Está difícil ler na pandemia? Está. Para quase todo mundo

Jorge Alexandre Moreira é o autor de “Está Difícil ler na pandemia?…”

Quando essa confusão de Covid começou, no meio de todo o medo e a ansiedade, um pensamento brotou, automático: “bom, pelo menos vou colocar a leitura em dia”.

Mas, os meses passaram e aquele clássico não saiu da estante. Aquele livro chegou pelo correio e fez um tour pela casa, mas você não passou do capítulo 2.

Calma, você não está sozinho. Alguns poucos têm mantido o hábito da leitura, mas quase todo mundo tem enfrentado sérias dificuldades. Vamos tentar entender o que está acontecendo e, depois, pensar em algumas estratégias.

A questão principal, que tem interferido na concentração e nos hábitos de leitura de quase todo mundo, é a ansiedade. É difícil definir o que é ansiedade e a partir de que ponto ela se torna patológica, pois as pessoas lidam com ela de formas muito diferentes e sofrem efeitos muito distintos.

O que podemos dizer, com razoável segurança, é que ansiedade tem a ver com incerteza. Ao contrário do medo, que acaba na hora em que a fonte do medo se vai, a ansiedade permanece, justamente porque não se enxerga o perigo com clareza e não se sabe se ele acabou.

E se o problema é a incerteza, é difícil imaginar tempos mais incertos do que esses em que estamos vivendo. Não sabemos se nós ou as pessoas que amamos ficarão doentes e nem quais serão as consequências, se isso acontecer. Não sabemos até quando isso vai durar. Não sabemos nem ao certo o que está acontecendo, pois as informações que nos chegam são desencontradas e são entregues por meio de smartphones projetados para nos viciar.

Você ainda queria estar lendo? Se não estiver usando algum “tarja preta”, você é privilegiado. Então, tudo bem, relaxe. Você tem desculpas e elas são boas. Agora vamos ver algumas formas de atacá-las:

* Você já está lendo – a primeira coisa a se dar conta é que você lê muito. O dia inteiro, na verdade. Seu problema não é quantidade de leitura, é qualidade e foco. Lute contra o desejo de se atualizar. Não é tão importante assim e só aumenta sua ansiedade. Se você não quer ou não pode se alienar, pelo menos, determine horários e os respeite. Só leia as notícias depois de certa hora ou se atualize uma única vez por dia. 

* Leia por prazer e cuidado com os projetos megalomaníacos – quantas páginas você lê por dia? Quantos livros lê por ano? Esqueça. Ninguém está ligando para isso. Abandone os grandes projetos. Leia coisas que instiguem sua curiosidade e que te deem prazer. Esqueça o post que você vai fazer no Instagram quando terminar aquele livro. Ah, você já fez um post quando começou a leitura e agora ela não está fluindo mais? Libere-se. Largue. Sem cerimônia. É ruim parar de ler um livro no meio, mas é muito pior ficar agarrado num livro que você não quer mais por sabe-se lá quanto tempo. Leia por você, para você e lembre-se disso.

* Prefira ficção – talvez você consiga relaxar enquanto aprende alguma coisa, mas a maioria das pessoas já está com tarefas demais. Dê preferência a um lazer que mantenha sua mente ativa.

* Leve o livro para todo canto – se há a mais vaga possibilidade de enfrentar uma fila ou algum tipo de espera, leve o livro. A leitura de ficção pede conexão constante com o texto, a trama e os personagens. Se você ler 15 minutinhos que sejam, manterá seu interesse vivo.

* Foque nos livros finos e contos – Ajude-se. Deixe “Guerra e Paz” e outros gigantes para outra época. Ou outra vida.

* Tente, mas, se mesmo assim, não der, seja gentil consigo mesmo – vivemos tempos complicados. Você achou que home-office era trabalhar em casa e descobriu que é morar no trabalho. Estamos perdendo coisas e pessoas a torto e a direito. Não torne algo que deveria ser prazeroso em mais uma razão de ansiedade.

Está difícil ler na pandemia? Está. Para quase todo mundo
Jorge Alexandre Moreira, autor de “Está difícil ler na pandemia? Está. Para quase todo mundo”. Foto de Flávia Freitas

Sobre o autor

Jorge Alexandre Moreira lançou seu primeiro livro em 2003, quando quase ninguém falava em literatura de terror independente no Brasil. Escuridão, um romance ambientado na Amazônia, tem um conflito entre Brasil e EUA como pano de fundo e foi considerado por diversos sites como um dos melhores livros de terror já publicados no Brasil. Uma temática atual e, ao mesmo tempo, atemporal.

Leitor voraz desde os primórdios da infância, é devoto de Stephen King, Clive Barker, Rubem Fonseca e Jorge Amado. Em 2018, lançou Parada Rápida, um thriller sobre o desaparecimento de uma mulher em um posto de gasolina, durante uma viagem. Parada Rápida tem mais de 2000 downloads na Amazon e nota 4,5 na avaliação dos leitores.

Participou do Ghost Story Challenge e das antologias Confinados e Numa Floresta Sombria e, este ano, lançou Numezu, que já está sendo consagrado pela crítica e pelos leitores do gênero. Jorge vive e escreve no Rio de Janeiro, com sua esposa Luana e seu cachorro louco, Galeto.

Mais informações:

https://www.jorgealexandremoreira.com.br/ | jamoreiraescritor@gmail.com

Gostou da nossa matéria “Está difícil ler na pandemia? Está. Para quase todo mundo“?

Está difícil ler na pandemia? Está. Para quase todo mundo.

Assine nossa Newsletter e receba nossas publicações em seu email, fique ligado nas notícias e matérias do jornal assim que estiverem online. Então, aproveite e leia as Caderno Cultural. Conheça nosso parceiro Dica App do Dia.

Junte-se a 2.337 outros assinantes

A Divina Comédia de Dante Alighieri

A Divina Comédia é um longo poema narrativo italiano de Dante Alighieri. Iniciado em 1308 e finalizado em 1320, um ano antes de sua morte em (1321). Amplamente considerada a obra preeminente na literatura italiana e uma das maiores obras da literatura mundial . A visão imaginativa do poema sobre a vida após a morte é representação da visão de mundo medieval, conforme esta se desenvolveu na Igreja Ocidental no século XIV. Ajudou a estabelecer a língua toscana, na qual é escrita, como a língua italiana padronizada. Dividido em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso.

A narrativa tem como tema literal o estado das almas após a morte e apresenta uma imagem da justiça divina aplicada como punição ou recompensa devida, e descreve as viagens de Dante pelo Inferno, Purgatório e Paraíso (ou Céu), embora alegoricamente o poema representa o caminho da alma para Deus.

Nesse sentido, começando com o reconhecimento e rejeição do pecado (Inferno). Em seguida, pela vida cristã penitente (Purgatório). Por fim, a ascensão da alma a Deus (Paraíso).

Dante baseia-se no católico romano medieval, sua teologia e filosofia, especialmente a filosofia tomista derivada da Summa Theologica de Tomás de Aquino. Consequentemente, a Divina Comédia foi chamada de “a Summa em verso”. Na obra de Dante, o peregrino Dante é acompanhado por três guias: Virgílio (que representa a razão humana ), Beatriz (que representa a revelação divina), e São Bernardo de Clairvaux (que representa o misticismo contemplativo e a devoção a Maria ).

Obra-prima

Erich Auerbach disse que Dante foi o primeiro escritor a retratar os seres humanos como produtos de um tempo, lugar e circunstância específicos. Em contrapartida aos arquétipos míticos ou uma coleção de vícios e virtudes; isso, juntamente com o mundo totalmente imaginado da Divina Comédia, diferente do nosso, mas totalmente visualizado, sugere que se poderia dizer que a Divina Comédia inaugurou a ficção moderna.

Link para Download da Obra Completa, CLIQUE AQUI.

Gostou de “A Divina Comédia, de Dante Alighieri”?

Assine nossa Newsletter e fique por dentro das notícias, assim que publicadas, ou como desejar. Para periodicidade, confira informações no email recebido. Leia mais em nosso Caderno Cultural.

Conheça nossos parceiros Entre Séries, Dica App do Dia, Passa de Fase, Rogério de Caro, Graça Decaro, Amorarica, Excelsior Serviços, Blog PS, DISCUTINDO CONTEMPORANEIDADES e Márcio Pinheiro Advocacia

A Divina Comédia de Dante Alighieri
Domenico di Michelino