente, para reduzir as assimetrias de representatividade nos bancos genômicos internacionais”, aponta Michel Naslavsky, professor do IB-USP e primeiro autor do estudo, à Agência Fapesp.

Variabilidade

A análise da ancestralidade genética dos idosos revelou uma variabilidade considerável, que abrange desde um único ancestral a uma mistura de dois ou mais, com maior predominância, nesta ordem, de europeus, africanos, ameríndios e do leste asiático.

Essa diversidade genética é oposta à de países como os Estados Unidos, onde, apesar da existência de grupos populacionais descendentes de africanos e de caucasianos, pessoas que possuem duas ou mais ancestralidades são incomuns, compara Naslavsky.

“Os americanos que apresentam essa rara miscigenação são classificados nos bancos genômicos dos Estados Unidos como latinos, quando, na realidade, são majoritariamente mexicanos, que não apresentam o mesmo perfil de ancestralidade genética das populações do Brasil e de outros países da América Latina” avalia.

Também foram identificados quase 2 mil elementos genéticos móveis – partes genômicas que podem se deslocar para diferentes partes do genoma –, mais de 140 novos alelos de genes HLA – que se diversificam na forma e com vários alelos diferentes – e segmentos genômicos, totalizando entre 60 e 70 milhões de pares de bases que não haviam sido referidos em sequenciamentos do genoma humano realizados até o momento.

Esse número equivale a 2% das sequências do genoma humano completo, composto por 3 bilhões de pares de bases. Apesar de parecer pequeno, esse montante de regiões genômicas sem referência representa uma parte expressiva do genoma humano de brasileiros que ainda não está nas bases genômicas internacionais e pode explicar as diferenças genéticas e o surgimento de doenças e ainda contar a história da origem dessa população, avalia Naslavsky.

“Estamos enriquecendo os genomas de referência globais com os dados da população brasileira. A partir de agora, ao sequenciar o genoma de brasileiros será possível alinhar com o genoma de referência global e com o do nosso projeto”, afirma o pesquisador.

Estimativa de doenças

Para demonstrar a utilidade clínica do trabalho foram comparadas quase 400 mutações gênicas identificadas nos idosos com as apontadas como causadoras de doenças (patogênicas) nos bancos genômicos públicos para verificar se correspondiam a essa classificação.

“As análises comparativas permitiram reclassificar mais de 40% de mutações e apontar que algumas delas podem ter efeito menor do que o previsto anteriormente”, diz Naslavsky.

Os pesquisadores também selecionaram mutações associadas a doenças autossômicas recessivas – causadas pela herança de duas cópias alteradas de um mesmo gene, sendo uma proveniente do pai e outra da mãe – identificadas nos idosos para estimar a incidência delas na população brasileira. Entre as doenças estão a fibrose cística – mais comum entre os europeus –, a anemia falciforme – mais prevalente entre os africanos –, surdez relacionada ao gene GJB2 e a febre familiar mediterrânea.

No caso da fibrose cística, por exemplo, a frequência é de um caso em cada 2 mil nascidos na Europa, enquanto no Brasil a incidência estimada é de um caso em cada 10 mil.

“A incidência dessa doença é maior na Europa porque a mutação causadora é mais comum em caucasoides. Como a população brasileira é muito mais miscigenada, ela é mais rara no país”, explica Zatz.

Políticas de saúde

A surdez relacionada ao gene GJB2 e a febre familiar mediterrânea são as doenças autossômicas recessivas que aparecem com mais frequência em brasileiros, indica o estudo. Isso se deve, provavelmente, à contribuição genética ibérica, mediterrânea e do Oriente Médio, estimam os pesquisadores.

“Além da importância na medicina de precisão, esses resultados demonstram que o sequenciamento de genomas completos pode auxiliar na elaboração de políticas de saúde pública ao ajudar a estimar quantas pessoas podem nascer com doenças genéticas em uma determinada população”, avalia Naslavsky.

O artigo (em inglês) pode ser lido na plataforma bioRxiv em www.biorxiv.org/content/10.1101/2020.09.15.298026v1.

Fonte: Governo de SP

Cientistas identificam molécula que regula adaptação de músculos

Mediador celular que torna possível o ajuste acaba de ser descrito por pesquisadores da USP e de universidade norte-americana

O início de qualquer programa de atividade física pode provocar dores musculares que dificultam movimentos tão simples como o de levantar-se de um sofá. Com o tempo e um pouco de persistência, os músculos se acostumam à demanda e ganham desenvoltura. O mediador celular que torna possível essa adaptação ao exercício acaba de ser descrito por pesquisadores da Harvard University (Estados Unidos) e da Universidade de São Paulo (USP) na revista Cell.

Trata-se de um metabólito chamado succinato, até agora conhecido apenas por sua participação no processo de respiração celular dentro das mitocôndrias. Entre os autores do artigo estão o professor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-USP) Julio Cesar Batista Ferreira, integrante do Centro de Pesquisa de Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e o pós-doutorando Luiz Henrique Bozi, que conduziu a investigação durante estágio na instituição norte-americana, com apoio da Fapesp.

“Nossos resultados revelam que durante o exercício físico o succinato sai da célula muscular e envia sinais para a vizinhança que induzem um processo de remodelamento do tecido. Os neurônios motores criam novas ramificações, as fibras musculares tornam-se mais homogêneas, o que lhes permite gerar mais força durante a contração, e todas as células passam a captar mais glicose da circulação para produzir ATP [trifosfato de adenosina, o combustível celular]. Há um ganho de eficiência”, conta Julio Cesar Batista Ferreira à Agência Fapesp.

Experimentos

As conclusões do estudo estão baseadas em uma vasta gama de experimentos conduzidos com animais e também com voluntários humanos. O primeiro deles consistiu em comparar mais de 500 metabólitos presentes em um músculo da perna de camundongos antes e após os animais serem colocados para correr em uma esteira até a exaustão.

“Além das fibras musculares, o tecido também é composto por células imunes, nervosas e endoteliais. Se cada uma delas fosse uma casa, as ruas entre as casas seriam o espaço intersticial. Nós analisamos isoladamente cada uma das casas e também as ruas para descobrir o que muda na vizinhança após o exercício. Foi então que notamos um aumento significativo de succinato somente nas fibras musculares e no espaço intersticial”, relata Ferreira.

Fenômeno semelhante foi observado em voluntários saudáveis, com idade entre 25 e 35 anos, durante uma intensa sessão de bicicleta ergométrica com 60 minutos de duração. Nesse caso, a análise foi feita com amostras de sangue obtidas por meio de cateteres inseridos na artéria e na veia femoral. Observou-se que com o exercício a concentração de succinato crescia substancialmente somente no sangue venoso que saía do músculo. Depois, durante a recuperação, esses valores caíam rapidamente.

Resposta ao estresse

A essa altura, os pesquisadores já estavam convencidos de que em resposta ao estresse provocado pelo exercício as células musculares liberavam succinato. Mas ainda era preciso descobrir como e, principalmente, por quê. A análise do sangue dos voluntários deu uma pista: outro composto cuja concentração aumentou com o exercício – tanto no sangue venoso quanto no arterial – foi o lactato (forma ionizada de ácido lático), um sinal de que as células tinham ativado seu sistema emergencial de geração de energia.

“O succinato é um metabólito que normalmente não consegue atravessar a membrana e sair da célula. Lá dentro, ele participa do ciclo de Krebs – uma série de reações químicas que ocorrem dentro da mitocôndria e resultam na formação de ATP. Mas quando a demanda energética aumenta muito e a mitocôndria não dá conta de atender, um sistema anaeróbico é ativado, o que causa a formação excessiva de lactato e acidifica o interior celular. Descobrimos que essa alteração de pH causa uma modificação na estrutura química do succinato que lhe permite passar pela membrana e escapar para o meio extracelular”, ressalta Luiz Henrique Bozi à Agência Fapesp.

A proteína transportadora que ajuda o succinato a sair da célula foi identificada por meio da análise do conjunto de proteínas (proteômica) presentes na membrana das células musculares dos camundongos e dos voluntários. Os resultados mostraram que, após o exercício, aumentava no tecido muscular a quantidade de MCT1, uma proteína especializada em carregar moléculas monocarboxiladas de dentro para fora da célula.

“O tipo de molécula que a MCT1 transporta é semelhante ao succinato quando sofre modificação química em meio ácido – ele deixa de ser dicarboxilado e torna-se monocarboxilado. Fizemos vários experimentos in vitro para confirmar se era esse o mecanismo induzido pelo exercício”, conta o pós-doutorando.

Produção de energia

Um dos testes foi submeter células musculares em cultura a uma condição de hipóxia (privação de oxigênio), com o objetivo de ativar o mecanismo anaeróbico de produção de energia e gerar lactato. Observou-se que isso era suficiente para induzir a liberação de succinato no espaço intersticial.

Outro experimento foi feito com células germinativas de sapos (oócitos) modificadas geneticamente para expressar a proteína MCT1 humana. Os pesquisadores comprovaram que somente ao serem colocados em um meio com pH ácido os oócitos passavam a liberar succinato.

“Já sabíamos, nesse ponto, que a acidez fazia o succinato sofrer um processo químico chamado protonação, que o torna capaz de se ligar à proteína MCT1 e atravessar a membrana para o meio extracelular. Mas ainda precisávamos descobrir o significado desse acúmulo do metabólito no espaço intersticial durante o exercício”, conta Ferreira.

Já está bem estabelecida na literatura científica a importância da comunicação entre as células para o processo de adaptação do organismo a qualquer tipo de estresse. Essa troca de sinais ocorre por meio de moléculas liberadas no espaço intersticial para se ligar a proteínas existentes na membrana de células vizinhas. A ativação desses receptores de membrana desencadeia processos que levam a modificações estruturais e funcionais no tecido.

“Nossa hipótese era de que o succinato desempenhava esse papel de regulação no músculo ao se ligar a uma proteína chamada SUCNR1 [receptor 1 de succinato, na sigla em inglês]. Ela está altamente expressa, por exemplo, na membrana dos neurônios motores”, diz Bozi.

Ensaios

Para testar a teoria, foram feitos ensaios com camundongos geneticamente modificados para não expressar a SUCNR1. Os animais foram colocados para se exercitar livremente em uma roda própria para roedores durante três semanas – período suficiente para que houvesse modificações morfológicas e funcionais no tecido muscular.

“Seria esperado que as fibras se tornassem mais homogêneas e houvesse ganho de força, o que não ocorreu. Além disso, o exercício não promoveu nesses animais a ramificação dos neurônios motores – algo crucial para aumentar a eficiência da contração. E, finalmente, notamos que a capacidade das células de captar glicose não aumentou e que os animais apresentavam menor sensibilidade à insulina do que os camundongos não modificados. Ou seja, sem o receptor do succinato não houve o processo de remodelamento induzido pelo exercício”, conta Ferreira.

Segundo o pesquisador, o estudo mostrou de forma inédita a ação parácrina do succinato no tecido muscular, ou seja, o papel da molécula de sinalizar para as células vizinhas a necessidade de modificar seus processos internos para se adequar ao “novo normal”.

“O passo seguinte é investigar se esse mecanismo está perturbado em outras enfermidades caracterizadas pela alteração do metabolismo energético e acidificação celular – como é o caso das doenças neurodegenerativas, onde a comunicação entre astrócitos e neurônios é crítica para a progressão da doença”, afirma Ferreira.

O artigo (em inglês) pode ser lido em www.cell.com/cell/fulltext/S0092-8674(20)31081-3