Epidemia silenciosa: 150 mil brasileiros descobrem ter ceratocone

Epidemia silenciosa: 150 mil brasileiros descobrem ter ceratocone
Foto: Divulgação

Uma das principais causas de transplante de córnea no país avança e Hospital CEMA registra alta nesta epidemia silenciosa

Um gesto simples, quase automático, feito para aliviar uma coceira ou o cansaço nos olhos, esconde um perigo alarmante que pode
custar a visão. No mês do Junho Violeta, campanha nacional de conscientização sobre o ceratocone, o Hospital CEMA, referência em oftalmologia, com 50 anos de atuação no Brasil, acende um alerta vermelho para a população: a falta de informação e de consultas preventivas ao oftalmologista está deixando milhares de
jovens com dificuldade na visão e na fila de transplantes.

O ceratocone é uma doença crônica que acomete a córnea — a camada transparente que protege o olho. Sob a influência de fatores genéticos e, crucialmente, do atrito mecânico (o ato de coçar), a córnea perde sua espessura, curvando-se para frente em um formato cônico. O resultado é uma distorção severa da visão, que evolui para astigmatismo irregular e miopia acentuada, muitas vezes dificultando a correção com óculos.

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Epidemia Silenciosa: O que é a ceratocone?

A doença não escolhe idade, mas tem um alvo preferencial assustador: crianças, adolescentes e jovens adultos, geralmente entre os 10 e 25 anos. É nessa fase de desenvolvimento que o ceratocone costuma surgir e progredir mais rapidamente. O
grande problema é que, nessa idade, a queixa de “visão embaçada” costuma ser confundida com o aumento natural de grau, retardando o diagnóstico correto.

As 4 características iniciais que a população ignora (e quando ligar o alerta):

  • Coceira ocular crônica: geralmente associada a rinites, asma ou alergias sazonais. É o principal combustível para a evolução da doença;
  • Troca frequente de óculos: se o grau de astigmatismo ou miopia muda drasticamente em menos de um ano, o diagnóstico pode não ser apenas erro de refração;
  • Visão borrada e distorcida: dificuldade para enxergar de longe, ler ou ver placas de trânsito, mesmo com óculos e;
  • Fotofobia extrema: sensibilidade acentuada à luz.

Dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) indicam que cerca de 150 mil brasileiros convivem ou recebem o diagnóstico de ceratocone anualmente. Embora a prevalência na população geral pareça controlada sob a ótica de estatísticas raras, a velocidade e a agressividade com que a doença deforma a visão de adolescentes e jovens são avassaladoras. O resultado dessa falta de diagnóstico
precoce é um dado alarmante de saúde pública. Assim, o ceratocone isolado é, hoje, a maior causa para a realização de transplantes de córnea no Brasil.

90% dos casos graves poderiam ser evitados

O tom dos especialistas do Hospital CEMA é de urgência, reforçando que até 90% dos casos de evolução da doença poderiam ser evitados se houvesse uma cultura estabelecida de prevenção e acompanhamento especializado precoce.

O ceratocone não tem cura, mas tem controle. Quando diagnosticado no início, tratamentos modernos e minimamente invasivos — como o Crosslinking, procedimento que utiliza riboflavina (vitamina B2) e luz ultravioleta para fortalecer as fibras de colágeno da córnea — consegue frear a progressão da doença, evitando, na grande maioria dos pacientes, a necessidade futura de um transplante de córnea.

A prevenção e o controle do ceratocone não são feitos com exames de rotina simples de “leitura de letrinhas”. O acompanhamento eficaz exige exames de alta tecnologia diagnóstica, pilares do atendimento do Hospital CEMA, tais como:

  • Topografia e Tomografia de Córnea (Pentacam): mapeiam em 3D a espessura e a curvatura exata da córnea, detectando o ceratocone antes mesmo dos primeiros sintomas visuais aparecerem.
  • Consultas Semestrais/Anuais: para pacientes diagnosticados, o monitoramento a cada 6 meses é crucial para avaliar se a doença parou de evoluir ou se precisa de nova intervenção cirúrgica.
  • Tratamento Multidisciplinar: controle rigoroso da alergia ocular (com colírios específicos prescritos por médicos, nunca automedicação) para eliminar de vez o hábito de coçar os olhos.
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Concentração de casos em SP: O termômetro do Hospital CEMA

Por ser uma das principais referências em oftalmologia do país, o Hospital CEMA funciona como um verdadeiro termômetro da saúde ocular brasileira — e os indicadores internos da instituição comprovam que o ceratocone está avançando a passos largos.

De acordo com o levantamento estatístico do Hospital, o volume de pacientes atendidos com a patologia deu um salto expressivo. Então, foram 10.140 atendimentos em 2024 contra 11.316 em 2025, um crescimento real de 11,6% em apenas 12 meses.

Esse montante posiciona o complexo hospitalar como um dos maiores centros de tratamento da doença no país, concentrando uma parcela massiva das abordagens clínicas do território nacional.
Esse aumento de mais de 11% nos nossos registros reforça a necessidade de atenção. Ele reflete tanto a eficácia das nossas tecnologias de diagnóstico precoce, que conseguem flagrar a doença no início, quanto o reflexo de hábitos modernos prejudiciais, como o ato de coçar os olhos intensificado pelo uso excessivo de telas e pelo aumento de alergias respiratórias nas grandes metrópoles“, explica Dr. Wilson Obeid, especialista em córnea e doenças externas do Hospital CEMA.


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