Mulheres Revolucionárias: Cristina da Suécia parte II

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Embora Cristina odiasse que a rotulassem com qualquer assunto feminino, todos esperavam que ela se casasse para que o país tivesse um rei governante e logo produzissem herdeiros para o trono. Logo em 1630, os planos de casamento já estavam sendo feitos, mesmo que ela ainda tivesse 4 anos de idade.

A ideia era que ela se casasse com seu primo Frederico Guilherme, com 11 anos na época, mas pouco tempo depois perceberam que o acordo não iria funcionar e logo foram em busca de um novo pretendente mas o mesmo problema aconteceu com o novo futuro marido, o filho do rei Cristiano IV da Dinamarca, Ulrich, 15 anos mais velho que a garota.

O grande problema que ninguém queria aceitar era que a futura rainha não queria dividir seus direitos reais com ninguém.

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Alguns anos mais tarde uma nova chance estava acontecendo, aos olhos dos conselheiros reais. Um novo romance estava acontecendo, e dessa vez foi completamente pelo acaso. Cristina havia se apaixonado por seu outro primo, Carlos Gustavo, filho do Conde Paladino, com quem havia sido amiga desde a infância.

Mas logo perceberam que para ela, era mais uma aventura romântica do que um relacionamento sério. A rainha adorava encontros escondidos, cartas e declarações de amor mas sempre tomava o devido cuidado para não se comprometer demais com ninguém.

Quando fez 18 anos e o Conselho de Regência foi dissolvido sem nenhum casamento próximo a acontecer. Foi só 5 anos mais tarde que a rainha resolveu tornar Carlos Gustavo o seu herdeiro oficial, fez um discurso onde afirmava que nunca iria se casar pois sua personalidade não servia para aquilo, mesmo que já tivesse rezado inúmeras vezes para que conseguisse.

E assim se fez, ao longo dos anos a rainha nunca se casou mas de tempos em tempos tinha casos amorosos que causavam escândalos.

Em 1665, começou a se aventurar com o Coronel da Guarda da Rainha e Embaixador Extraordinário na França. Cristina até ajudou a pagar dívidas de seu amante real até o fim do relacionamento entre os dois, onde já havia engatado outro interesse romântico com uma de suas serventes, conhecida como Belle. Essa aventura se tornou altamente polêmica, principalmente com pessoas mais conservadoras como o embaixador inglês Bulstrode WhiteLocke, quando Cristina disse em uma conversa que Belle era tão bela por fora quanto por dentro.

Mesmo depois de abdicar sua coroa, anos mais tarde, para seu primo, continuou com sua vida cheia de aventuras até morrer, fazendo muitos amigos e inimigos ao longo dos anos.

Mulheres Revolucionárias: Cristina da Suécia parte I

A quarta e única sobrevivente filha dos reis Gustavo Adolfo II e Maria Eleonora era Cristina. Assim que a garota nasceu, em 1626, foi considerada menino e só mais tarde perceberiam que era uma garota. até hoje

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Mesmo que não seja possível descobrir o motivo da confusão, Cristina teria de carregar piadas com seu nome por toda a vida.

Mesmo assim, ela dizia que quando era criança, tinha aversão por todas as coisas de “menina”, como roupas apertadas e espalhafatosas. Ao contrário do que normalmente acontecia, pois apenas homens eram ordenados a terem uma educação rigorosa, o rei Gustavo havia instruído sua filha a ser muito estudiosa e ela chegava a estudar 12 horas por dia. Ela se interessava por todos os assuntos que na época eram masculinos, como política, literatura e história.

Tal intelecto foi muito bem recebido quando o rei morreu em combate na Guerra dos Trinta Anos e com isso, Cristina se tornaria a rainha da Suécia.

Com a morte de seu marido, em 1632, Maria Eleonora ficou entrou em um luto eterno, obsessiva com rituais, rezas e escuridão, já que ordenou que todas as peças do castelo agora fossem pretas, para que não entrasse luz solar. Além disso, colocou um caixão ao lado de sua cama com o coração de Gustavo dentro dele e obrigava que sua filha, agora rainha, dormisse ao seu lado todos os dias durante 3 longos anos.

Essa experiência marcou profundamente Cristina, que começou a se questionar sobre os ensinos religiosos que havia recebido e mostrou que pensava por si própria.

Alguns anos mais tarde, em 1651, planejava se converter para o catolicismo mesmo sabendo que essa atitude não seria aceita pela Suécia luterana e que não poderia continuar sendo a rainha do país.

Já em 1654, com certeza de sua fé, fez um plano com um companheiro, o Conde Christophe Von Donha, e resolveu trocar de lugar com ele. Vestida como Conde, viajou escondida para Roma, onde foi recebida com muita pompa, o que normalmente não acontecia com mulheres daquela época, mas o papa desejava celebrar mais uma rainha convertida pois precisava restaurar a imagem da Igreja, que havia sido desgastada pela revolta protestante.

Já a cerimonia de abdicação da rainha, que aconteceu no mesmo ano, foi diferente pois quando Cristina ordenou que tirassem sua coroa, ninguém se adiantou para cumpri-la mas no final do dia, estava sem os trajes reais e o herdeiro que ela havia apontado, rei Carlos X, foi coroado. Sem despedidas oficiais, foi em direção à fronteira dinamarquesa com uma pequena escolta de 4 pessoas.

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Após passar por países como Alemanha e Países Baixos, foi recebida pela Igreja Católica em Bruxelas. Após sua comunhão, adotou o segundo nome de Alexandra, o que poderia ser uma homenagem ao papa Alexandre VII.

Quando voltou para Roma, primeiramente foi uma convidada muito querida mas após alguns anos, começou a ser inconveniente pois era esperado de uma mulher católica ser modesta e pura mas Cristina era o oposto. Logo as intrigas e comentários começaram a surgir pois ela frequentava teatros com conteúdos de baixo calão e tinha vários amantes.

Vendo que não tinha mais futuro ali, tentou voltar ao poder real em 1668, mas dessa vez na Polônia. Com uma monarquia eletiva, pensou que teria chances de conseguir a coroa mas o povo dali queria um homem para os liderar, não uma mulher com a reputação manchada com inúmeros escândalos.

Depois de perder mais uma vez a coroa, decidiu viver no Palazzo Riario e voltou a focar em seus estudos. Patrocinando expedições arqueológicas, promoveu o teatro e muito mais. Em pouco tempo o Palazzo Riario ficou conhecido por suas atividades culturais e intelectuais.

Quando morreu, em 1689, seu corpo foi velado com uma grande cerimonia.

Mulheres Revolucionárias: Jane Grey e Mary I

Conheça Jane Grey e Mary I

Antigamente apenas os homens poderiam comandar um país, o rei era quem liderava, comparecia em reuniões estratégicas e políticas importantes. A rainha era conhecida apenas como a esposa do rei, não sendo uma monarca reinante.

Mas muitas mulheres tentaram mudar a história, não ficaram quietas pois sabiam que eram capazes de ir muito além do que escolher as flores do jardim do castelo. Porém, quando sempre que almejaram este poder, estas mulheres foram criticadas e condenadas.

Mas e quando todos os homens da linhagem real estão mortos?

Em 6 de julho de 1553 Edward III, o único herdeiro homem de Henry VIII, estava morrendo. Pela primeira vez na história da Inglaterra, todas as opções para a realeza, eram mulheres.

Seguindo a lógica, a coroa deveria ser passada para Mary, a filha mais velha. Depois, para Elizabeth, sua irmã mais nova.

Mas Edward estava disposto a fazer de tudo para que sua irmã, de diferente religião, não ocupasse seu lugar e mudasse a religião de seu país. Antes de morrer, preparou um documento a excluindo do poder.

Este documento, permitia que suas primas também ficassem com o poder e então Jane Grey entra em cena, já que era da mesma religião que Edward. Pensando nisso, ele deixou um testamento para que os filhos homens de Jane pudessem usar a coroa, para que desta forma, nenhuma mulher ficasse no comando.

O que ele não esperava, era sua repentina morte.

Sem tempo para produzir herdeiros, Jane foi colocada no testamento como futura rainha, pois seu marido poderia governar. E talvez um dia, o casal tivesse estes tão sonhados filhos.

Quando Jane soube, recusou o trono pois achava que sua prima Mary era a verdadeira herdeira do trono inglês mas este pedido era uma ordem, pois não podia ser recusado.

Mas Jane não foi manipulada como um fantoche e não aceitou que seu marido fosse rei, aceitaria que ele fosse apenas duque, pois não tinha o sangue real.

Poucos dias depois, vendo toda essa disputa, Mary decidiu juntar um exército para recuperar seu lugar no trono real.

Com uma guerra inesperada e poucos aliados, Jane perdeu seu não tão querido trono depois de 9 dias e Mary saiu como vitoriosa e tornou-se a rainha da Inglaterra.

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