Dia Mundial da Terra: Os ecossistemas locais e nossa rotina

Rodrigo Berté* é autor de Dia Mundial da Terra: Os ecossistemas locais e nossa rotina

Em um protesto contra as emissões atmosféricas e a poluição no mundo, o senador dos Estados Unidos Gaylord Nelson levou como pauta ao senado a criação de um dia especial para se pensar no planeta, na Gaia, a “teia da vida”. A data: 22 de abril de 1970, esta então se tornou o Dia Mundial da Terra.

Ao longo da sua existência o planeta Terra já sofreu muitas mudanças, e ainda vem sofrendo. As mudanças passadas – já muito distantes do nosso tempo – não tinham o reflexo da ação humana como vemos e sentimos atualmente. A pressão que o homem exerce negativamente sobre o planeta vem aumentando ao longo dos anos, e mais do que as comprovações disso ao alcance da vista, há diversos levantamentos. Um dos dados mais marcantes está na pesquisa apresentada por cientistas israelenses, um registro preocupante apresentado na revista científica The Nature sobre a quantidade muito maior de objetos (de massa antrópica) produzida pelo homem, em comparação à quantidade de massa natural.

Também a Organização das Nações Unidas realizou um estudo denominado “VISÃO 2050”. O documento indica, por meio de gráficos, os desafios da sustentabilidade com a pegada ecológica de cada país e a pressão sobre o planeta. A partir dele percebe-se que devemos urgentemente estabelecer um novo padrão de vida e de consumo que seja sustentável, com a inserção do hábito de reutilizar materiais, em especial aqueles oriundos da matéria-prima natural, bem como racionalmente utilizar os recursos da natureza.

O Brasil, por sua vez, necessita urgentemente de políticas públicas mais “claras” sobre a proteção ambiental e, em especial, políticas voltadas para cada importante ecossistema que possui. Defendo que o território nacional deve ser mapeado pela diversidade ecológica e por ações que se diferenciam de região por região. O olhar para o ecossistema local, para as comunidades etnoecológicas, para a diversidade e para a proteção devem garantir a conservação de nossos recursos naturais preciosos. E há outra necessidade, a de descentralizar os órgãos de proteção ambiental nos âmbitos municipal, estadual e federal, a fim de garantir que as licenças emitidas não sejam irregulares, ou que venham com “carteirada” política.

Para um planeta sustentável convido todos a, nesse Dia Mundial do planeta Terra, fazer um importante exercício de reflexão e de inserção de algumas dicas no dia a dia de todos nós: (1) evitar o desperdício de água, de alimentos, de recursos; (2) comprar de forma sustentável e aliada aos programas da agricultura familiar; (3) trocar produtos entre as pessoas, estimulando o consumo consciente; (4) destinar adequadamente o lixo, ou no mínimo evitar aumentar sua quantia. O ideal é gerar uma quantidade menor do que a dos dias atuais; (5) plantar, plantar e plantar muitas árvores; (6) ter compaixão e empatia com o semelhante, ensinando sempre que possível; (7) e denunciar os crimes ambientais.

Há muitas outras ações necessárias também – e que somam muito mais do que sete dicas –, porém se cada um fizer o seu papel na sociedade sustentável que almejamos, estaremos exercendo a cidadania ideal e olhando para o nosso futuro comum, o futuro do nosso planeta.

(*) Rodrigo Berté é Ph.D em Educação e Ciências Ambientais, e diretor acadêmico do Centro Universitário Internacional UNINTER 

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Dia Mundial da Terra
Rodrigo Berté
Divulgação

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Ecologia da Paisagem no planejamento da conservação da biodiversidade – Parte IV

EXEMPLOS DE APLICAÇÕES PRÁTICAS NO PLANEJAMENTO DA CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE Ecologia da Paisagem no planejamento

A conexão entre SEs/SAs e uso da terra urbana e em áreas de proteção ambiental necessitam seguir leis para um planejamento e gestão mais adequados, que permitam a conservação in situ e a manutenção destes serviços para usufruto atual e futuro na promoção do bem-estar e qualidade de vida humanos.

O planejamento da terra deve estar pautado nas métricas de paisagem para verificação do uso da terra, mudança da cobertura do solo para acompanhamento das áreas de proteção e criação de sistemas sociecológicos que deem conta de analisar a expansão urbana e suas demandas de SES/SAs (JÁUREGUI et al., 2019).

Hardt et al. (2014) apontam a criação de cenários futuros junto à elaboração de mapas de expectativas legais como valiosos para mostras os diferentes estados de conservação florestal, no auxílio de tomada de decisão em situações com interesses conflitantes entre usos da terra e agentes sociais.

A implementação de ações

Ecologia da Paisagem no planejamento
Do mirante da Vila de Paranapiacaba, é possível avistar a cidade de Cubatão-SP. Foto: André Benetti, 2014.

A implementação de ações conservacionistas pode ser dificultada quando ocorre suscetibilidade dos fragmentos florestais aos impactos de vias de acesso, campos perturbados e usos urbanos, por exemplo. Fragmentações contínuas diminuem a conectividade estrutural, iniciando processos de extinção de espécies mais sensíveis (HARDT et al., 2019).

A criação de corredores ecológicos e esforços de conservação dentro destes, podem aumentar o potencial de recolonização de espécies e o estabelecimento bem-sucedido de populações viáveis de reprodução, a longo prazo, em um processo de conservação regional (STRICKER et al., 2019).
Dorning et al. (2015) verificaram que estratégias conservacionistas que excluem o desenvolvimento de áreas prioritárias de proteção causam maior fragmentação das florestas; enquanto que as estratégias de preenchimento aumentaram a perda de recursos prioritários nas proximidades das áreas urbanas.

Os cenários de mudança de uso e cobertura da terra não apenas confirmaram que uma falha em agir provavelmente resultaria em perdas para uma rede de conservação, mas também que todos os planos de conservação não têm efeito equivalente, destacando a importância de analisar trocas entre abordagens alternativas de planejamento de conservação (DORNING et al., 2015).

Instrumentos como fomento à criação de cooperativa de beneficiamento de produtos a partir de frutos da terra, incentivo a adoção de Pagamento por
Serviços Ambientais, elaboração material técnico e de divulgação para a cidade (Educação Ambiental), elaboração de zoneamentos e criação de cenários de forma participativa com todos os stakeholders envolvidos, leis específicas, extração sustentável de frutos da terra, implantação de turismo rural e em Unidades de Conservação são alguns exemplos a serem utilizados para tentar sanar em partes, o acoplamento conservação dos SEs/SAs com um uso da terra que favoreça as diretrizes da sustentabilidade.

Referências – Ecologia da Paisagem no planejamento

DORNING, M. A. et al. Simulating urbanization scenarios reveals tradeoffs between conservation planning strategies. In: Landscape and Urban Planning, 2015 pp. 28-39.
HARDT, E. et al. Evaluating the ecological effects of social agent scenarios for a housing development in the Atlantic Forest. In: Ecological Indicators, 2014. pp. 120-130.
JÁUREGUI, C. H. et al. Aligning landscape structure with ecosystem services along an urban-rural gradient. Trade-offs and transitions towards cultural
services. In: Landscape Ecol. 2019, pp. 525–1545.
STRICKER, H. K. et al. Multi-scale habitat selection model assessing potential gray wolf den habitat and dispersal corridors in Michigan, USA. In: Ecological Modelling, 2019. pp. 84-94.

Carolina Estéfano
Mestra em Ciências – ênfase em Análise Ambiental Integrada (UNIFESP SP)
Bióloga e Gestora Ambiental

Ecologia da Paisagem no planejamento da conservação da biodiversidade (consensos e divergências) – Parte II

Foto em destaque: ADRIANO GAMBARINI

Metzger (2001) definiu paisagem em um conceito integrador – unindo a abordagem geográfica com a ecológica – e englobando outros autores, como um:

um mosaico heterogêneo formado por unidades interativas, sendo esta heterogeneidade existente para pelo menos um fator, segundo um observador e numa determinada escala de observação.

Para a área e objetivo deste artigo, têm-se:

a) Unidades interativas do mosaico: uso e ocupação do território – uso e cobertura do solo –zoneamento – áreas de proteção e de habitação;

b) Fator de interesse: conservação dos SES/SAs da macrozona de proteção ambiental de Santo André – região de Paranapiacaba e Parque Andreense;

c) Observadores: homem, espécies de fauna/flora e SEs/SAs;

d) Escala de observação: meso a macro.

A Ecologia de Paisagens estuda a junção de padrões espaciais e processos ecológicos para uma análise da estrutura da paisagem visando a resposta aos principais problemas ambientais, tanto relacionado à fragmentação de habitats quanto ao uso inadequado antrópico inadequado da terra e demais elementos. Em resumo, fornece subsídios para compatibilizar uso da terra e sustentabilidade ambiental, econômica e social ao propor o planejamento da conservação da paisagem como um todo (METZGER, 2001).

Turner et al. (2001) cita uma variedade de fatores que contribuem para os padrões observados em paisagens, entre eles: abióticos, interações bióticas (clima, fisiografia e solos), padrões de uso da terra, perturbação/sucessão.

Os fatores abióticos são espacial e temporalmente variáveis; portanto, o padrão espacial na formação do solo e no crescimento da vegetação ocorre naturalmente (TURNER et. a.l, 2001).

Ainda Turner et al. (2001) definem outros processos, incluindo perturbação e recuperação de perturbações, bem como variabilidade no uso da terra, como ampliadores de heterogeneidade em uma ampla gama de escalas temporais.

A perturbação e o subsequente desenvolvimento da vegetação são os principais contribuintes para padronizar a paisagem. Perturbação no ecossistema, na comunidade ou na estrutura da população que muda a disponibilidade de recursos, do substrato ou do ambiente físico, como exemplos: incêndios, erupções vulcânicas, inundações e tempestades. Distúrbios incluem a distribuição espacial, frequência, extensão espacial e magnitude. A disseminação de perturbações e padrões de recuperação têm recebido considerável atenção na ecologia da paisagem (TURNER et al., 2010).

Jáuregui et al. (2019) cita que a expansão urbana está ligada à falta de controles de planejamento e, consequentemente estes processos de êxodo rural, têm importantes desdobramentos ambientais, sociais, econômicos e culturais, sobre as áreas de proteção ambiental.

Ainda, os mesmos autores, relatam que as invasões ocorrem nestas áreas que seriam de conservação ambiental, ocasionando a perda de SE/SAs associados a uma paisagem cultural, como sistema de defesa em paisagens urbanas.

Devido às restrições de uso de serviços de provisão e regulação, que se tornam escassos por conta do uso desordenado, em locais que não poderiam ter residências e este tipo de demanda, pois salvaguardam a manutenção de SEs/SAs para usufruto presente e futuro, além da conservação in situ, levando à escassez de áreas ‘naturalness’ (JÁUREGUI et al., 2019).

Referências

JÁUREGUI, C. H. et al. Aligning landscape structure with ecosystem services along an urban-rural gradient. Trade-offs and transitions towards cultural services. In: Landscape Ecol 2019, pp. 525–1545.

METZGER, J. P. O que é Ecologia de Paisagens? In: Biota Neotropica, vol. 1, nºs 1 e 2, 2001. pp. 1-9.

TURNER, M. G. et al. Causes of landscape pattern. In: TURNER, M. G. et al. Landscape Ecology – in theory and practice (pattern and process). Springer-erlag New York, Inc. 2001, pp. 71-90.

Carolina Estéfano
Mestra em Ciências – ênfase em Análise Ambiental Integrada

 (UNIFESP SP)

Vivências na natureza: (re)descobrindo as áreas verdes em família

Foto da capa: Beto Garavello

Dia das crianças chegando! Vale estar com a família, com os amigos e até só (curtindo de forma pessoal e intransferível nossa proposta zen). O importante é curtir, repensar, planejar-se e/ou…silenciar, experienciar, divertir-se, aprender, vivenciar, relaxar e interiorizar boas vibrações vindas dos recantos, cantos e encantos da natureza!

Experiências diretas em áreas verdes nos proporcionam sensação de bem-estar, afloram nossos sentidos e percepções, tornando nossas vidas particulares e coletivas mais dinâmicas, intuitivas, altruístas e conectadas com outras pessoas e outros seres vivos, como as plantas, animais e fungos, em uma rede equilibrada de ciclos, belezas, benfeitorias e respeito mútuo, além de aprendizado sobre as características da área.

Mesmo na área urbana necessitamos (re)descobrir as áreas verdes, tão importantes para nossa sobrevivência, sejam praças, parques, jardins ou até árvores plantadas nas calçadas, que nos ofertam conforto térmico, frutos e belas flores com seus perfumes, atração de fauna, como pássaros e insetos, e nos permitem ‘fugir’ do caos cotidiano, em um processo de ‘esvaziar’ a mente de situações negativas, florescendo, assim, boas sensações e ações de bem-estar e qualidade de vida.

 Áreas de proteção ambiental, como Unidades de Conservação, são refúgios com visitação controlada (acesso permitido com guias ambientais apenas) em que há nascentes de rios, fauna e flora exuberantes e belas paisagens. Como dica, perto de nós, no Grande ABC/SP, há em Santo André, o ‘Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba’, na Vila de Paranapiacaba, composto pelo bioma Mata Atlântica e nascentes que formam a represa Billings, que abastece a região metropolitana de São Paulo. Vale visitar qualquer uma dessas áreas protegidas – o Brasil todo tem – cada uma com suas especificidades e bioma – de forma responsável e ajudar na geração de renda de comunidades do entorno, a partir do turismo e na conservação, por meio de atividades de Educação Ambiental orientadas. 

Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba. Foto: Divulgação

‘Banhos de parque ou de floresta’, que são caminhadas, imersões de aprendizagem e contemplação, também são recomendados como antidepressivos, pois baixam os níveis de estresse, devido benefícios físicos e mentais, melhorando o humor, aumentando a energia e acelerando processos de recuperação de doenças.

As vivências diretas na natureza, que exporei abaixo, para serem proveitosas e estimulantes, podem seguir estágios de desenvolvimento com atividades direcionadas, que conheceremos a seguir, baseados em Joseph Cornell. 

Estágio 1 – Despertam o entusiasmo e harmonizam a convivência em grupos e indivíduos, por meio da alegria e descontração com brincadeiras que estimulam superação de passividade, requerem atenção, estabelecem relações com líderes, criando envolvimento entre todos;

Estágio 2 – Concentram a atenção, favorecendo a receptividade e ampliação dos sentidos, pois canalizam o entusiasmo despertado no estágio anterior, acalmam a mente, desenvolvem a habilidade de percepção e receptividade para as próximas experiências;

Estágio 3 – É a experiência direta em si, com fomento à percepção, aos insights, em um processo de descoberta pessoal, de encantamento pela natureza, melhora nas relação entre as pessoas, ampliação da consciência de unidade que une todos os seres e cria postura não hierárquica entre as pessoas e a natureza;

Estágio 4 – Compartilhar a inspiração, de forma a criar vínculos, reforçar o sentido de união e de fortalecer experiências pessoais.   

Os sentimentos trabalhados nas vivências são mais encantamento, maravilhamento, alegria, paz e menos desconfiança, insegurança, medo, vulnerabilidade e fragilidade! Você não esquecerá jamais, garanto que sua vida pode mudar a partir dessas descobertas com ajuda da natureza!

Pareceu complexo? Você pode realizar ações mais simples e tanto quanto benéficas na época das férias e festas, silenciando na natureza, ou seguindo as próximas dicas com as crianças, adolescentes e adultos, com as atividades prontinhas para gerar diversão e aprendizado, que indico a seguir, utilizando elementos naturais (lembrem-se: não devemos arrancar folhas e flores e, sim utilizarmos apenas o que está disponível, como folhas soltas caídas ao chão):

– Piquenique e brincadeiras antigas no parque: comidinhas saudáveis e  brincadeiras, como bola, peão, corda, bolha de sabão, de preferência com pés descalços…;

– Explorando o jardim: ensinar a cuidar do jardim, além de brincar de fazer comidinhas com barro, água e cultivar uma horta;

– Montar figuras e quadros a partir de pedrinhas, folhas e flores coletados do chão;

– Fazer tinta de terra com diferentes nuances de cores;

– Fazer uma mandala de flores, pedrinhas e folhas.

Desejo um lindo das crianças à todos, incluindo aos adultos, para despertarem sua criança interior e que seja repleto de boas experiências na natureza e tão resiliente o quanto ela nos ensina a sermos!